As três empenas

Arthur Conan Doyle

As três empenas

Título original: The Three Gables
Publicado pela primeira vez na Liberty, Setembro 1926
com 6 ilustrações de Frederic Dorr Steele
e na Strand Magazine, em Outubro de 1926
com 4 ilustrações de Howard K. Elcock.

Sobre o texto em português:
Este texto digital reproduz a
tradução de The Three Gables publicado em
As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume III,
editado pelo Círculo do Livro
e com tradução de Hamílcar de Garcia.

Não creio que qualquer das minhas aventuras com o sr. Sherlock Holmes tenha começado de maneira tão violenta ou tão dramática como a que costumo chamar “As Três Empenas”. Havia já alguns dias que eu não via Holmes, e não fazia idéia do novo rumo que tinham tomado suas atividades. Contudo, naquela manhã, meu amigo estava com vontade de conversar, e tinha acabado de me mandar sentar na cadeira de braços, muito gasta e baixa, a um canto da lareira, enquanto ele, de cachimbo na boca, afundara-se na cadeira que ficava em frente, quando nosso visitante chegou. Para dar uma impressão exata do que ocorreu, será melhor dizer logo que tinha chegado ali uma espécie de touro bravo.

A porta abrira-se de repelão, e um negro espadaúdo irrompera sala adentro. Seria uma figura cômica se não fosse terrível, pois usava um terno xadrez cinza muito berrante, com uma gravata salmão tremulando ao vento. Seu rosto largo e o nariz esborrachado projetavam-se para a frente, enquanto os olhos negros, nos quais se podiam vislumbrar ainda chispas de malícia, giravam de mim para Holmes e deste para mim.

— Qual dos dois cavalheiros aqui presentes é o sr. Holmes? — perguntou.

Holmes ergueu o cachimbo com um sorriso lânguido.

— Oh, é o senhor! — disse nosso visitante, contornando a mesa com um passo antipático e sorrateiro. — Olhe lá, sr. Holmes, acho melhor não se meter onde não é chamado. Deixe os outros tratarem do que lhes compete. Percebeu, sr. Holmes?

— Continue — pediu Holmes. — Está indo muito bem.

— Ah, é — rouquejou o selvagem. — Deixará de pensar assim se eu lhe mostrar com quantos paus se faz nina canoa. Já tratei com gente de sua espécie, e no fim já não pareciam tão bem depois que cuidei deles. Olhe aqui, sr. Holmes!

Dizendo isso, arregaçou as mangas e agitou no ar, bem junto ao nariz do meu amigo, um punho enorme, cheio de nós.

Holmes examinou-o de perto, com fingido interesse, e indagou:

— Você nasceu assim ou foi se transformando aos poucos?

Talvez tenha sido a gélida frieza do meu amigo, ou talvez o ligeiro ruído que fiz ao empunhar o atiçador do fogo. O certo é que nosso visitante moderou um pouco seus ímpetos.

— Bem, considere-se avisado — disse ele. — Um amigo meu tem seus negócios lá para as bandas de Harrow (o senhor sabe o que quero dizer) e não deseja vê-lo metido neles. Compreendeu? Nem o senhor nem eu representamos a lei, e se o senhor for lá, vai me encontrar pela frente. Não se esqueça.

— Já há muito tempo que eu queria me encontrar com você — disse Holmes. — Não lhe peço que se sente porque seu cheiro me desagrada, mas você não é Steve Dixie, o lutador?

— É esse o meu nome, sr. Holmes, e o senhor vai pagar caro se continuar a me insultar.

— Não é de insultos que você precisa — disse Holmes, olhando fixo para a boca horrenda do nosso visitante. — Mas que me diz do assassinato do jovem Perkins, em frente ao Holborn Bar…. Como? Já vai?

O negro dera um pulo para trás, e seu rosto tornou-se cor de chumbo.

— Não quero ouvir falar nisso — disse. — Que tenho eu a ver com esse Perkins, sr. Holmes? Eu estava treinando no Buli Ring, em Birmingham, quando ele se meteu em encrencas.

— Sim, você deve dizer isso ao magistrado, Steve — continuou Holmes. — Estive observando você e Barney Stockdale…

— Valha-me Deus! sr. Holmes…

— Basta. Vá embora, vá! Quando eu precisar de você, chamo-o.

— Passe bem, sr. Holmes. Espero que não fique me querendo mal por causa desta visita.

— Não ficarei, se me disser quem o mandou aqui.

— Oh, não há segredo nisso, sr. Holmes. Foi o cavalheiro que o senhor acaba de mencionar.

— E quem o instigou a isso?

— Meu Deus! Não sei, sr. Holmes. Ele apenas me disse: “Steve, vá procurar o sr. Holmes e diga-lhe que sua vida corre perigo, se ele vier a Harrow”. Eis toda a verdade.

Sem aguardar nova pergunta, nosso visitante saiu da sala quase tão precipitadamente como quando entrara. Holmes bateu no cachimbo para esvaziá-lo e deu uma risadinha de satisfação.

— Ainda bem que você não foi obrigado a lhe pentear a carapinha, Watson. Estive observando suas manobras com o atiçador. Mas na verdade ele é um indivíduo inofensivo, uma criança grande e musculosa, um fanfarrão idiota, facilmente assustadiço, como você viu. Pertence ao bando de Spencer John, e ultimamente tomou parte em atos sujos, que ainda sou capaz de pôr em pratos limpos quando tiver tempo. Barney, o chefe dele, é um sujeito mais astuto. São especializados em assaltos, intimidação e coisas assim. O que desejo saber é quem está por trás deles neste caso.

— Mas por que é que eles querem intimidá-lo?

— É a propósito desse caso de Harrow Weald. Isso acaba de me decidir a examinar o assunto, pois se alguém está com tanto interesse nisso é porque deve haver algo aí.

— Mas o que se passa?

— Eu ia lhe contar quando fomos interrompidos por essa pequena cena cômica. Aqui está o bilhete da sra. Maberiey. Se quiser vir comigo, podemos telegrafar a ela e partir imediatamente.

“Prezado sr. Sherlock Holmes: [li eu]

Tem havido uma série de estranhos incidentes relacionados com esta casa, e eu gostaria muito de ouvir sua opinião. Amanhã o senhor me encontrará em casa a qualquer hora. A casa fica a curta distância da Estação de Weald. Creio que meu finado marido, Mortimer Maberley, foi um de seus antigos clientes.

Subscrevo-me atenciosamente,

Mary Maberley.”

O endereço era: “As Três Empenas, Harrow Weald”.

— Aqui tem — disse Holmes. — E agora, se dispõe ilc tempo, Watson, partimos imediatamente.

Uma curta viagem de trem e um trajeto ainda mais curto de carruagem levaram-nos à casa, uma vila de madeira e tijolo, localizada num terreno gramado. Três pequenas saliências acima das janelas superiores eram uma débil tentativa de justificar-lhe o nome. Ao fundo, um bosque de pinheiros melancólicos e de pouca altura. Todo o aspecto do lugar era de desolação. Sem dúvida, a casa parecia bem planejada, e a dama que nos recebeu era de certa idade, muito fina, com todos os indícios de esmerada educação e cultura.

— Recordo-me muito bem de seu marido, minha senhora — disse Holmes —, embora tenha sido há anos que ele se serviu dos meus préstimos em algum assunto de pouca importância.

— É provável que o nome de meu filho, Douglas, seja-lhe mais familiar.

Holmes olhou para ela com grande interesse.

— Realmente! A senhora é a mãe de Douglas Maberiey? Conheci-o vagamente. Mas Londres inteira o conheceu, é claro. Que criatura magnífica! Por onde ele anda atualmente?

— Morreu, sr. Holmes! Era adido diplomático em Roma, e lá faleceu, de pneumonia, o mês passado.

— Sinto muito. Ninguém poderia ligar a idéia de morte a um tal homem. Jamais conheci alguém com tanta vitalidade. Ele vivia intensamente, com cada fibra de seu ser!

— Intensamente demais, sr. Holmes. Foi o que o arruinou. O senhor se lembra dele como era, afável e esplêndido, mas não viu a criatura irritadiça, rabugenta, concentrada, em que Douglas se transformou. Seu coração estava partido. Num mês, a impressão que tive do meu valente rapaz foi de que se convertera num misantropo cansado de tudo.

— Alguma aventura amorosa, uma mulher?

— Ou algum demônio… Mas não foi para falar de meu filho que eu o chamei, sr, Holmes.

— O dr. Watson e eu estamos às suas ordens.

— Têm-se verificado aqui algumas ocorrências bastante estranhas. Já há mais de um ano que estou nesta casa, e, como desejava levar uma vida retirada, tenho tido poucas relações com meus vizinhos. Há três dias recebi a visita de um homem que se apresentou como corretor de imóveis. Disse que esta casa conviria exatamente a um cliente seu e que, se eu quisesse dispor dela, podia fazer o meu preço. Isso me pareceu um tanto estranho, visto haver à venda várias casas vazias e em iguais condições, mas naturalmente a proposta me interessou. Assim sendo, pedi quinhentas libras a mais do que eu dera por ela. Ele concordou imediatamente, acrescentando, porém, que seu cliente desejava comprar também a mobília, e por isso indagou quanto eu pedia por ela. Parte desta mobília vem de minha antiga casa e é, como o senhor vê, muito boa, de maneira que falei numa boa quantia redonda. Também com isso o homem logo concordou. Sempre desejei viajar, e o negócio era tão bom que realmente me pareceu que seria senhora de mim para o resto de minha vida.

“Ontem, o homem chegou com o contrato já lavrado. Felizmente, tive a idéia de mostrá-lo ao sr. Sutro, meu advogado, que mora em Harrow. Ele me disse: “É um documento extravagante. A senhora percebeu que, se o assinar, não poderá levar coisa alguma da casa… nem sequer seus objetos de uso particular?” Quando o homem voltou, à tarde, falei-lhe nisso e disse-lhe que tencionava vender apenas a mobília.

“— Não, não; tudo — respondeu ele.

“— Mas, e as minhas roupas? As minhas jóias?

“— Bem. Pode ser feita alguma concessão quanto a objetos de uso estritamente pessoal. Mas nada sairá da casa sem estar devidamente visado. Meu cliente é um homem muito liberal, mas tem lá suas manias e o seu modo peculiar de fazer as coisas. Com ele é tudo ou nada.

“— Então terá de ser nada — disse eu.

“E o negócio parou aí. Mas a coisa me pareceu tão insólita que pensei… ”

Aqui deu-se uma interrupção bastante extraordinária. Holmes levantou a mão como para pedir silêncio. Depois, atravessou a sala, abriu violentamente a porta e arrastou para dentro uma mulher alta e magra, que ele agarrara pelo ombro. Ela entrou, debatendo-se desastradamente, como um frango descomunal e desajeitado que tivessem tirado do galinheiro, apesar de seus ruidosos protestos.

— Largue-me, deixe-me! Que está fazendo? — dizia a mulher, esganiçando-se.

— Susan, que é isso?

— Minha senhora, eu vinha perguntar se os visitantes ficavam para o almoço quando este homem avançou para mim.

— Eu a estava ouvindo há uns cinco minutos, mas não queria interromper esta interessante narrativa. Você é um pouco asmática, não é verdade, Susan? Resfolega alto demais para o trabalho de que a encarregaram.

A interpelada exibiu ao seu interlocutor uma expressão em que se via, ao lado da irritação, o assombro.

— Quem é o senhor, afinal, para me empurrar dessa maneira?

— Fiz isso simplesmente porque desejava fazer uma pergunta na sua presença. Sra. Maberley, disse a alguém que ia me escrever e me consultar?

— Não, sr. Holmes, não disse a ninguém.

— Quem pôs a carta no correio?

— Foi Susan.

— Claro. Agora, Susan, a quem foi que você escreveu ou mandou recado dizendo que sua patroa me pedia conselho?

— É mentira. Não mandei recado nenhum.

— Olhe, Susan, os asmáticos não têm vida longa. Você sabe disso. E é feio pregar mentiras. A quem foi que você disse?

— Susan! — gritou a patroa. — Creio que você é uma mulher má e traiçoeira. Lembro-me agora de vê-la falando com alguém por cima da sebe.

— Isso não é da conta de ninguém — disse a mulher, bastante exasperada.

— E se eu lhe disser que estava conversando com Barney Stockdale? — disse Holmes.

— Pois se o senhor sabe, que mais quer saber?

— Não tinha certeza, mas agora tenho. Escute, Susan, você pode ganhar dez libras se me disser quem protege Barney.

— Alguém capaz de oferecer mil libras para cada dez que o senhor tem no mundo.

— Sujeito rico, hein? Ah, você sorriu… Então não é sujeito, é sujeita. Já que chegamos até este ponto, diga o nome e ganhe as dez libras.

— Vá para o inferno!

— Oh, Susan! Dobre a língua!

— Vou é sair daqui. Estou cheia de todos. Amanhã mando buscar minhas coisas.

Dirigiu-se arrebatadamente para a porta.

— Adeus, Susan. Tome um calmante… Agora — continuou Sherlock, passando subitamente do jocoso para o sério assim que a porta se fechou à passagem da abespinhada mulher —, este bando não é de brincadeira. Veja como não perdem tempo. A carta que a senhora me escreveu traz no carimbo a indicação de dez horas da noite. E contudo Susan fala a Barney. Este tem tempo de procurar o patrão para receber instruções; ele ou ela (em vista do sorriso zombeteiro de Susan quando pensou que eu tinha errado, inclino-me a que seja ela e não ele) traça um plano de ação. Convoca-se o negro Steve, e no dia seguinte, às onze horas da manhã, eu recebo a intimação. Trabalho rápido, como se vê.

— Mas que pretendem eles?

— Eis a questão. Quem era o dono desta casa antes da senhora?

— Um capitão reformado de nome Ferguson.

— Há alguma coisa a respeito dele?

— Que eu saiba, não.

— Quem sabe se ele teria escondido aqui alguma coisa? Apesar de, hoje em dia, as pessoas esconderem seus tesouros nos bancos. Todavia, sempre há lunáticos por aí. Sem eles, o mundo seria um lugar triste. A princípio, pensei na possibilidade de haver alguma coisa de valor escondida por aí. Mas, nesse caso, por que haviam de querer sua mobília? Será que a senhora possui, sem o saber, alguma tela de Rafael ou uma primeira edição de Shakespeare?

— Não. Acho que não possuo nada mais precioso do que um serviço de chá em porcelana de Derby.

— Isso, a meu ver, não justificaria todo esse mistério. Ademais, por que não exporiam eles francamente o que desejam? Se cobiçam seu serviço de chá, podem certamente oferecer um preço por ele sem precisar lhe comprar tudo, até quase a roupa do corpo. Não. Parece-me que há por aí alguma coisa que a senhora ignora possuir e que não daria se soubesse que possui.

— É o que também me parece — disse eu.

— Se o dr. Watson o diz, é porque assim é.

— Então, sr. Holmes, que poderá ser?

— Vejamos se, por meio desta análise meramente mental, podemos chegar a algo de mais positivo. A senhora está nesta casa há um ano.

— Há quase dois.

— Tanto melhor. Durante todo esse tempo, ninguém quis nada da senhora. Agora, de repente, de três ou quatro dias para cá, a senhora está sendo assediada. Que conclui daí?

— Só pode significar — disse eu — que o objeto, seja ele qual for, chegou aqui há pouco.

— O dr. Watson tem novamente razão — disse Holmes. — Então, sra. Maberley, chegou aqui recentemente algum objeto?

— Não. Não comprei nada de novo este ano.

— Deveras? Não deixa de ser notável. Bem. Julgo que é melhor deixar que os fatos avancem um pouco mais, até conseguirmos dados mais concretos. Esse seu advogado é homem competente?

— O sr. Sutro é muito competente.

— A senhora tem outra criada, ou só estava aqui a bela Susan, que acaba de sair?

— Tenho aqui uma mocinha.

— Então veja se Sutro se dispõe a passar uma noite ou duas aqui na casa. É possível que a senhora venha a precisar de proteção.

— Contra quem?

— Como se há de saber? O caso está certamente obscuro. Se não consigo descobrir aquilo que eles perseguem, tenho de abordar o assunto pela outra extremidade, e ver se chego ao principal. O corretor de imóveis deixou algum endereço?

— O cartão de visita só traz o nome e a ocupação. Haines-Johnson, corretor de imóveis e avaliador.

— Não tenho esperanças de encontrar esse nome nas listas telefônicas. Um homem honesto não oculta o lugar onde trabalha. Quanto ao resto, a senhora me informará do que houver. Aceitei o seu caso, e pode ficar tranqüila que o deslindarei.

Ao atravessarmos a sala de entrada, os olhos de Holmes, aos quais nada escapava, pousaram sobre várias malas e caixotes empilhados a um canto. Os rótulos que traziam eram bem visíveis.

— “Milano”, “Lucerna”. Isso vem da Itália.

— São as coisas do meu pobre Douglas.

— A senhora ainda não mexeu nesses objetos? Quando foi que os recebeu?

— Chegaram a semana passada.

— Mas a senhora disse… ora, certamente temos aqui o elo que faltava. Quem nos diz que não há aí alguma coisa de valor?

— Não é possível, sr. Holmes. O pobre Douglas tinha apenas seu ordenado e uma pequena mesada. Que podia ele possuir de valioso?

Holmes refletiu alguns momentos.

— Não perca tempo, sra. Maberley — disse por fim. — Mande essas coisas para o seu quarto. Examine-as o mais depressa possível e veja o que contêm. Virei amanhã para saber o que há.

Era evidente que As três empenas estava sob severa vigilância, porque, quando dobrávamos a sebe alta, no extremo da vereda, lá estava o negro pugilista, à sombra. Aproximamo-nos dele cautelosamente, e aquele vulto nos pareceu sinistro e ameaçador. Holmes levou a mão ao bolso.

— Procura o revólver, sr. Holmes?

— Não, Steve. Procuro meu frasco de perfume.

— O senhor é engraçado, sr. Holmes, não é verdade?

— Mas não achará graça nenhuma em mim, Steve, se eu começar a andar no seu encalço. Avisei-o hoje de manhã.

— Pois bem, sr. Holmes. Pensei no que o senhor me disse, e não desejo que toque mais no negócio do sr. Perkins. Suponhamos que eu possa ajudá-lo, sr. Holmes. Que tal?

— Diga-me então quem está por trás de você, neste serviço.

— Benza Deus! Eu já lhe disse a verdade, sr. Holmes. Não sei. Meu patrão Barney me dá ordens, e eu as cumpro. É só isso.

— Tenha pois em mente, Steve, que a dona daquela casa e tudo o que há sob aquele teto estão sob minha proteção.

— Perfeitamente, sr. Holmes. Vou procurar me lembrar.

— Fiz com que temesse pela própria vida, Watson — observou Holmes, enquanto nos púnhamos de novo a caminho. — Creio que ele trairia o patrão se soubesse quem é o chefe. Minha sorte foi eu ter algum conhecimento do bando de Spencer John, e Steve pertencer a esse bando. Escute, Watson. Este é um caso para Langdale Pike, e vou procurá-lo agora mesmo. Quando estiver de volta, talvez já disponha de mais dados.

Não tornei a ver Holmes durante aquele dia, mas calculei como o passara, porquanto Langdale Pike era seu manual vivo de consulta sobre todos os escândalos sociais. Essa estranha e lânguida criatura passava as horas em que estava acordada na sacada de um clube da St. James’s Street, e era a estação receptora e transmissora de todas as bisbilhotices da metrópole. Amealhava, dizia-se, uma boa renda com os artigos que escrevia toda semana para jornais ordinários, ávidos de satisfazer a curiosidade mórbida dos leitores. Toda vez que, no mar denso da vida londrina, havia algum estranho redemoinho, era logo registrado, com exatidão automática, por aquele arquivo humano. Discretamente, Holmes ajudava Langdale com suas informações, sendo, por sua vez, ajudado por ele.

Quando, na manhã seguinte, fui me encontrar com meu amigo em seus aposentos, percebi, pelo seu ar, que tudo ia bem, mas apesar disso aguardava-nos uma notícia bastante desagradável. Estava contida no seguinte telegrama:

“Queira vir imediatamente. Casa cliente arrombada esta noite. Polícia vigilante.

Sutro”

Holmes deu um assobio.

— O drama chegou a um ponto crítico, e mais depressa do que eu esperava — disse ele. — Há uma boa alavanca impulsionando este negócio, Watson, o que não me surpreende, depois do que me contaram. Esse Sutro naturalmente é o advogado dela. Receio ter cometido um erro por não lhe ter pedido que passasse a noite de vigilância. O homem provou que não tem competência. O recurso agora é empreender nova viagem a Harrow Weald.

Achamos As Três Empenas muito diferentes da casa arrumada da véspera. Um pequeno grupo de ociosos aglomerava-se junto ao portão do jardim, enquanto dois policiais examinavam as janelas e os canteiros de gerânios. No interior, encontramos um cavalheiro encanecido, que se apresentou como o advogado, e junto dele um delegado rubicundo e espevitado, que cumprimentou Holmes como a um velho amigo.

— Então, sr. Holmes, creio que no caso presente não terá grandes oportunidades. Trata-se de um arrombamento trivial, comum, cuja solução está nos limites da capacidade da velha polícia. Não há lugar para especialistas.

— Estou certo de que o caso está em muito boas mãos — disse Holmes. — Está dizendo que se trata apenas de um arrombamento banal?

— Exatamente. Conhecemos muito bem os autores e sabemos onde encontrá-los, É o bando de Barney Stockdale, mais o negro.

— Ótimo! O que foi que eles levaram?

— Parece que não encontraram grande coisa. Cloroformizaram a sra. Maberley, e a casa foi… Ah! aqui está a própria senhora.

Nossa amiga da véspera, pálida e abatida, entrara na sala, apoiada a uma criada.

— O senhor bem me advertiu, sr. Holmes — disse ela, com um sorriso de pesar. — E eu, tola, não segui seu conselho. Não quis incomodar o sr. Sutro, e por isso fiquei desprotegida.

— Somente esta manhã eu soube do ocorrido — explicou o advogado.

— O sr. Holmes me aconselhou a ter algum amigo em casa. Eu não fiz caso do conselho, e paguei caro.

— A senhora parece muito doente — disse Holmes. — Talvez nem esteja em condições de me contar o que sucedeu.

— Está tudo aqui — exclamou o delegado, batendo com a mão num volumoso bloco.

— Todavia, se a senhora não se sentir demasiado exausta…

— Na verdade, não há muito o que dizer. Não tenho dúvida de que a malvada Susan planejou um meio de lhes franquear uma entrada. Pareciam conhecer a casa como a palma da mão. Percebi, em dado momento, que me punham sobre a boca um pano embebido em clorofórmio, mas não tenho idéia de quanto tempo fiquei adormecida. Quando despertei, havia um homem ao lado da cama, e um outro, com uma trouxa na mão, erguia-se do meio da bagagem do meu filho, que se achava aberta em parte e espalhada pelo chão. Antes que ele pudesse fugir, dei um salto e agarrei-o.

— A senhora se arriscou muito — notou o delegado.

— Segurei-lhe o braço, mas ele se desembaraçou de mim, e o outro talvez tenha me batido, pois não consigo me lembrar de mais nada. Mary, a criada, ouviu o barulho e começou a gritar da janela. Isso provocou a chegada da polícia, mas os patifes já tinham fugido.

— O que levaram?

— Não creio que falte nada de valor. Tenho certeza que não havia nada nas malas do meu filho.

— Os homens não deixaram nenhum indício?

— Havia uma folha de papel que devo ter arrancado da mão do homem que agarrei. Essa folha ficou no chão, toda amassada. Está escrita com a letra do meu filho.

— O que significa que não é coisa de grande valia — disse o delegado. — Pois, se fosse intenção do ladrão…

— Claro — concordou Holmes. — Que bom senso! Não obstante isso, estou curioso para ver o papel.

O delegado tirou de seu livro de notas uma folha dobrada de papel almaço.

— Não deixo escapar nada, por mínimo que seja — disse ele, com certo enfado. — É um conselho que lhe dou, sr. Holmes. Em vinte e cinco anos de experiência, aprendi alguma coisa. Existe sempre a possibilidade de se encontrarem impressões digitais ou algo parecido.

Holmes examinou a folha de papel.

— Qual a sua opinião, delegado?

— Parece ser a parte final de algum romance excêntrico. É o que desconfio.

— É bem possível que seja o fim de um conto excêntrico — confirmou Holmes. — Com certeza o senhor notou o número no alto da página. É 245. Onde estão as outras duzentas e quarenta e quatro páginas anteriores?

— Suponho que os larápios as levaram. Que façam bom proveito!

— Não deixa de parecer esquisito arrombar uma casa para furtar papéis como este. Isso lhe sugere alguma coisa, delegado?

— Sim, senhor. Sugere-me que, com a pressa, os tratantes agarraram o que primeiro lhe veio às mãos. Bom lucro é o que novamente lhes desejo.

— Que pretenderiam eles dos objetos de meu filho? — perguntou a sra. Maberley.

— Como embaixo não acharam nada de valioso, foram tentar fortuna em cima. Eis como interpreto o fato. Que lhe parece, sr. Holmes?

— Preciso refletir no caso, senhor delegado. Venha aqui à janela, Watson.

E, quando nos achamos um ao lado do outro, ele leu de uma só vez o que a folha de papel continha. Começava no meio de uma frase e dizia o seguinte:

“… rosto sangrava consideravelmente com os lanhos e cortes, porém, mais ainda lhe sangrava o coração, ao ver aquele rosto lindo, o rosto pelo qual ele estivera disposto a sacrificar sua própria vida, contemplar sua agonia e humilhação. Ela sorriu, sim, sorriu, como inimiga desapiedada e diabólica que era, quando o infeliz ergueu os olhos para ela. Foi nesse momento que o amor morreu e se converteu em ódio. O homem deve viver para alguma coisa. Se não é para o teu amplexo, minha dama, deve então ser certamente para a tua ruína e para a minha vingança completa”.

— Estranha gramática! — comentou Holmes com um sorriso ao devolver o papel ao delegado. — Reparou como do “ele” de repente passou à “minha”? O escritor ficou tão entusiasmado com a sua narrativa que no momento supremo imaginou ser ele próprio o infeliz herói.

— Pareceu-me coisa bastante pobre — disse o delegado, guardando a folha em seu livro de apontamentos. — O quê! O senhor já está de saída, sr. Holmes?

— Creio que nada mais me resta a fazer no presente caso, uma vez que ele se encontra em mãos tão capazes. A propósito, sra. Maberley, não disse que desejava viajar?

— Foi sempre esse o meu sonho, sr. Holmes.

— Aonde gostaria de ir? Cairo, Madeira, Riviera?

— Oh! Se tivesse dinheiro, daria uma volta ao mundo.

— Muito bem. Pelo mundo todo. Então, até a vista. Talvez eu lhe escreva umas linhas hoje à tarde.

Quando passávamos pela janela, surpreendi o sorriso do delegado e seu abanar de cabeça. “Esses tipos inteligentes têm sempre dois dedos de loucura.” Foi a interpretação que dei ao sorriso do delegado…

— Estamos agora, Watson, na derradeira parte da nossa curta jornada — disse Holmes, quando de novo nos achávamos em pleno centro de Londres. — Penso que seria melhor esclarecer este caso imediatamente, e não seria mau que você fosse comigo, pois é mais seguro ter uma testemunha quando se tem de tratar com uma senhora como Isadora Klein.

Tínhamos tomado um carro e nos dirigíamos a um endereço que ficava na Grosvenor Square. Holmes estivera embebido em seus pensamentos, mas de repente despertou.

— Por falar no caso, Watson, suponho que você já o recompôs com clareza, não é verdade?

— Não posso dar uma resposta afirmativa. Somente concluo que vamos à procura da dama que é o móvel desta desagradável história.

— Sem tirar nem pôr. Mas o nome de Isadora Klein não lhe sugere nada? Ela foi sem dúvida uma famosa beldade. Não havia mulher que com ela competisse. É espanhola da gema, do sangue real dos poderosos conquistadores que dominaram as Américas durante várias gerações. Isadora desposou o idoso alemão Klein, rei do açúcar, e pouco depois era, ao mesmo tempo, a mais rica e a mais linda viúva da terra. Houve então um intervalo de aventura durante o qual ela satisfazia todos os seus gostos. Teve vários amantes, e um deles foi Douglas Maberley, um dos homens mais belos de Londres.

“Mas, afinal de contas, a aventura com Douglas tinha de ser uma coisa de mais importância. Ele não era uma mariposa da sociedade, mas um homem forte e orgulhoso, que dava tudo e esperava tudo. Ela, porém, é a belle dame sans merci de que falam prosadores e poetas. Uma vez satisfeito seu capricho, está terminada a aventura, e se o parceiro não se dá por entendido, ela o faz entender à força.

— Então, aquela era a própria história dele…

— Ah, enfim você começa a compreender. Ouvi dizer que ela está para se casar com o jovem duque Lomond, que quase podia ser seu filho. A mãe de Sua Graça podia não dar importância à diferença de idade, mas um grande escândalo seria um negócio muito diferente. Sendo assim, é urgente. Ah! Chegamos.

Era uma das mais belas casas de esquina do West End. Um lacaio que mais parecia um autómato recebeu nossos cartões de visita e pouco depois voltou para dizer que a senhora não estava em casa.

— Então esperaremos até que chegue — disse Holmes jovialmente.

O autômato acordou.

— Não está em casa quer dizer que não está para recebê-los — disse o criado de libré.

— Muito bem — retorquiu Holmes. — Isso significa que não teremos de esperar. Faça a fineza de entregar este bilhete à sua patroa.

Rabiscou três ou quatro palavras numa página de seu bloco, dobrou-a e deu-a ao homem.

— Que disse você, Holmes? — perguntei.

— Escrevi simplesmente: “Prefere então a polícia”? Creio que com esta senha entraremos.

O expediente surtiu o efeito desejado, e isso se deu com assombrosa celeridade. Um minuto depois, estávamos numa sala de visitas que parecia uma visão das Mil e uma noites, vasta e maravilhosa, mergulhada numa penumbra que era de quando em quando realçada por uma suave luz elétrica de cor rósea. A dama atingira, percebi, aquela fase da vida em que até mesmo a formosura mais orgulhosa se compraz na doçura dos meios-tons. Quando entramos, ela se levantou de um canapé. Era uma figura perfeita, alta, com um porte de rainha, um rosto lindo como se fosse máscara, com dois maravilhosos olhos espanhóis, que despediam chispas assassinas contra nós.

— Que intromissão é essa e que significa essa insolente mensagem? — perguntou, tendo na mão a folha de papel.

— Não necessito me explicar, madame. Tenho na mais alta conta a sua inteligência para ousar fazê-lo, embora confesse que ultimamente sua inteligência tem claudicado bastante.

— Como assim, cavalheiro?

— Supondo que os valentões que contratou pudessem me intimidar no desempenho de meu trabalho. Certamente não há homem que abrace uma profissão igual à minha se o perigo não o atrai. Com que então foi a senhora que me obrigou a examinar o caso do jovem Maberley?

— Não faço a mínima idéia do ponto a que o senhor quer chegar. Que tenho eu a ver com valentões contratados?

— Sim, não dei o devido apreço à sua inteligência. Passe muito bem!

— Um momento! Aonde vai?

— À Scotland Yard.

Ainda não tínhamos chegado à porta quando ela nos alcançou e segurou Holmes pelo braço. A dama de mármore, de um instante para outro, convertera-se na dama de veludo.

— Queiram sentar-se, cavalheiros. Vamos discutir esse assunto. Sinto que posso ser franca com o senhor, sr. Holmes. O senhor tem os sentimentos de um cavalheiro. Com que rapidez o instinto feminino o descobre! Tratá-lo-ei como amigo.

— Não posso prometer retribuir-lhe igual tratamento, madame. Não sou a lei, mas represento a justiça até onde chegam meu fracos poderes. Prontifico-me a ouvir, e depois direi como vou proceder.

— Foi sem dúvida uma tolice minha ameaçar um homem da sua bravura.

— Tolice maior, madame, foi a senhora ter-se posto à mercê de um bando de patifes que podem ou extorquir-lhe dinheiro ou traí-la a qualquer momento.

— Oh, não! Não sou assim tão ingênua! Já que prometi usar de franqueza, posso dizer-lhe que ninguém, exceto Barney Stockdale e Susan, sua mulher, faz a mínima idéia de quem seja o chefe. Quanto aos dois citados, bem, não é a primeira… — Ela sorriu e fez um sinal com a cabeça, como a aprovar a sua encantadora confidência.

— Percebo. A senhora já os experimentou antes.

— São bons cães de caça, que correm e não ladram.

— Pois cães desses arranjam meios e modos de, mais cedo ou mais tarde, morder a mão que lhes dá comida. Eles vão ser presos pelo arrombamento que praticaram. A polícia já anda no encalço deles.

— Terão o que lhes toca. Por isso lhes pago. Quanto a mim, não figuro no caso.

— A não ser que eu a faça figurar.

— Mas o senhor não fará tal coisa, O senhor é um cavalheiro. Trata-se de um segredo de mulher.

— Em primeiro lugar, a senhora tem de restituir o manuscrito.

Ela deu uma risada cristalina e encaminhou-se para a lareira da sala. Havia lá uma massa calcinada, que ela remexeu com o atiçador.

— Terei de restituir isto? — perguntou.

Apresentava um ar tão brejeiro, tão fora do comum, exibindo ali diante de nós seu sorriso de desafio, que me pareceu que, de todos os criminosos de Holmes, era aquele o que ele acharia mais difícil de enfrentar. Holmes, porém, não se deixava dominar pelo sentimento.

— Isso acaba de marcar a sua sorte — disse ele com frieza. — É muito expedita nas suas ações, madame, mas desta vez passou dos limites.

Ela deixou cair ruidosamente o atiçador.

— O senhor é muito cruel — redargüiu. — Posso lhe contar a história toda?

— Parece que eu mesmo poderia contá-la.

— Mas o senhor deve vê-la com os meus olhos, não com os seus, sr. Holmes. Deve encará-la do ponto de vista de uma mulher que vê todo o sonho da sua vida prestes a desmoronar no último momento. Se essa mulher protege a si mesma, merece censura?

— O pecado original foi seu.

— Sim, sim, reconheço isso. Douglas era uma pérola de rapaz, mas aconteceu que não se adaptava aos meus planos. Ele queria casamento, sr. Holmes, casamento… veja bem, com um plebeu sem vintém. Só isso lhe servia, nada mais. E então fez-se teimoso. Como eu fosse boa e liberal com ele, pareceu-lhe que ainda devia ser mais e somente com ele. Era uma coisa intolerável. Por fim, tive de lhe fazer ver isso.

— Contratando rufiões para espancá-lo sob as janelas desta própria casa.

— O senhor realmente parece que sabe tudo! Sim, é verdade. Barney e seus companheiros conduziram-no para longe daqui e foram, reconheço-o, um tanto rudes com Douglas. Mas que fez ele então? Poderia eu acreditar que um cavalheiro procedesse daquela forma? Escreveu um livro descrevendo sua própria história. Eu, naturalmente, era o lobo; ele, o cordeiro. Estava tudo lá, com nomes diferentes, é claro. E quem, em Londres, deixaria de reconhecer os fatos e personagens? Que diz a isso, sr. Holmes?

— Ele estava no seu direito.

— Douglas me escreveu e remeteu-me uma cópia de seu livro, para que eu pudesse ter a tortura da antevisão. As cópias eram duas, disse ele, uma para mim, outra para o editor.

— Como soube a senhora que a destinada ao editor não lhe tinha chegado às mãos?

— Eu sabia qual era o seu editor. Não é esse, como o senhor não ignora, o único romance de Douglas. Verifiquei que o editor não recebera nada da Itália. E eis que sobrevem a morte súbita do pobre rapaz. Enquanto existisse no mundo esse outro manuscrito, não podia haver tranqüilidade para mim. Naturalmente, o manuscrito devia se achar entre seus objetos, e estes seriam remetidos à mãe de Douglas. Pus o bando em campo. Desejava fazer a coisa de maneira honesta. E foi o que realmente fiz. Estava disposta a comprar a casa com tudo o que nela havia. Não fiz a menor questão de preço. Só lancei mão do outro expediente quando o primeiro falhou. Depois, sr. Holmes, que tratei Douglas com excessiva dureza (e Deus sabe como disso me arrependo!), que mais podia eu fazer com meu futuro em evidente perigo?

Sherlock Holmes encolheu os ombros.

— Bem, bem — fez ele —, suponho que terei de arranjar uma saída, como de costume. Quanto custa uma viagem de primeira classe em volta do mundo?

A dama encarou-o com espanto.

— Seria possível fazê-la com cinco mil libras?

— Sim, creio que seria.

— Muito bem. Penso então que a senhora não se negará a assinar um cheque para esse fim, e eu providenciarei para que ele chegue às mãos da sra. Maberley. A senhora deve-lhe um pouco de mudança de ar. Quanto ao resto, cara sra. Klein — e acenou-lhe com o dedo em riste —, tenha cuidado, muito cuidado! Não é possível andar sempre brincando com ferramentas afiadas sem cortar essas belas mãos.

1927
Histórias de Sherlock Holmes

1. A pedra Mazarino § 2. A ponte de Thor
3. O homem que andava de rastos § 4. O vampiro de Sussex
5. Os três Garridebs § 6. O cliente ilustre
7. As três empenas § 8. O rosto lívido
9. A juba do leão § 10. Josiah Amberley
11. A inquilina do rosto coberto § 12. O velho solar de Shoscombe

Ilustrações: Howard K. Elcock, cortesia The Camden House
Transcrição: Mundo Sherlock

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