Sherlock Holmes sobrevive

Condensado de Fantástico, 01/12/02

Hoje uma celebridade, amanhã um desconhecido. Na época em que os “15 minutos” de Andy Warhol viraram um lugar-comum, parece esquisito que personagens que nunca saíram do mundo da ficção ainda sejam lembrados.

Pode ser falta de opção ou apenas uma reverência ao passado, mas Sherlock Holmes está de volta às prateleiras brasileiras. E com força total. A editora Ediouro acaba de lançar uma antologia, em três volumes. “Sherlock Holmes – Obra Completa” é uma reunião inédita no Brasil de todos os quatro romances e 56 contos de Arthur Conan Doyle. E as vendas vão muito bem, obrigado.

Não bastasse, o detetive virou membro de um dos clubes mais restritos do Reino Unido. Isso mesmo, Holmes se tornou o primeiro personagem de ficção a ser recebido na Sociedade Real de Química da Grã-Bretanha, que existe desde 1841 e reúne os mais conceituados profissionais da área. Normalmente, essas condecorações são dadas a ganhadores de prêmios Nobel, industriais do ramo ou acadêmicos de renome.

O secretário-geral da sociedade disse que Holmes foi o primeiro detetive a “trazer métodos científicos para o trabalho policial” e por isso merece a honra. A cerimônia, como gostam os ingleses, seguiu toda a tradição e formalidade, e Sherlock Holmes recebeu uma medalha (que foi pendurada no pescoço de uma estátua do detetive), entregue por John Watson, membro da sociedade e homônimo do ajudante de Holmes.

A homenagem acontece 100 anos depois de Conan Doyle, criador do personagem, ter sido nomeado Sir – a mais alta honraria inglesa. A lenda diz que Doyle baseou-se em seu professor de medicina de Edinburgh, Joseph Bell. A família de Bell, claro, confirma. Mas ninguém sabe a verdade.

A verdade é que Holmes é o personagem da literatura que recebeu o maior número de adaptações – seja para o teatro, TV, cinema, gibis ou até mesmo outros livros.

A primeira aparição do detetive aconteceu em 1887 na história “Estudo em Vermelho“. O maior sucesso, entretanto, seria “O Cão dos Baskervilles“, considerado por muitos como a maior obra de Doyle de todos os tempos.

A reverência dos ingleses por Holmes é um fato. Em 1999, o país se mobilizou para impedir que uma lanchonete fosse construída na casa onde Conan Doyle havia morado nos seus primeiros anos de vida.

Um bom exemplo de como Holmes é reverenciado em todo mundo vem do correio inglês. Os carteiros não sabem o que fazer com as centenas de cartas que são enviadas, diariamente, ao número 221-B da Backer Street. Maior prova de sucesso não há.

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