Elementar, caro leitor. Siga as pistas do detetive mais famoso do mundo

Condensado de O Estado de São Paulo, 26/02/2008
Por Carla Miranda

LONDRES – Instalado no centro da sala, Moriarty lança seu desafio a Sherlock Holmes. O que estaria o Napoleão do crime fazendo no terceiro andar do número 221B da Baker Street, casa vitoriana que entre 1881 e 1904 serviu de morada para o detetive mais famoso da literatura? Mas Holmes, também ali, devolve a provocação. Sabe que, apesar de o ardiloso professor ser responsável pela nuvem maléfica que paira sobre Londres, não é páreo para ele e Watson. Afinal, a dupla só foi tapeada uma vez – e por uma mulher.

Rivais ferrenhos nos livros de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), o detetive e Moriarty foram paralisados com cara de 3X4 no Museu Sherlock Holmes, que funciona no 221B da tal rua. Se pudessem escolher, creio, estariam em ação, talvez duelando na Cachoeira Reichenbach, nos Alpes suíços (onde uma placa lembra a briga).

Elementar, meu caro leitor, Holmes sobreviveu à queda, apesar de Watson ter chegado a noticiar, no conto O Problema Final, a “passagem” de seu tão querido amigo. E voltou para novas aventuras, já livre de Moriarty. Os arqui-rivais dividem a sala do terceiro andar com personagens em cenas macabras, saídas de outras histórias desvendadas pelo detetive.

No primeiro piso do museu, a “casa” de Holmes está como se o dono fosse voltar a qualquer momento. Na frente da lareira, a lupa e o cachimbo, inseparáveis apetrechos do detetive. Ao lado, um kit de necropsia, para cortes e investigações de última hora. Watson faz as honras da casa e uma camareira de avental pede para você se sentar e esperar um pouco (e quem sabe tirar uma foto com a lupa e o cachimbo).

E depois de um bate-papo com Watson, já tendo visto o restante da casa, desça os 17 degraus de madeira que levam até a rua – e à lojinha de souvenirs encostada no museu.

Adquira o livreto The Sherlock Holmes Walk, por 3 libras (R$ 10,11), e saia antes de ficar empolgado com cachimbos, chapéus-coco e outras bobeirinhas do gênero. Com o pequeno guia na mão, você vai notar quanto de Sherlock Holmes há na cidade. E como Londres está preparada para lucrar com as histórias que Doyle escreveu no século 19.

De longe, a Estação Backer Street do metrô é a mais paramentada. Instalações mostram o perfil do detetive, seja nos azulejos coloridos da entrada ou no pardo das paredes da plataforma. Do lado de fora, uma estátua de Holmes, feita de bronze, disputa a atenção dos turistas com o Museu Madame Tussaud, na mesma calçada.

Libere-se de algumas paradas propostas no livrinho. Mesmo quem já leu tudo sobre o detetive vai acabar cansado com uma sucessão de lugares que foram e não são mais. Pule e siga na Baker Street até encontrar o Plaza Park Sherlock Holmes, quatro-estrelas sem grandes atrativos para os fãs além da placa com o perfil do detetive e um drinque no Sherlock Bar.

Envolvidos em uma espécie de polêmica – muito provavelmente provocada por um lapso de memória de Doyle -, dois endereços bem próximos podem despertar a curiosidade dos detalhistas. Em sua autobiografia, o escritor, formado em medicina, disse que atendeu pacientes no número 2 da Devonshire Place, em 1881. Especialistas garantem que o consultório era no número 2 da vizinha Upper Wimpole Street.

Razões à parte, o certo é que nesse período ele escreveu alguns de seus melhores contos, como A Liga dos Ruivos e Escândalo na Boêmia. Foi na última história, aliás, que Holmes e Watson acabaram sendo tapeados por uma bela mulher. O nome dela? Basta juntar as letras iniciais de cada parágrafo até agora.

Se não quiser andar muito, tome o metrô na Estação Oxford Circus e desça na Piccadilly, bem perto do Café Royal. Muitíssimo freqüentado por escritores e artistas no século 19, como o próprio Doyle e Oscar Wilde, o restaurante da Regent Street foi mencionado em O Cliente Ilustre, num episódio que o investigador certamente gostaria de esquecer.

“O ataque foi feito por dois homens armados com porretes. Mr Holmes foi agredido na cabeça e no corpo”, conta Watson, narrador de todas as aventuras do detetive. Na seqüência, Holmes foi levado para o Charing Cross Hospital.

Dali, você pode seguir para a esquina das Ruas Whitehall e Great Scotland Yard, onde ficava a antiga sede da temida polícia inglesa. Use sua capacidade de dissimulação – para gostar tanto do detetive você deve ter algo em comum com ele – e entre no Sherlock Holmes Pub. Finja que é para apreciar a decoração temática, mas não deixe de pedir a Sherlock Holmes Ale. E por que não escolheu como companhia um Cão dos Baskerville? Lingüiças servidas com purê de batata e vegetais por 9,95 libras (R$ 33,54).

Quem não gosta de agir sozinho pode aceitar o encontro às 14h30 de uma quinta-feira, na estação Embankment, para o tour guiado Nos Passos de Sherlock Holmes. Organizado pela empresa London Walks, o passeio custa 6 libras (R$ 20,23) por pessoa e não precisa ser agendado com antecedência. Com direito a escolta.

Anúncios
Esse post foi publicado em Jornais, Viagem & Turismo e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s