Sherlock viaja da era vitoriana ao século 21 mantendo qualidades de Conan Doyle

Condensado de O Estado de São Paulo, 17/01/2014
por Clarice Cardoso

Confira como a série britânica adaptou alguns dos traços marcantes do personagem dos romances de mistério

Não é preciso ser um leitor voraz de romances policiais para em algum momento ter se deparado com alguma referência a Sherlock Holmes. O nome da célebre criação de Sir Arthur Conan Doyle é sinônimo de um detetive brilhante, com impressionante poder de dedução. Do cachimbo à frase “Elementar, meu caro Watson” – que o autor nunca teria escrito em nenhuma das 60 aventuras.

Se os clássicos são imortais, na televisão é verdade que às vezes precisam de atualização. Nos EUA, Robert Doherty fez a crítica torcer o nariz ao tomar liberdades – talvez demasiadas – e criar Elementary. Como se fossem necessárias mudanças profundas para ter sucesso na TV, deslocou a história para Nova York e transformou o dr. Watson em uma mulher (vivida pela sempre surpreendente Lucy Liu). Ainda assim, a produção estrelada por Jonny Lee Miller mostrou qualidades, foi indicada a dois Emmy e provavelmente terá uma terceira temporada.

O centro geográfico da série, o 221B da Baker Street, consagrou-se nos livros de Conan Doyle e foi mantida nesta versão da BBC. É em busca de um quarto para alugar nesta casa que Watson e Sherlock se encontram (Reprodução)

O centro geográfico da série, o 221B da Baker Street, consagrou-se nos livros de Conan Doyle e foi mantida nesta versão da BBC. É em busca de um quarto para alugar nesta casa que Watson e Sherlock se encontram
(Reprodução)

Por sua vez, do outro lado do oceano, a BBC mostra que atualizações pontuais bastavam para reaver o que de atemporal transformou aquelas histórias de mistério em clássicos da literatura. Ao protagonista, uma personalidade mais ácida, quase antissocial (alguém se lembra de House?), muita tecnologia, humor mordaz, crimes cibernéticos, ameaças terroristas e ciência de ponta. Grandes fãs da obra de Conan Doyle, Steven Moffat e Mark Gatiss mostram-se à vontade para trazer a era vitoriana para o século 21 e, naturalmente, veio um prêmio Bafta. Com Benedict Cumberbatch e Martin Freeman nos papéis principais, a produção é feita com cuidado cinematográfico em temporadas de três episódios com 90 minutos em média.

Ao final da segunda safra de capítulos, Sherlock encena a própria morte, o que dá a Watson dois anos para seguir com sua vida. É assim que, no início do terceiro ano, enquanto descobrimos como Sherlock conseguiu o feito, aprendemos também que o médico vai se casar. Neste segundo episódio, que vai ao ar na segunda, 20, às 22h, no BBC HD, Watson tem a ideia de pedir – para o choque de Holmes – que seu melhor amigo seja seu padrinho de casamento.

Durante a festa, emerge a verdadeira natureza de sua parceria. Tem início um episódio que se desenha como uma reunião de flashbacks de casos curiosos que viveram juntos. A primeira metade é tomada pelo humor quando o protagonista, que se autodefine um “sociopata altamente funcional”, tenta adequar-se às tradições sociais e demonstrar afeto por seu amigo mais próximo. Crimes nunca solucionados são narrados a um salão cheio de senhoras bem vestidas e senhores de respeito.

É então que tudo muda, e começa uma história de ação das melhores contadas na TV atual. Sherlock consegue renovar o tão combalido mistério a portas fechadas num roteiro inteligente, com viradas rápidas e avanços audaciosos. São personagens há muito conhecidos em aventuras que agradam aos fãs ao mesmo tempo em que os (re)introduzem a um novo público.

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