Nova história de Sherlock Holmes é descoberta

Dias atrás, uma notícia do Telegraph causou impacto ao anunciar que uma história perdida de Sherlock Holmes havia sido encontrada. Ainda é prematuro afirmar sua autenticidade. No entanto, sabe-se que Conan Doyle fez contribuições similares e com objetivos filantrópicos igualmente similares.

O tradutor Cesar Silva fez a primeira tradução para a língua portuguesa. A tradução encontra-se no blog do autor: Traduzireis.

E, com a devida permissão, reproduzimos aqui a tradução aos leitores de Mundo Sherlock.

Fica nosso agradecimento ao tradutor, tanto pelo esforço de verter rapidamente para o português o texto recém descoberto quanto por sua autorização para que pudéssemos publicá-lo.

 

Sherlock Holmes – Descobrindo as Vilas da Fronteira e por Dedução, o Bazar da Ponte
Tradução: Cesar Silva
Contato: facebook.com/cisar.cesar

 

Abaixo está a tradução, para português do Brasil, de uma história, supostamente escrita por Arthur Conan Doyle, mas que ficou oculta por mais de um século, até ser encontrada pelo escocês Walter Elliot, em seu sótão. A notícia saiu no Telegraph em 20 de fevereiro (8 dias anteriores a data deste post). Já há discussões, é claro, sobre a autenticidade dessa história. Será mesmo escrita pelo próprio Conan Doyle?

_____

– Já tivemos o bastante de romancistas antigos e homens de viagem – disse o editor enquanto revisava e editava sua cópia e fazia os arranjos para a grande edição de sábado do Livro do Bazar. – Queremos algo atualizado. Por que não ter uma palavra do “Sherlock Holmes”?

Os editores só precisam falar e esta tudo feito, pelo menos assim eles pensam. – Sherlock Holmes! – Tal como se falasse de entrevistar o Homem na Lua. Mas não dá para dizer aos editores tudo que você pensa. Eu não tinha quaisquer objeções, assegurei o editor, para prender a atenção de “Sherlock Holmes”, mas pra fazer isso eu teria que ir para Londres.

– Londres! – torceu o nariz com desdém o Grande Homem. – E você professa ser um jornalista? Nunca ouviu falar do telégrafo, do telefone ou do fonografo? Vá para Londres! E você não está ciente de que todo jornalista devia ser um membro qualificado do Instituto de Ficção e ser qualificado para fazer uso da Faculdade da Imaginação? Como o uso deste último, homens têm sido entrevistados à milhas de distância. Alguns foram até mesmo “entrevistados” sem conhecimento nem consentimento. Certifique-se de que você tenha um artigo de interesse pronto à ser impresso até sábado. Bom dia.

Fui dispensado e tinha que encontrar uma matéria de um jeito ou de outro. Bem, acho que vale a pena dar uma chance à Faculdade da Imaginação.

A casa familiar na Rua Sloan vinha de encontro ao meu olhar estupefato. A porta estava fechada, as persianas abaixadas. Eu entrei. Portas não oferecem obstáculo àquele que usa a Faculdade da Imaginação. A luz suave da lâmpada elétrica inundava a sala. “Sherlock Holmes” senta ao lado da mesa. Dr. Watson esta de pé prestes a sair para a noite. Sherlock Holmes, como já mencionado recentemente por um jornal de renome, é um destacado Livre Cambista. Dr. Watson é um Protecionista mediano, o qual suportaria o árduo trabalho atrás de uma torre de vigília, como Lorde Goschen sabiamente colocou, sem amolecer! A dupla acaba de finalizar uma dura discussão sobre a política fiscal. Holmes diz:

– E quando é que o vejo de novo, Watson? O inquérito sobre os “Mistérios do Gabinete Secreto” terá continuidade em Edimburgo no sábado. Se importaria em uma rápida viagem à Escócia? Você obteria dados de suma importância os quais mais tarde podem lhe render uma boa história.

– É uma pena – respondeu Dr. Watson, – eu gostaria de poder lhe acompanhar, mas um compromisso anterior me impede. Mas, contudo, terei o prazer de estar sob agradável companhia escocesa nesse dia. Eu também estou indo para a Escócia.

– Ah! Então você está indo para a fronteira nesse horário?

– Como você sabe disso?

– Meu caro Watson, é tudo uma questão de dedução.

– Poderia explicar?

– Bem, quando um homem se torna absorvido por um certo tema, o segredo se revela cedo ou tarde. Nas várias discussões que tivemos de tempo em tempo sobre a questão fiscal eu não falhei ao notar que você tomou uma atitude antagonista ante a uma certa escola de pensamento e em várias ocasiões você comentou sobre a aprovação de “umas tais” de reformas, como você as descreve, que você diz não terem resultado de um movimento espontâneo vindo das e para as pessoas, mas unicamente devido a pressão da escola de políticos de Manchester em seu apelo à população. Em uma dessas alusões você se referiu de modo peculiar à “Huz an’ Mainchester” que “viraram o mundo de cabeça para baixo”. A palavra “Huz” ficou em minha mente, mas após consultar vários autores sem descobrir nada quanto a fonte da palavra, eu um dia, durante a leitura de um jornal da província pude notar a mesma expressão, que o autor disse ser um descritivo da maneira com que as pessoas de Hawick olham para o progresso da Reforma. “Huz an’ Mainchester” indicou o caminho. Então, pensei eu, Watson sabe sobre Hawick. Essa ideia me ficou ainda mais confirmada ao ouvi-lo, em seus vários momentos de ausência, cantando uma música estranha do deus norueguês, Thor. Novamente, eu investiguei, e escrevendo para um amigo do sul eu consegui finalmente uma cópia do grito de guerra “Teribus”. Então, raciocinei, bom – existe algo no ar! O que há em Hawick que atrai a atenção de Watson?”

– Maravilhoso! – diz Watson, – e….

– Sim, e quando você caracterizou a ação do governo alemão buscando obstar as transações canadenses através do aumento de sua barreira tarifária, como um caso de “sour plums”, e mais uma vez, numa sala de visitas, quando você pediu a uma senhora nossa amiga para cantar aquela música fina e antiga, “Braw, braw lads”, eu fui curioso o bastante para pesquisar a velha canção, e descobrir que ela fazia referência a uma pequena cidade perto de Hawick, aí eu comecei enxergar um raio de luz do dia. Hawick havia conquistado um lugar em sua mente, e tal como ela, também havia Galashiels – muita coisa já estava visível. A questão a ser decidida era por quê?

– Até agora muito bom. E….

– Mais tarde o trama se aprofundou mais ainda. Por quê? Quando eu estava lhe contando os passos que levaram à prisão do construtor de Norwood, pelas impressões de seu polegar, eu percebi para minha grande surpresa que você não estava ouvindo uma palavra sequer da minha explicação, mas estava cantando uma canção muito – muito doce, Watson – “As Flores da Floresta”, então eu por conseguinte, consultei uma autoridade no assunto, e descobri que aquela música amável porém trágica tinha uma especial referência para Selkirk. E você se lembra, Watson, o quão entusiasmado você ficou tão de repentemente sobre o assunto do Festival de Equitação, e o quanto você estudou a história de James IV, com especial referência para a batalha de Flodden. Todas essas coisas, Watson, falam ao cérebro ordenado de um pensador. Hawick, Galashiels e Selkirk. O que essa combinação queria dizer? Eu senti que eu deveria desvendar essa questão, Watson. Então naquela noite quando você me deixou após nossa discussão sobre a “Tragédia de uma Casa Dividida”, eu encomendei uma latinha de tabaco, me envolvi com minha manta e passei a noite pensativo. Quando você despertou de manhã o problema já estava solucionado. Ante ao acúmulo de evidências não pude outra coisa senão chegar à conclusão que você comtemplou outra competição parlamentar. Watson, posso ver as vilas da fronteira em seus olhos!

– Em meu coração, Holmes – disse Watson.

– E pra onde é que você viaja no sábado, Watson?

– Estou indo para Selkirk. Eu tenho um compromisso para abrir um Bazar lá.

– É por acaso em auxílio a uma ponte, Watson?

– Sim – responde Watson surpreso. – Mas como você sabe? Eu nunca mencionei esse assunto para você.

– Por palavras não, mas por sua atitude você revelou as inclinações de sua mente.

– Impossível!

– Deixe-me explicar. Há uma semana atrás você veio direto aos meus aposentos e pediu para dar uma olhada em “Poemas da Roma Antiga” de Macaulay. (Você sabe que eu admiro os trabalhos de Macaulay e que possuo um conjunto completo). Após uma olhada casual naquele volume, você o levou consigo. Assim que você o trouxe de volta, um ou dois dias depois, eu notei que estava marcado com uma tira de papel em “Poema de Horácio” e eu detectei uma fraca marca de lápis na fita de papel onde se podia notar que a estrofe final era bem apropriada. Como você sabe, Watson, esse poema é algo bem descritivo da guarda de uma ponte. Deixe-me lembrar-te a grande beleza com que você finalizava:

Quando o chefe de família repara a sua armadura
E apara a pluma do seu capacete,
Quando a lançadeira da dona de casa, alegremente
Vai piscando pelo tear,
Com choro e com risadas,
Ainda é contada a história
Quão bem Horário guardou a ponte,
Nos antigos dias de glória.

– Poderia eu, sendo um mortal, resistir ao pensamento de que você se inclinou para um mesmo ato heroico?

– Pura verdade!

– Bem, até mais, Watson, apreciarei sua companhia após sábado. Lembre-se das palavras de Horácio quando visitar as vilas da fronteira: “Que morte pode ser mais honrada senão aquela diante de inimigos numerosos”. Mas lá, essas palavras são apenas ilustrações. Uma jornada segura e sucesso para a Ponte!

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2 respostas para Nova história de Sherlock Holmes é descoberta

  1. caiogirao disse:

    Esse texto está muito estranho para ser de Conan Doyle. Estranhíssimo. Está mal escrito. Tenho quase certeza de que não é dele.

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