O verdadeiro Sherlock Holmes

Condensado de IstoÉ, 30/09/2009
Por Natália Rangel

A história de Jonathan Whicher, policial da era vitoriana que inspirou Conan Doyle
a criar o seu famoso personagem

Jonathan Whicher

Jonathan Whicher

O reservado inspetor britânico Jonathan Whicher era um dos oito oficiais que atuavam como investigadores da agência inglesa Scotland Yard em meados do século XIX, na Inglaterra vitoriana. Ele era conhecido como “o príncipe dos detetives”, e por isso mesmo foi o homem designado para solucionar um trágico caso: o de um garoto de três anos sequestrado e degolado na casa de campo dos seus pais, o casal Mary e Samuel Kent, na manhã de 29 de junho de 1860. O crime escandalizou a sociedade inglesa e ficou conhecido como “o assassinato de Road Hill”. A minuciosa reconstituição desse homicídio e a trajetória do detetive que investigou o caso estão no livro “As Suspeitas do Sr. Whicher – a História Real de Um dos Crimes Mais Chocantes da Inglaterra Vitoriana e do Detetive que Inspirou Charles Dickens e Arthur Conan Doyle” (Companhia das Letras), da escritora Kate Summerscale. A autora cria um enredo nos moldes do gênero policial e utiliza fatos reais e ficcionais para compor a sua trama. Ela afirma que o impacto desse assassinato na carreira do respeitado investigador Jonathan Whicher foi demolidor e motivou no país uma “febre detetivesca” que teve forte influência sobre a literatura de mistério.

As Suspeitas do Sr. Whicher

As Suspeitas do Sr. Whicher

O primeiro personagem a nascer sob a influência do caso de Road Hill teria sido o sargento Cuff, obscuro detetive de “A Pedra da Lua“, do inglês Wilkie Collins, pioneiro nesse estilo impregnado de mistério, ambiguidades e exposição do mundo das elites.

Mas o caso real britânico ajudou a propagar outros dois aspectos da investigação conduzida por Whicher. Um deles é o método racional, audacioso e detalhista, comparado às aventuras do personagem criado por Doyle, Sherlock Holmes, no conto “A Estrela de Prata“. Outro aspecto é o fato de ele não ter tido escrúpulos em invadir a privacidade das classes abastadas – esse é um traço de personalidade também compartilhado por Holmes. No caso de Whicher, ao esgotar todas as possibilidades de investigação junto aos empregados da residência (a criança foi encontrada na área que lhes era reservada), ele se voltou aos integrantes da família da vítima. As semelhanças entre ficção e realidade terminam aí, já que Sherlock, ao final de suas aventuras, sempre colhia os louros e tinha a fina sociedade inglesa aos seus pés. E o Sherlock de carne e osso da Inglaterra vitoriana caiu em desgraça e jamais foi perdoado por tamanha ousadia.

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