Historiador acusa ‘pai’ de Sherlock Holmes de plágio e participação em assassinato

Por Giancarlo Lepiani
Condensado de Veja, 02/08/2001

Uma investigação de solução nada elementar está provocando intensa polêmica na Inglaterra, lar do detetive mais famoso da literatura mundial. Um historiador diz ter descoberto que o escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, roubou de um amigo seu livro mais famoso. De acordo com Rodger Garrick-Steele, O Cão dos Baskerville havia sido escrito por um colega de Doyle, que posteriormente seria morto para não poder revelar a farsa ao mundo.

Steele diz que a história – uma criatura monstruosa que assombrava a localidade de Dartmoor – havia sido criada por Bertram Fletcher Robinson. Seu amigo Conan Doyle publicou o romance há 100 anos, dividido em capítulos, em uma revista chamada Strand. Foi um enorme sucesso: o público queria novas histórias de Sherlock e uma editora ofereceu um adiantamento polpudo pelos próximos livros de Doyle, que ganharia o título de “sir” pela obra.

Apesar de reconhecer a influência de Robinson, Doyle não dividiu com ele a autoria do livro. Ele agradeceu ao amigo nos créditos da publicação, dizendo que ele havia levado ele a Dartmoor – dando, portanto, a inspiração à história. Porém, o historiador Steele diz que Doyle devia muito mais ao companheiro, que seria o verdadeiro autor da obra. Então, temendo ser descoberto, convenceu a mulher do amigo, com quem estava tendo um caso, a envenenar Robinson.

“Conan Doyle estava em uma situação terrível, sendo homenageado de todas as maneiras possíveis pelo que era um ato de plágio”, conta o historiador. “O preço da descoberta seria a desgraça – e se o romance com a mulher do amigo também fosse revelado, seria sua ruína.”

Detetive – Assumindo a pele de um verdadeiro Sherlock Holmes, o professor Steele analisou documentos e relatos da época para traçar a teoria. Descobriu também que a causa da morte de Robinson no certificado de óbito foi tifóide – uma doença com sintomas iguais ao envenenamento por um veneno à base de ópio chamado láudano. “Doyle era um homem inteligente e deteminado. Usou seu treinamento médico para convencer a mulher de Fletcher a matá-lo, resolvendo dois problemas de uma só vez”, afirma.

Para os fãs de Sherlock Holmes e outros especialistas em literatura, a teoria do historiador Steele não tem provas suficientes para ser considerada verdadeira. Porém, todos admitem que a participação de Robinson na criação de O Cão dos Baskerville foi minimizada. O amigo de sir Conan Doyle teria mesmo inventado a história. Além disso, é sabido que Robinson e Doyle planejavam escrever a quatro mãos um livro com aquela lenda. Porém, não se sabe por que a história foi publicada com apenas Conan Doyle como autor – um enigma que provavelmente jamais será esclarecido.

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