Um último caso sem resolver para Sherlock Holmes

por Pedro Alonso Londres
Condensado de UOL, 23 de maio de 2004

(EFE) Richard Lancelyn Green, o maior especialista mundial sobre Sherlock Holmes, morreu em março passado em Londres em estranhas circunstâncias, mas a justiça britânica não acaba de esclarecer um caso digno da suspeita do célebre detetive.

Ao meio-dia do dia 27 de março, Green foi achado morto em seu luxuoso apartamento londrino pela Polícia, que acudiu a casa alertado pela irmã do defunto, Priscilla West, muito inquieta porque tinha chamado a campainha insistentemente sem receber resposta.

O especialista – escritor, milionário e apaixonado colecionador de objetos relacionados com o famoso investigador – foi encontrado prostrado em sua cama, com vários bonecos de pelúcia e uma garrafa de gin.

Ao redor de seu pescoço pendurava um cadaço de sapato do que ainda pendia uma colher de madeira, que se tinha utilizado para retorcer o cadaço. A polícia parecia não ter nenhuma dúvida: Green, de 50 anos, tinha sido estrangulado.

Segundo publica hoje o jornal The Observer, o defunto foi lembrado este sábado em uma missa, à qual assistiram familiares e amigos atormentados ainda por uma dúvida: Como e porquê morreu Richard Lancelyn Green? Para decifrar esse enigma, o juiz forense do bairro londrino de Westminster, Paul Knapman, abriu uma investigação e pediu a amadores de Sherlock Holmes que examinassem se nas histórias do detetive havia alguma passagem que pudesse haver recriado Green.

Os admiradores mergulharam nas obras de Arthur Conan Doyle, criador do personagem, e só encontraram uma referência a um “estrangulador” que é um agente do grande inimigo de Holmes, o malvado professor Moriarty.

O juiz Knapman concluiu que Green provavelmente se matou, embora admitiu que o estrangulamento é um método doloroso de suicídio, por isso o falecimento do milionário resultou “uma morte muito inusual”.

Mas esse ditame, longe da lógica irrebatível do detetive que costumava deixar estupefato a seu inseparável ajudante, o doutor Watson, suscitou ainda mais perguntas sobre o trágico final do que fora presidente da Sociedade de Sherlock Holmes de Londres.

Se sabe que, antes de morrer, Green andava muito preocupado pelo leilão de manuscritos de Conan Doyle que se celebrou esta semana na casa Christie’s de Londres, que arrecadou 1,5 milhão de euros (1,8 milhão de dólares).

O especialista chegou a escrever a Christie’s para impedir o leilão, com o argumento que grande parte dos artigos vendidos deviam legar-se à Biblioteca Britânica para desfrute do público, em virtude de um testamento da filha de Conan Doyle, Jean Bromet.

“Falei com ele várias vezes na semana antes de sua morte. Estava muito tenso por esses papéis… estava desiludido”, comentou Priscilla West, de 52 anos, que decidiu visitar a seu irmão no dia em que acharam seu cadáver, muito inquieta por sua saúde mental.

“Richard estava muito transtornado, mas eu não diria que em estado suicida. Tenho um ou dois arquivos recentes de seu computador e são modelos de argumentos lúcidos…. ele tinha medo de algo”, explicou West.

O irmão da vítima, Scirard Lancelyn Green, de 54 anos, também recalcou que a morte do especialista “não parece um suicídio”.

Um amigo do falecido, Owen Dudley Edwardas, de 65 anos e professor na Universidade de Edimburgo, declarou: “Não acho que meu amigo se suicidasse. Estava muito unido a sua mãe e não teria feito nada para causar-lhe uma pena como a que sofre”.

“Nada se pode afirmar com certeza, mas o mais provável é que foi assassinado. É possível que tivesse podido ter influência para anular o leilão. Este é o motivo mais óbvio para o assassinato, mas pode haver outros que não conhecemos”, acrescentou.

Por enquanto, Scotland Yard manifestou que só reabrirá o caso se emergem novas provas ou pistas que, de haver sido descobertas por Sherlock Holmes, seguramente lhe teriam feito exclamar aquilo de “elementar, meu caro Watson”.

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