Sherlock Holmes volta ao teatro inglês com sotaque espanhol

da Efe, em Leeds
Condensado de Folha de São Paulo, 12/02/2007

Sherlock Holmes, o detetive fictício mais famoso do mundo, surpreende seus seguidores com um forte sotaque espanhol em uma original peça de teatro que decidiu reinventar o mito.

O peculiar investigador, mais apaixonado e ardente do que habitual, protagoniza a última versão do clássico de Arthur Conan Doyle “O Cão dos Baskerville” (1901), que será encenada até 17 de fevereiro na West Yorkshire Playshouse de Leeds (norte da Inglaterra) antes de sair em turnê mundial.

O ator basco Javier Marzán, co-fundador do trio cômico Peepolykus, é o responsável pela transformação de Holmes, que pela primeira vez na história abandona seu sotaque aristocrático e frios gestos para se transformar em um personagem com ares latinos.

A obra, dirigida por Orla O’Loughlin, é uma ousada comédia de suspense que se mantém fiel à misteriosa trama do romance, mas com pitadas de humor do tipo besteirol. Nessa adaptação, o trio cômico de Peepolykus, companhia criada em 1996, interpreta um total de 20 personagens, enriquecidos por várias fantasias e constantes mudanças de cena.

Marzán é, entre outros papéis, Sherlock Holmes, que, com seu ajudante, o doutor Watson (John Nicholson), deve investigar o que há de verdade na maldição que há gerações atormenta os Baskerville.

Segundo a lenda, um cão gigantesco e aterrorizante que vaga pelos solitários terrenos da família em Dartmoor (sul inglês) é o responsável pela morte de vários de seus membros, incluindo Charles Baskerville, cujo desaparecimento dá início à obra.

Holmes e Watson deverão também proteger desse animal fantasmagórico seu sobrinho, Henry (Jason Thorpe), que retorna do Canadá para tomar conta de suas propriedades.

Frescor

A interpretação do detetive por um ator basco surpreendeu os meios de comunicação britânicos e fez tremer a crítica, que no final se rendeu a seus pés. “O acento espanhol dá frescor ao personagem e ressalta o peculiar uso da linguagem de Conan Doyle, com frases muito ‘floridas'”, diz O’Loughlin.

Para Marzán, encarnar em um dos teatros mais inovadores do país o venerado detetive inglês lhe pareceu, a princípio, “uma espécie de sacrilégio”, e fazê-lo em outra língua necessitou de “um grande esforço de memória”.

As referências à sua condição de espanhol estão presentes em todos os seus papéis, mas o principal momento chega em sua interpretação do enteado. Com as luzes acesas, o trio cômico se dirige ao público e finge que houve uma multidão de queixas após a primeira parte do espetáculo, porque o sotaque de Marzán não podia ser entendido, o que lhes dá a desculpa para repetir todo o primeiro ato em velocidade acelerada.

Embora os produtores da obra, entre eles o cineasta britânico Sam Mendes, tenham sentido a necessidade de justificar o toque latino do protagonista, na realidade os espectadores que a cada noite enchem a sala se deixam seduzir facilmente por seu inegável encantamento.

“No começo surpreende, mas depois você entra na história e acaba pensando que Sherlock Holmes era basco”, afirma Valerie Chowdhury, freqüentadora da Playhouse, em Leeds. “Se o ator é bom, o restante não importa”, concluiu sua amiga Anne Campbell.

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