Conan Doyle foi um assassino e ladrão?

Por Robert Mendick
Condensado de The Independent, 10/09/2000
Tradução: Mundo Sherlock

“Quando você eliminou o impossível, aquilo que restar, mesmo que improvável, deve ser a verdade”. Agora, a duradoura máxima de Sherlock Holmes, o mais cerebral dos detetives, está sendo posta à prova.

É um mistério tão obscuro como os tantos outros pelos quais seu criador, Sir Arthur Conan Doyle, é tão justamente celebrado – ou ele o é? [Sherlock Holmes]. Detetives da Scotland Yard estão investigando a morte, de quase um século atrás, de um conhecido íntimo do escritor – e o homem acusado pelo assassinato é o próprio Conan Doyle.

E o motivo? De acordo com a pesquisa, ele teria roubado o livro O Cão dos Baskervilles – e então envenenado o verdadeiro autor para encobrir o plágio.

Não fosse isso devastador o suficiente, também está sendo alegado Conan Doyle não agiu sozinho ao matar seu amigo Bertram Fletcher Robinson, mas conspirou com a esposa de Robinson, Gladys, com quem estaria tendo um apaixonado affair. A acusação está em um livro de 446 páginas intitulado A Casa dos Baskervilles, terminado depois de 11 anos de investigações.

Tal fato incitou inúmeras e furiosas acusações da Sherlock Holmes Society que, apelando para a reputação intocável de Conan Doyle, classificou as alegações como “bobagens absolutas”.

Mas Rodger Garrick-Steele, o psicólogo que propôs a surpreendente teoria baseado em cartas, pesquisa em testamentos e certidões de óbito e uma certa quantidade de evidências circunstanciais, despertou o interesse da Scotland Yard, tão freqüentemente a beneficiária do gênio detetivesco de Holmes.

Um detetive graduado do esquadrão de crimes escreveu a Garrick-Steele que promete investigar as acusações surpreendentes que ele está fazendo. Essencialmente, em sua teoria, ele reivindica que O Cão dos Baskervilles foi escrito de fato por Bertram Robinson, um jornalista que morreu misteriosamente aos 36 anos de idade.

O próprio trabalho de detetive de Garrick-Steele começou em 1989, quando ele passou pela Park Hill House, em Devon, aldeia de Ipplepen, na extremidade de Dartmoor, o cenário de O Cão dos Baskervilles.

É amplamente reconhecido que a inspiração de Conan Doyle para o livro, primeiramente publicado em folhetins em 1901, veio do convívio com o amigo Robinson e das histórias que ele contou sobre bestas fantasmagóricas no pântano. Ele pediu emprestado o nome do cocheiro e do jardineiro de Robinson, Harry Baskerville, para intitular seu livro.

Garrick-Steele começou sua investigação quando uma fotografia tirada em 1865 de Conan Doyle ainda menino, que ele tinha pregado na parede da sala de estar, repetidamente caía de seu suporte. Ele interpretou este fantasmagórico acontecimento como um sinal para começar suas investigações. Sua conclusão foi que a gênese de O Cão dos Baskervilles estava em um livro de Robinson escrito em 1900, um ano antes, intitulado Uma Aventura em Dartmoor. Garrick-Steele trouxe à tona tal livro, alegando que as semelhanças com a obra de Conan Doyle são notáveis.

“Isto foi extremamente doloroso para Robinson, cujo nome quase não figura no livro “– e isso é reconhecido –”enquanto seu jardineiro, Harry Baskerville, aparece supremo na capa de ouro em folha”.

O livro fez um enorme sucesso, mesmo aparecendo oito anos depois de Conan Doyle ter matado o amado detetive fazendo-o cair nas cataratas de Reichenbach durante perseguição de seu arqui-inimigo, o gênio melévolo Professor Moriarty. A ressurreição de Holmes foi um golpe editorial genial mas, de acordo com Garrick-Steele, só foi possível graças a Robinson – e isso colocou Conan Doyle em uma “posição muito infame”, diz ele.

“Doyle poderia agora ver uma grande ameaça e poderia ter um tremendo motivo para se livrar de Robinson. Na realidade, Doyle teve que se livrar de Robinson”.

De acordo com Garrick-Steele, Gladys Robinson, frustrada devido ao fato de não conseguir ter filhos com seu marido, começou, então, um affair com Conan Doyle. “Usando seu amplo conhecimento médico – lembremos que Conan Doyle era graduado em medicina e Holmes é famoso pelo seu conhecimento de venenos – ele persuadiu Gladys para que administrasse doses graduais mas letais de láudano ao seu marido”.

Robinson morreu com 36 anos no dia 21 de janeiro de 1907, oficialmente de febre tifóide e foi enterrado em Ipplepen. Garrick-Steele acredita que a exumação do corpo mostrará que ele morreu envenenado. Ele está tentando junto ao Home Office a permissão para a exumação. “Não há muito que acrescentar – como uma fotografia tirada de Robinson com aspecto muito saudável pelo mês de janeiro quando se pensava que ele estava em seu leito de morte.

“Eu reuni um quebra-cabeça, embora ainda faltem uma ou duas partes. Mas tudo aponta para um horrorizante quadro de embuste.”

A Sherlock Holmes Society não está considerando as alegações que surgem. “A coisa inteira é uma invenção completa. A origem da idéia veio de Fletcher Robinson mas não há nenhuma dúvida que o livro foi escrito por Conan Doyle”, disse um porta-voz da Sociedade, enquanto revelava seu descontentamento.

Conan Doyle morreu em 1930, tendo dedicado seus últimos anos ao espiritismo. Sua morte provocou um cortejo espírita no Royal Albert Hall mas, a despeito do clamor popular, ele não se materializou. Se somente ele pudesse falar, talvez nós realmente pudéssemos saber quem escreveu O Cão dos Baskervilles.

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