Conan Doyle acusado de jogo sujo

Por Simon Trump
Condensado de The Sunday Times, 10/09/2000
Tradução: Mundo Sherlock

Watson (dir.) e Holmes (esq.), interpretados por Nigel Bruce e Basil Rathbone, respectivamente

Watson (dir.) e Holmes (esq.), interpretados por Nigel Bruce e Basil Rathbone, respectivamente

É um mistério digno do próprio Sherlock Holmes. Sir Arthur Conan Doyle, criador do detetive fictício, foi acusado de trair um escritor do mesmo gênero a fim de esconder a verdadeira autoria de uma de suas maiores obras.

Rodger Garrick-Steele, escritor de Dawlish, Devon, passou 11 anos pesquisando para seu novo livro, que trata da relação de Conan Doyle com Bertram Fletcher Robinson, jornalista e em grande parte o co-autor não reconhecido de O Cão do Baskervilles. Ele alega que Conan Doyle tramou com seus editores negar o reconhecimento de Fletcher Robinson como inventor do enredo e fonte de muitos detalhes locais.

A trama, ele comenta, quase é descoberta quando Conan Doyle recebeu seu título [de Sir] em 1902. Um pacote chegou ao Palácio de Buckingham, endereçado para Sir Sherlock Holmes. Estava cheio de camisas estufadas, um insulto vitoriano que sugere que alguém sabia que o escritor era um fraude.

Em seu livro A Casa dos Baskervilles, Garrick-Steele igualmente alega ter encontrado evidências circunstanciais de que Conan Doyle pode ter assassinado seu antigo amigo quando ele ficou preocupado que a trama poderia transpirar.

Fletcher Robinson foi registrado como vítima de febre tifóide em 1907, mas Garrick-Steele alega que Conan Doyle o envenenou com láudano, que apresentava sintomas semelhantes, usando seu conhecimento médico como um qualificado doutor.

Ele também pode ter sido impulsionado devido ao alegado affair com a esposa de Fletcher Robinson, Gladys, ser descoberto. Garrick-Steele diz que Conan Doyle a coagiu em ajudá-lo com o assassinato. “O extenso encobrimento sobre a autoria de O Cão dos Baskervilles tinha chegado na sua conclusão lógica”, disse Garrick-Steele. “Horas desesperadas exigiram remédios desesperados. Eu espero que a verdade agora apareça”.

“Conan Doyle teve muita ajuda de Fletcher Robinson. Não teria havido nenhum Cão dos Baskervilles sem ele e o crédito não foi dado devidamente”, disse ele. “Havia uma frieza crescente entre eles. Se a evidência para o envenenamento estiver correta, eu não posso esperar para me inteirar por completo”.

Garrick-Steele

Desvendando um mistério: Garrick-Steele junto ao túmulo do homem que ele acredita ter sido assassinado. Foto: Marc Hill, The Sunday Times

Garrick-Steele, 58, antigo empresário, inicialmente se interessou pela trama de Conan Doyle nos anos oitenta, quando ele passou pela Park Hill House, em Ipplepen, na extremidade de Dartmoor, o cenário de O Cão dos Baskervilles. Ele nada sabia sobre as associações literárias da casa até que uma fotografia de Conan Doyle ainda jovem misteriosamente quebrou-se na soleira da casa.

Na novela, Holmes investiga mortes inexplicáveis de membros da família Baskerville, ditas serem causadas por um gigante cão espectral.

Em 1900, Conan Doyle visitou Park Hill como convidado de Fletcher Robinson, que lá vivia. O anfitrião o entreteve com as lendas de Dartmoor, inclusive o conto de seu cão fantasmagórico.

Os dois foram apresentados pelo tio de Fletcher Robinson, e eram sócios do mesmo clube em Londres, o The Reform. Eles compartilharam uma relação com Devon, onde Conan Doyle tinha trabalhado como GP.

De acordo com Harry Baskerville, o cocheiro de Fletcher Robinson, ambos discutiram um manuscrito chamado Uma Aventura em Dartmoor, escrito por Fletcher Robinson.

Baskerville, que teve seu nome imortalizado no livro, recordou a conversação em uma entrevista de rádio local em 1960, logo antes a morte dele.

Arthur Conan Doyle

Arthur Conan Doyle

A Strand Magazine, que publicou a história, disse tratar-se de uma obra “perdida” de Conan Doyle. A única menção sobre outro autor estava em uma nota minúscula de agradecimento ao “meu amigo Fletcher Robinson” ao fim da página.

Garrick-Steele baseia suas suspeitas de envenenamento em inconsistências nos registros da morte de Fletcher Robinson. Ele acredita que Conan Doyle decidiu destruir o homem que poderia expô-lo.

Garrick-Steele disse: “Por que o homem nunca viu um médico até o dia em que sua certidão de óbito foi assinada? Febre tifóide era altamente contagiosa, contudo nenhum colega, amigo, parente ou pessoas de sua relação contraíram a doença. E por que seu corpo foi levado a Devon em um trem público, quando quase sempre as vítimas de febre tifóide eram cremadas?”

A Scotland Yard – tão freqüentemente o objeto da condescendência de Holmes para com seus métodos ingênuos – concordou em discutir as alegações de Garrick-Steele. “Nós estamos preparados para abrir um processo em qualquer suspeita de assassinato, não importa quanto tempo atrás tenha acontecido”, disse um porta-voz da Polícia Metropolitana.

Capa da primeira edição de O cão dos Baskervilles

Capa da primeira edição de O cão dos Baskervilles

O Chefe Superintendente dos Detetives, Brian Moore, dirigente do Serious Crime Squad, deu instruções para que os detetives investiguem as acusações.

A Sherlock Holmes Society, ouvida sobre o envenenamento, disse tratar-se de um “disparate completo”, mas Garrick-Steele disse saber que seria alvo dos doyleanos puristas.

E disse: “Ele era um homem fundamentalmente dividido”.

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