Platô estrela ficção de “pai” de Sherlock Holmes

Por Margarete Magalhães
Condensado de Folha de São Paulo, 24 de março de 2005

O criador do detetive Sherlock Holmes, o escritor britânico Arthur Conan Doyle, deu vida a um outro herói menos famoso, mas com vínculos com o Brasil. O professor Challenger, em vez de desvendar crimes, queria provar a existência de criaturas jurássicas num rincão brasileiro.

Personagem da obra de ficção “O Mundo Perdido” (1912), Challenger encontrou dinossauros, pterodáctilos e peixes cintilantes em um local que, pela descrição, parece ser o monte Roraima.

O capítulo sete, As Fronteiras do Novo Mundo remete à Amazônia: “Chegando à capital do Estado do Pará, ali repousamos uma semana”. Mais adiante, enquanto a expedição liderada por Challenger se aproxima do platô, onde criaturas pré-históricas haviam sobrevivido, a descrição da paisagem se assemelha à real: “O terreno continuava a se elevar, e a vegetação havia mudado mais uma vez. A árvore predominante agora era pau-marfim, e havia uma abundância de lindas orquídeas, entre as quais me foi permitido conhecer a rara Nuttonia vexillaria, além das belíssimas catléias, de cor escarlate vibrante. Pequenos rios com fundo de pedregulhos, entre margens repletas de samambaias e avencas, constituíam bons locais para nossos acampamentos”.

Doyle inspirou-se em relatos do botânico inglês Everard F. im Thurn, o primeiro europeu a escalar o monte Roraima, em 1884, publicados na revista “National Geographic“. Além disso, era amigo de exploradores, como Alfred Russell Wallace e Walter Bates -naturalistas que fizeram expedições pelo Pará. Conhecia o diplomata britânico Roger Casement, que lutou no antigo Congo Belga (atual Zaire) e anos depois serviu o país no Pará e no Rio, o aventureiro britânico Percy Fawcett -pesquisador que desapareceu misteriosamente em terras brasileiras em 1925-, além do próprio Thurn.

Na obra ficcional, a expedição do professor Challenger é acompanhada de um jornalista, Edward Malone, de um viajante desportista, John Roxton, que havia se embrenhado anteriormente pela América do Sul, e de outro cientista, Summerlee, descrente das afirmações do professor quanto à existência de seres antediluvianos.

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