O último caso de Conan Doyle

Por Neil Tweedie
Condensado de Daily Telegraph, 20/08/1996
Tradução: Mundo Sherlock

OS ARQUIVOS de Sir Arthur Conan Doyle estão para ser abertos por sua família, após uma série de disputas legais que os manteve fechados por mais de meio século.

Para Dame Jean Conan Doyle, a última filha ainda viva do criador de Sherlock Holmes, a abertura dos arquivos deixados por seu pai é uma “ansiosa espera”. As várias caixas de cartas, diários e ensaios compõem parte do legado do autor, que se mantém presente, a despeito de sua morte, em 1930.

Os arquivos esperam para ser abertos por Dame Jean e três primos, após um acordo feito entre seus advogados e um banco suíço. Dame Jean, 83 anos, viúva do Vice Marechal do Ar, Sir Geoffrey Bromet, espera que os papéis venham a ser publicados no futuro. Questionada se as caixas podem conter obras de ficção, ela respondeu: “Quem sabe? Isso é improvável, mas qualquer coisa é possível”.

Esses arquivos tem sido objeto de uma prolongada disputa entre os sucessivos herdeiros do legado de Sir Arthur. Eles contém uma extensa série de tópicos, que vão desde espiritismo até reforma do divórcio e uma série de cartas dos leitores de Sherlock Holmes, alguns pedindo o auxílio de Sir Arthur para solucionar seus mistérios pessoais.

Os arquivos também contém alertas do escritor sobre o perigo do comércio submarino feito pela Grã-Bretanha, escritos antes do início da Primeira Guerra Mundial, e cartas condenando o tratamento dos nativos no Congo Belga.

“Tenho recebido muitas cartas de biógrafos que querem examinar os papéis mas eles terão que esperar sua vez para depois da família”, disse Dame Jean, que controla os ‘copyrights’ de seu pai na América, embora muito da responsabilidade pela demora da abertura dos documentos seja atribuída a Nina Harwood, viúva de Denis, seu irmão mais velho.

Russa de nascimento, a senhora Harwood, falecida em 1987, travou uma longa campanha para aumentar sua parte na herança, valendo-se de procedimentos legais contra uma instituição de Zurique, a Credit Suisse Fides Trust. Quatro vezes casada, ela inicialmente forçou o banco a vender os ‘copyrights’ britânicos dos livros de Sir Arthur para a Baskerville Investiments, uma companhia que ela criou e que depois veio a falir.

“Nina tinha um estilo de vida bastante dispendioso”, disse Dame Jean. “A decisão sobre os arquivos foi várias vezes atrasada pela morte dos herdeiros e pela necessidade de pôr em ordem essa situação, mas, sem Nina, isso poderia estar feito há vários anos”.

“Eu não estou tentando colocar minhas mãos nesses papéis por dinheiro, apenas quero estar pronta para ler os papéis de meu pai”, disse Dame Jean.

Dieter Hauser, Presidente do Fides Trust, disse: “O banco sempre quis resolver o assunto, mas nós temos um dever como instituição. Esperamos que isso logo esteja terminado”.

Esse post foi publicado em Jornais e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s