Guy Ritchie diz que seu Sherlock Holmes mistura cérebro e músculos

Por Paoula Abou-Jaoude
Condensado de G1, 07/01/10

Longa baseado no personagem estreia nesta sexta (8) no Brasil.
Elenco traz Robert Downey Jr. e Jude Law como Holmes e Watson.

O diretor Guy Ritchie teve uma missão nada elementar para criar a sua versão de Sherlock Holmes que estreia nesta sexta-feira (8) nos cinemas brasileiros: transformar o personagem cerebral criado por Arthur Conan Doyle em um herói digno de filmes de ação.

Nesta nova encarnação de Holmes na tela grande, estrelada por Robert Downey Jr., o detetive e seu fiel escudeiro Dr. Watson, vivido por Jude Law, tentam solucionar o mistério de Lord Blackwood (Mark Strong), vilão que continua aterrorizando a Inglaterra.

“Procurei não me deixar levar pela visão de que Sherlock Holmes era um ser puramente intelectual. Um dos pontos mais interessantes para mim, e acho que único deste projeto, foi a possibilidade de confluência entre o intelectual e o físico”, revelou o cineasta em uma entrevista via satélite, de Londres, da qual o G1 participou. Leia abaixo trechos da entrevista.

Pergunta – Quando teve início a sua relação com Sherlock Holmes?
Guy Ritchie – Meu contato com Sherlock Holmes começou quando eu tinha seis anos e fui enviado a um colégio interno inglês. A única diversão que tínhamos à noite, caso todos se comportassem, era através de fitas que tocavam algumas histórias nos alto-falantes dos dormitórios e que eram repetidas às vezes. As fitas mais populares eram as do Sherlock Holmes. Minha infância foi embalada por Sherlock Holmes dos seis aos dez anos, e tenho boas lembranças.

Pergunta – Sherlock Holmes é um personagem que já foi interpretado várias vezes. Qual foi o seu critério para diferenciá-lo das versões anteriores?
Ritchie – Bem, na verdade, eu não assisti a muitas das outras versões. Isso me deu a vantagem, ou desvantagem, de não saber como o personagem havia sido interpretado. Cheguei a assistir a algumas interpretações de [Basil] Rathbone mas foi há tanto tempo que não consigo mais me lembrar de como eram. Assim, não fiquei preso a outras representações de Sherlock Holmes e pude desenvolver um tom próprio para o personagem.

Pergunta – Holmes sempre foi retratado de maneira mais intelectual. Quais foram os desafios para fazê-lo como personagem de um filme de ação?
Ritchie – Os desafios foram constantes e lidamos conforme iam aparecendo. Eu procurei não me deixar levar pela visão de que Sherlock Holmes era um ser puramente intelectual. Um dos pontos mais interessante para mim, e acho que único deste projeto, foi a possibilidade de confluência entre o intelectual e o físico. Obviamente, nas produções anteriores sua intelectualidade prevaleceu, mas por outro lado, [Arthur] Conan Doyle era um entusiasta de artes marciais muito antes delas estarem na moda, pelo menos na Europa. Eu queria que este fator influenciasse nossa narrativa, de forma que apresentássemos o lado físico de Sherlock Holmes de modo muito mais marcante que em outras interpretações. Foi, portanto, uma questão de encontrar o equilíbrio entre apresentar seu lado intelectual e físico. Tentamos estabelecer isso no começo do filme, de que ele podia processar intelectualmente uma enorme quantidade de informações em tempo rápido mas que podia também utilizá-las fisicamente.

Pergunta – Quais as características de Robert Downey Jr. que o convenceram de que ele seria o ator certo para interpretar o personagem?
Ritchie – Acho que Robert Downey Jr. foi mais adequado para o papel do que eu pensava originalmente. Eu achei que ele seria uma boa escolha, mas tinha um certo receio sobre se um ator norte-americano poderia absorver tão perfeitamente o sotaque britânico. Eu me comprometi com o Robert Downey Jr. antes de assistir ao “Chaplin”. Todos me diziam que deveria assisti-lo e não me preocupar com o sotaque, mas ousei não assistir ao filme porque eu estava tão paranoico com a ideia de que estaríamos perdidos caso ele não pudesse absorver perfeitamente o sotaque. Porém, na sua primeira leitura do roteiro, meu medo desapareceu. Ele tem uma voz profunda e forte e ele é tremendamente intelectual e rápido. De fato, eu não consigo acompanhá-lo (risos). Seu cérebro se adequa ao modo de pensar de Sherlock Holmes. Não consigo imaginar outra pessoa interpretando o papel, e também gosto da ideia de que é um ator norte-americano interpretando um ícone inglês.

Pergunta – O que mantém Sherlock Holmes imortal?
Ritchie – Acho que ele foi o primeiro detetive popular. As pessoas são fascinadas por detetives porque a vida é uma jornada filosófica, e eles revelam os mistérios. Acredito que, de alguma forma consciente ou inconsciente, sempre estaremos interessados em alguém que tenha a habilidade de acrescentar magia a um entendimento literal. Sherlock Holmes foi o pioneiro neste movimento. [Arthur] Conan Doyle transformou Sherlock Holmes em um ícone popular de forma fantastica, e o legado continua.

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