O detetive Sherlock Holmes, sob a mira de Klinger

Condensado de O Estado de São Paulo, 28 de Novembro de 2005

Leslie S. Klinger faz um estudo completo sobre Sherlock Holmes, o detetive mais influente da literatura moderna, criado por Arthur Conan Doyle

A editora Jorge Zahar acaba de pôr nas livrarias brasileiras o primeiro de uma série de seis volumes em que o escritor americano Leslie S. Klinger disseca a obra de Conan Doyle com riqueza impressionante de detalhes. Sherlock Holmes – Edição Definitiva, Comentada e Ilustrada (The New Annotated Sherlock Holmes), que traz prefácio de John Le Carré, é o mais importante estudo sobre o detetive em quatro décadas, desde que The Annotated Sherlock Holmes, de William Baring-Gould, foi publicado em 1967.

Klinger levou 37 anos para compor os seis volumes. Nesse meio tempo, escreveu vários outros livros e artigos sobre o detetive, além de instalar o curso Sherlock Holmes and His World na Universidade da Califórnia.

O primeiro livro (496 páginas, R$ 89,50) apresenta 12 contos de Conan Doyle em ordem cronológica, na seqüência em que foram publicados na Stand Magazine de Londres, entre 1891 e 1892. As histórias são acompanhadas de mais de 600 notas de Klinger, que detalham aspectos da própria era vitoriana, particularidades da personalidade do detetive, do autor e de outros personagens de seu universo, e até mesmo informações científicas que permeiam algumas aventuras.

“Apesar do tanto que estes meus livros conseguem avançar no estudo do Cânone Sherlockiano (o conjunto de 56 histórias e quatro novelas de Holmes), nenhum outro estudioso deve ficar preocupado porque, mesmo depois de cem anos, ainda há muito o que descobrir”, brinca o autor, em entrevista ao Estado.

Os livros vêm ainda com fotos da controversa época vitoriana, além de todas as 350 ilustrações feitas por Sidney Paget para as histórias de Holmes. Coube ao desenhista inglês – por acaso, já que foi confundido com seu irmão, o também ilustrador Walter Paget, do editor para o trabalho – dar sua interpretação visual ao detetive. Tornou-se peça fundamental na trajetória de Holmes que, por causa dele, será lembrado para sempre como aquele sujeito de porte notável, com cachimbo à mão. Mais atraente, com certeza, do que o descrição feita por Doyle, a do homem de “nariz enorme de bico de falcão pontudo e com dois olhinhos muito próximos”.

Fã de Holmes, é óbvio, Klinger acabou se tornando um especialista no assunto quando ficou encantado pela obra de William Baring-Gould e resolveu tomar para si o desafio de superá-la. “Eu estava cursando Direito em 1968 quando li o livro de Baring-Gould. Já era fã de Sherlock Holmes, mas fiquei fascinado pelo universo apresentado naquele livro, todas as suas particularidades e possibilidades”, conta.

Passou então a devorar todo tipo de informação que acrescentasse algo ao mundo de Sherlock Holmes. “Não me bastava ter lido todas as histórias publicadas por Conan Doyle. Tornei-me assinante do Baker Street Journal e outras publicações de aficionados ao tema e li tudo, rigorosamente tudo, sobre Sherlock Holmes, na internet, nos livros sobre a era vitoriana, e nas obras de estudiosos como Ronald B. DeWaal, além de Baring-Gould, que fez um ótimo trabalho”, enumera.

Mas se a questão é saber o segredo de todo o fôlego da obra de Arthur Conan Doyle, a maior autoridade no assunto resume da maneira mais simples possível: “As histórias de Sherlock Holmes têm três pontos principais de apelo. O primeiro é, sem dúvida, o próprio Sherlock Holmes, um detetive incomparável na história da literatura, por sua perspicácia e conhecimento da profissão. Em segundo lugar está o carisma do dr. Watson, seu fiel companheiro e narrador das histórias, que nos faz ter inveja do tempo que passa ao lado de Holmes”, diz. “Em terceiro lugar nesta receita de sucesso está a fascinante era vitoriana, que é tão próxima do nosso tempo, mas nos parece tão distante em termos científicos e tecnológicos”.

Sherlock e seu mundo parecem tão fascinantes a Klinger, a ponto de ele não ter se acostumado a estar ao lado de outro detetive, tal qual o dr. John H. Watson que tanto admira. O trabalho com Sherlock transformou o escritor americano num entusiasta da literatura policial por assim dizer, mal se atualiza sobre ela. “Na verdade, eu não leio muito da literatura contemporânea de mistério. Continuo como um grande fã dos clássicos, como Dashiell Hammett, Dorothy Sayers, Raymond Chandler e Ross MacDonald”, revela. “Mas entre meus contemporâneos favoritos estão Michael Connelly, Jan Burke and John Le Carré. Claro que eles todos seguem a tradição de Sherlock Holmes. Talvez tenha sido esta a razão de terem me conquistado”.

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