Elementar, meu caro leitor

Por Rosy de Sá Cardoso
Condensado de Gazeta do Povo, 15/02/07

Fãs de Sherlock Holmes vão em busca de pistas do detetive mais famoso do mundo

Em 1878, um médico inglês encontrou casualmente alguém para partilhar alguns aposentos na Baker Street n.º 221-B, em Londres. Assim escreveu sir Arthur Conan Coyle em seu livro Um Estudo em Vermelho, fazendo nascer dois dos personagens mais famosos de todos os tempos: o detetive Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro, Dr. Watson. Há quem acredite que Holmes existiu de verdade, e buscar as pistas de sua existência é um bom programa para quem for seu admirador e visitar Londres.

Em junho de 1980, depois de pesquisar in loco, o caderno de Turismo da Gazeta do Povo publicou matéria sobre o mais famoso detetive do mundo. À época, o n.º 221-B da Baker Street não existia, e no local que corresponderia ao número havia um edifício sem nada a ver com as histórias de Conan Doyle. O que existia, perto dali, era um hotel com o nome Sherlock Holmes – ele ainda existe, fica no n.º 108 e foi totalmente reformado em 2002, sendo hoje um aconchegante hotel-boutique, cobrando diárias a partir de 88 libras em seus 119 apartamentos.

Longe do lugar, no número 10-11 da Northumberland Street, a uma quadra da Trafalgar Square, existe há cerca de 50 anos o restaurante e pub Sherlock Holmes – servindo não apenas a cerveja à temperatura ambiente como comidas tipicamente inglesas: torta de rins, empadão de carne de carneiro ou pudim de pão. Subindo uma escada, chega-se à sala-museu dedicada ao culto do personagem. Estão lá objetos como o cachimbo, a caixa de fumo, a capa, o boné de duas abas de lã quadriculada, o violino, além da mesa-laboratório onde Holmes fazia suas experiências e descobria pistas inacreditáveis.

Em exibição, uma carta de Conan Doyle a sua mãe, afirmando que já tentara “matar” o personagem duas vezes sem o menor resultado. “O público continua exigindo e eu termino por ceder. Mas desta vez, mamãe, eu vou escrever de tal forma que se torne impossível ressuscitá-lo.”, relatou o autor à mãe, referindo-se à história O Problema Final, de 1893, em que ele “mata” Holmes. No bar, são vendidos alguns poucos suvenires – entre eles canecos a 5,95 libras, copos 6,95, postais 0,80.

Mas o passar dos anos trouxe nova vida a Sherlock. Cresceu ainda mais sua fama – mesmo ele tendo “morrido” no final do século 19! Aumentou tanto o interesse de sherloquianos do mundo inteiro que hoje, nos cinco continentes, existem sociedades dedicadas a sua memória. Para aproveitar essa onda, há 17 anos uma casa na Baker Street, que tinha o n. 259, adotou o mítico n. 221-B. Ali foi instalado um museu e uma loja com centenas de itens à venda, e um guarda postado à porta, posando para fotografias.

Por essas e por outras, vê-se que Conan Doyle não conseguiu “matar” seu mais famoso personagem, que sobrevive no imaginário de fãs de todo o mundo.

Serviço – Para visitar o endereço da Northumberland Street, pegue qualquer ônibus que passe pela Trafalgar Square. Já para a Baker Street, vá de metrô ou ônibus que leve à estação de Marylebone Avenue.

O mito

* O criador de Sherlock Holmes, o médico e escritor Arthur Conan Doyle, nasceu em 1859, em Edimburgo, na Escócia.

* O primeiro texto em que Holmes aparece é A Study in Scarlet (Um Estudo em Vermelho), lançado originalmente em 1887.

* A “morte” de Holmes teria ocorrido no caso The Final Problem (O Problema Final), de 1893, em uma luta contra o Professor James Moriarty. Apesar de ser considerado o “arquiinimigo” de Holmes, Moriarty participa de apenas dois dos 60 casos do detetive publicados.

* Como reconhecer Sherlock Holmes nas ruas de Londres? Isso é tarefa difícil, já que o detetive era descrito como um mestre do disfarçe. Seu fiel escudeiro, John Watson, o descreve em Um Estudo em Vermelho. “Tinha muito mais de um metro e oitenta de altura, e era tão excessivamente magro que parecia muito mais alto. Seus olhos eram agudos e penetrantes (…), e o nariz fino de águia dava a todo seu semblante um ar de vivacidade e decisão”, relata Watson.

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