O cão dos Baskervilles – Capítulo 10

Arthur Conan Doyle

O cão dos Baskervilles
Capítulo décimo

Título original: The Hound of the Baskervilles
Publicado em The Strand Magazine, Londres, 1901-02.

Sobre o texto em português:
Este texto digital reproduz a
tradução de The Hound of the Baskervilles publicado em
As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume IV,
editado pelo Círculo do Livro
e com tradução de Lígia Junqueiro.

Capítulo décimo: Extratos do diário do dr. Watson

Até aqui, tenho citado os fatos de acordo com os relatórios que mandei a Sherlock Holmes. Chego agora a um ponto da narrativa onde mc vejo obrigado a abandonar este método e confiar nas recordações, ajudado pelo diário que mantive na ocasião. Alguns trechos vão me conduzir às cenas que estão indelevelmente gravadas na minha memória. Continuarei, portanto, do ponto onde parei, isto é: a manhã seguinte à fracassada caça ao condenado e às outras estranhas aventuras na planície.

 16 de outubro.

Dia feio e nublado, chuvinha fina. A casa está cercada de nuvens movediças, que de vez em quando se erguem para nos mostrar as lúgubres curvas da charneca, as veiazinhas de prata que brilham nos pontos onde a luz bate na superfície molhada. Há melancolia dentro e fora de casa. O baronete teve uma reação sombria após a excitação da noite passada Também eu sinto um peso na alma, o pressentimento de um perigo sempre presente, tanto mais terrível quanto não me á possível defini-lo.

Não terei razão para me sentir assim? Consideremos essa longa cadeia de incidentes que apontam para uma sinistra influência à nossa volta. A morte do último dono da mansão, tão de acordo com as indicações da lenda, as repetidas asserções dos camponeses. a respeito de um ser estranho, na charneca. Duas vezes ouvi, com os meus próprios ouvidos, o som que parece o distante lamento de um sabujo. É incrível, impossível que tudo isso esteja realmente fora das leis comuns da natureza. Um cão fantástico, que deixa marcas materiais e enche o ar com os seus gritos, não á admissível. Stapleton pode acreditar nisso, e Mortimer também, mas… se é que tenho alguma qualidade, é o bom senso — nada me levará a acreditar em tal coisa. Crer seria descer ao nível desses pobres camponeses, que não se contentam apenas com um cão diabólico, mas ainda o descrevem como soltando fogo pela boca e pelos olhos. Holmes não daria ouvidos a esses disparates, e sou o seu representante. Mas fatos são fatos, e duas vezes ouvi uivos na planície. Suponhamos que exista realmente um cão enorme solto por aí: isso explicaria muita coisa. Mas como poderia permanecer oculto, onde arranjaria comida, de onde viria e como seria possível que só o vissem à noite? Confesso que a explicação natural oferece as mesmas dificuldades que a sobrenatural. E, além disso, existe o fator humano, aquele homem de barba negra que vimos no carro, em Londres e a carta avisando Sir E Henry do perigo que havia na charneca. Isso, pelo menos, foi real… mas, tanto poderia ter sido o aviso de um amigo como a ameaça de um inimigo. Onde está agora esse inimigo? Ficou em Londres ou seguiu-nos até aqui? Poderia ele ser… ser o estranho que vi de pé, no alto do morro? É verdade que o vi de relance, mas é coisa que eu poderia jurar. Nao é pessoa que eu tenha visto aqui, pois agora já conheço todos os vizinhos, O vulto era muito mais alto do que Stapleton, muito mais magro do que Frankland. Podia ter sido Barrymore, mas nós o havíamos deixado em casa, e tenho certeza de que ele não poderia ter vindo atrás de nós. Então, há um estranho que nos persegue, assim como um estranho nos perseguiu em Londres. Nunca o despistamos. Se eu pudesse pôr as mãos nesse homem, talvez chegássemos ao fim das nossas dificuldades. A isso devo dedicar agora as minhas energias.

O primeiro impulso foi contar os meus planos a Sir Henry. O segundo e mais sábio foi agir sozinho e falar o menos possível. Ele anda silencioso e distraído. Seus nervos ficaram abalados devido aquele estranho som na charneca. Nada direi que possa aumentar a sua preocupação, e trabalharei sozinho para alcançar o meu objetivo.

Tivemos uma cenazinha, hoje, depois cio café da manhã. Barrymore pediu para falar com Sir Henry, e ficaram fechados no escritório durante algum tempo. Sentado no salão de bilhar, mais de uma vez ouvi som de vozes que se erguiam e desconfiei do assunto em discussão. Dali a algum tempo, o baronete abriu a porta e chamou-me.

Sidney Paget, 1902

Sidney Paget, 1902

— Barrymore acha que tem motivos de queixa —  disse ele. —  Considera injusto da nossa parte perseguir o condenado, quando ele, de livre e espontânea vontade, nos contou o segredo.

O mordomo estava de pé diante de nós, muito pálido e controlado.

— Talvez eu tenha me exaltado, senhor — disse ele. — Nesse caso, peço-lhe desculpas. Por outro lado, fiquei admirado quando vi os senhores regressarem de madrugada e soube que tinham ido atrás de Seldon. O pobre já tem muito com que lutar, sem que seja necessário que eu ponha mais gente no seu encalço.

— Se você nos tivesse contado espontaneamente, teria sido diferente — observou Sir Henry. Mas só nos contou, ou antes, sua mulher nos contou, quando se viram forçados.

— Não pensei que fosse se aproveitar disso, Sir Henry, verdade que não pensei.

— O homem é urna ameaça pública. Há casas isoladas, na planície, e ele é um sujeito que não se detém diante de coisa algurna . Basta a gente olhar para o seu rosto para ter certeza disso. Veja, por exemplo, a casa do sr. Stapleton, onde só há ele para defendê-la. Ninguém estará seguro, até o homem ser preso.

— Ele não entrará em casa alguma, senhor, dou-lhe a minha palavra de honra. E nunca mais aborrecerá ninguém nesta região. Garanto, Sir Henry , que dentro de poucos dias estarão prontos os preparativos para que siga para a América do Sul. Pelo amor de Deus, senhor, suplico-lhe que não deixe que a polícia saiba que ele se encontra na charneca. Já desistiram da busca ali, e assim ele poderá ficar sossegado até a hora de tomar o vapor. O senhor não poderá denunciá-lo sem me comprometer e à minha rnulher. Suplico lhe, senhor, que nada conte à polícia.

— Que diz você, Watson?

Encolhi os ombros.

— Se ele sair do país, será um alívio para os que pagam imposto — respondi.

— Mas, e se assaltar alguém, antes de partir?

— Ele não faria uma loucura dessas, senhor. Já lhe demos tudo aquilo de que precisa. Cometer um crime seria denunciar o seu esconderijo.

— Isso é verdade disse — Sir Henry. — Bem, Barrymore …

— Deus o abençoe, senhor, e obrigado, de todo o coração! Minha mulher morreria se ele fosse preso novamente.

— Creio que estamos sendo cúmplices, hein, Watson? Mas, depois do que ouvi, não me sinto com coragem de entregá-lo à polícia, e está decidido. Muito bem, Barrymore, pode ir.

Com algumas palavras de gratidão, o homem afastou-se, mas depois hesitou e voltou.

— O senhor tem sido tão bom para nós que gostaria de fazer alguma coisa, em retribuição. Sei de um fato, Sir Henry, e talvez devesse ter falado, mas só vim a saber muito depois do inquérito. Nunca disse palavra a quem quer que fosse. É a respeito da morte do pobre Sir Charles.

O baronete e eu ficamos de pé.

— Sabe como é que ele morreu?

— Não, senhor, isso não sei.

— Então?

— Sei por que motivo estava ao portão àquela hora. Foi ao encontro de uma mulher.

— De uma mulher? Ele?

— Sim, senhor.

— E o nome da mulher?

— Não sei o nome, senhor, mas posso lhe dizer as iniciais. Eram L. L.

— Como sabe disso, Barrymore?

— Pois bem, Sir Henry, seu tio recebeu uma carta naquela manhã. Geralmente recebia muitas cartas, pois era um homem de projeção e conhecido pelos seus bons sentimentos, de modo que as pessoas que se viam em dificuldades o procuravam. Mas aconteceu que naquela manhã só havia urna carta, de modo que me chamou a atenção. Vinha de Coombe Tracy e estava endereçada com letra de mulher.

— E então?

— Então, senhor, não pensei mais nisso e nunca mais teria pensado, se não fosse minha mulher.Há alguns dias, ela estava limpando o escritório de Sir Charles (não tinham mexido ali desde a sua morte) e encontrou as cinzas de uma carta no fundo da lareira. A maior parte estava queimada, mas um pedacinho, o fim de uma página, ainda podia ser lido. Parecia um post scriptum e dizia: ‘Por favor, por favor, se for um cavalheiro, queime esta carta e esteja no portão às dez horas’’. Embaixo, havia as iniciais L. L.

— Guardou esse pedacinho de papel?

— Não, senhor. Ele se desfez todo, quando foi tocado.

— Sir Charles tinha recebido outras cartas com a mesma letra?

— Pois bem, nunca reparei milito na sua correspondência. Só notei essa, porque naquele dia foi a única.

— E não faz ideia de quem seja L. L.?

— Não, senhor, nenhuma. Mas creio que, se pudéssemos encontrar essa senhora, saberíamos mais alguma coisa a respeito da morte de Sir Charles.

— Não compreendo, Barrymore, como ocultou esse fato.

— Pois bem, senhor, foi logo depois disso que tivemos os nossos próprios aborrecimentos. Além do mais, minha mulher e eu gostávamos muito de Sir Charles e não podíamos esquecer tudo o que fez por nós, O fato de desenterrar estas coisas não iria ressuscitar o nosso patrão, e sempre é bom agir com cuidado, quando há uma senhora envolvida no caso. Mesmo o melhor de nós…

— Achou que prejudicaria a reputação do morto?

Pois bem, senhor, achei que não haveria vantagem em falar. Mas o senhor tem sido tão bom para nós, que não achei justo deixar de lhe contar tudo o que sei sobre o caso.

— Muito bem, Barrymore, pode ir.

Depois que o mordomo saiu, Sir Henry virou-se para mim.

— Então, Watson, que me diz desse novo dado?

— Parece tornar o caso mais obscuro ainda.

— Também acho. Mas, se pudéssemos descobrir L. L., muitas coisas se esclareceriam. Pelo menos há essa vantagem. Se conseguirmos encontrá-la, teremos então uma pessoa que conhece os fatos. Que devemos fazer?

— Participar a Holmes imediatamente. Isto lhe dará a pista que ele procura. Ou muito me engano, ou ele aparecerá por aqui.

Fui para o quarto e fiz um relatório da conversa da manhã, para enviar a Holmes. Era evidente que andava muito ocupado, pois os bilhetes que me vinham de Baker Street eram poucos e breves, sem comentários sobre as informações que eu lhe mandava e sem referência alguma a minha missão. Provavelmente o caso de chantagem continuava a absorver todo o seu tempo. Mas este novo fato chamaria a sua atenção e renovaria o seu interesse. Eu muito desejaria que ele estivesse aqui.

 17 de outubro.

A chuva continuou o dia todo, fazendo sussurrar a hera e caindo pelas goteiras. Pensei no condenado, lá na charneca fria, desabrigado e melancólico. Pobre homem Sejam quais forem os seus crimes, ele tem sofrido para pagar por alguns. Depois, pensei no outro, naquele rosto que víramos no carro, e no vulto contra a lua. Estaria ele também no meio do dilúvio, o vigilante invisível, o homem das sombras?

Sidney Paget, 1902

Sidney Paget, 1902

À tarde, vesti minha capa de chuva e caminhei pelo campo, cheio de sombrios pensamentos, com a chuva me batendo no rosto e o vento me soprando nos ouvidos. Que Deus ajude aqueles que andarem agora pelo grande atoleiro de Grimpen, pois mesmo a terra firme estava se transformando em charco! Encontrei a rocha negra onde vira o observador solitário, e do seu cume rochoso olhei para a extensão melancólica. Rajadas de chuva varriam a superfície avermelhada, e nuvens cor de ardósia pairavam, muito baixas, com as suas caudas cinzentas, pelas encostas dos morros fantásticos. Na depressão distante, à esquerda, semi-oculta pelo nevoeiro, vi Baskerville Hall, com as suas duas torres finas erguendo-se acima do arvoredo. Eram os únicos sinais de vida que eu podia ver, a não ser as cabanas pré-históricas que se amontoavam na encosta dos morros Em parte alguma havia sinal do homem solitário que eu ali vira duas noites antes.

Ao voltar, encontrei-me com o dr. Mortimer, que, na sua charrete, saía da estrada que vinha da fazenda de Foulmire. Ele tem sido muito atencioso conosco, e não se passa um dia sem que venha à mansão saber notícias. Insistiu em que eu subisse e me trouxe até aqui. Vi que estava muito preocupado com o desaparecimento do seu cão. O animal saíra para a charneca e nunca mais voltara. Procurei consolá-lo, mas lembrei-me do potro, no atoleiro de Grimpen, e creio que ele não voltará a ver o seu cãozinho.

— Por falar nisso, Mortimer — disse eu, enquanto seguíamos, sacolejando —, creio que há poucas pessoas aqui nas redondezas que você não conheça, não é verdade?

— Creio que nenhuma,

— Pode me dizer então se há uma mulher que tenha as iniciais L. L.?

Ele refletiu alguns minutos

Não — respondeu. — Há alguns ciganos e trabalhadores que não conheço, mas entre os fazendeiros ou pessoas de categoria ninguém tem essas iniciais. Espere uni pouco. . . — acrescentou, após uma pausa — Há Laura Lyons . . . as suas iniciais são L. L., mas reside em Coombe Tracy.

— Quem é ela? — perguntei.

— Filha dc Frankland

— O quê? Do velho Frankland, o maluco?

— Exatamente. Casou se com um artista francês chamado Lyons, que viera pintar aqui na charneca. Era um tarado e abandonou-a. Pelo que ouvi dizer, não foi o único culpado. O pai não quis saber dela, porque se casara sem o seu consentimento, ou talvez por mais um ou dois motivos. Por isso, entre os dois pecadores, o jovem e o velho, a moça tem sofrido bastante.

— Como é que ela vive?

— Creio que o velho dá uma ninharia, mas não pode dar mais, porque está em má situação financeira. Por pior que ela tenha agido, não podíamos permitir que resvalasse mais ainda. A sua história tornou-se conhecida, e as pessoa daqui procuraram ajudá-la a ganhar honestamente a vida. Stapleton e Sir Charles contribuíram. Também eu com alguma coisinha . Ela abriu um escritoriozinho de datilografia.

Mortimer quis saber a razão das minhas perguntas, mas consegui satisfazer-lhe a curiosidade sem lhe contar muito, pois não há motivo para confiarmos em quem quer que seja. Amanhã cedo irei a Coombe Tracy, e, se puder falar com essa Laura Lyons de reputação equívoca, um grande passo terá sido dado no sentido de esclarecer um incidente na cadeia de mistérios. Estou, sem a menor dúvida, tornando-me astucioso, pois quando as perguntas de Mortimer eram inconvenientes, perguntei lhe a que tipo pertencia o crânio de Frankland , de modo que não ouvi outra coisa a não ser craniologia durante o resto do trajeto. Não é impunemente que convivo com Sherlock Holmes!

Só tenho mais um incidente a registrar neste dia longo e melancólico, isto é, a minha conversa com Barrymore, ainda há pouco, que me forneceu mais um bom trunfo que poderei jogar na ocasião oportuna.

Sidney Paget, 1902

Sidney Paget, 1902

Mortimer ficara para jantar, e depois ele e Sir Henry foram jogar écarté. O mordomo trouxe-me o café à biblioteca e aproveitei a ocasião para lhe fazer algumas perguntas.

— Então, o seu precioso cunhado partiu ou ainda anda vagueando por aí?

— Não sei, senhor. Espero em Deus que tenha partido, pois só nos trouxe aborrecimentos! Não soube dele desde que lhe levei comida da última vez, e isso foi há três dias.

— Viu-o nessa ocasião?

— Não, senhor. Mas a comida tinha desaparecido quando passei de novo pelo local.

— Então ele ainda deve andar por Lá?

— É o que parece, senhor, a não ser que outro o homem tenha tirado a comida.

Fiquei com a xícara parada, a caminho dos lábios, olhei fixamente para Barrymore.

— Então você sabe que há outro homem?

— Sim, senhor, há outro homem na charneca

— Viu-o?

— Não, senhor.

— Como é que sabe, então?

— Selden me falou dele, senhor, há mais ou menos uma semana. Está escondido também, mas não é condenado, pelo que me consta. Não estou gostando disso, dr. Watson, digo-lhe francamente que não estou gostando nada — disse o mordomo, com súbita intensidade.

— Escute, Barrymore, não tenho outro interesse no caso a não ser o do seu patrão. O que me trouxe aqui foi só o desejo de servi-lo. Diga me francamente de que é que não esta gostando.

Barrymore hesitou um momento, como se estivesse arrependido do seu impulso ou tivesse dificuldade em exprimir-se.

— Aquelas idas e vindas, senhor — exclamou, indicando a janela, batida pela chuva, que dava para a planície. — Há ali algum mal, e está fermentando qualquer vilania, disso tenho certeza! Gostaria muito de ver Sir Henry voltar para Londres.

— Mas por que se alarma dessa maneira?

— Veja a morte de Sir Charles! Já foi muito triste, dissesse o delegado o que dissesse. Pense nos ruídos da charneca, à noite. Não há homem que ouse atravessá-la, após o cair da tarde, mesmo que seja pago para isso. Pense no homem desconhecido, lá adiante, vigiando e esperando. O que espera ele? Que significa tudo isso? Não significa nada de bom para quem tenha o nome de Baskerville, e ficarei muito satisfeito no dia em que chegarem os novos criados, para me substituírem na mansão.

— Mas, a respeito desse desconhecido — insisti — pode me dizer alguma coisa sobre ele? Que diz Selden? Descobriu onde se esconde o outro e o que está fazendo?

— Viu-o uma ou duas vezes, mas Selden é um sujeito fechado e não conta quase nada.  A princípio pensou que fosse alguém da polícia, mas descobriu que ele tinha algum plano. É um cavalheiro, pelo que lhe pareceu, mas não conseguiu descobrir o que andava fazendo.

— E onde está vivendo?

— Nas velhas cabanas, na encosta da colina. As casinhas de pedra onde viviam os antigos.

— Mas, e a comida?

— Selden descobriu que há um garoto que trabalha para ele e que lhe leva tudo aquilo de que precisa. Com certeza vai a Coombe Tracy quando quer alguma coisa.

— Muito bem, Barrymore. Tornaremos a falar disso noutra ocasião.

Depois de o mordomo sair, aproximei-me da janela negra e, pela vidraça embaciada, olhei as nuvens que corriam e as árvores sacudidas pelo vento. Noite triste dentro de casa, pensei, mas o que não será para quem estiver numa cabana de pedra, na montanha? Que sentimento de ódio terá levado o homem a vigiar, num lugar daqueles, com tempo tão miserável? E que misterioso objetivo exigirá tão grande provação? Lá, na cabana da montanha, parece viver o centro do problema que tanto nos preocupa. Juro que não terminarei outro dia sem fazer tudo o que for humanamente possível para chegar ao coração do enigma.

The Hound of the Baskervilles, 1902

Capítulo 1: Sherlock Holmes § Capítulo 2: A maldição dos Baskervilles
Capítulo 3: O problema § Capítulo 4: Sir Henry Baskerville
Capítulo 5: Três fios partidos § Capítulo 6: Baskerville Hall
Capítulo 7: Os Stapletons da Casa Merripit § Capítulo 8: Primeiro relatório do dr. Watson
Capítulo 9: Segundo relatório do dr. Watson – Luz na charneca
Capítulo 10: Extratos do diário do dr. Watson § Capítulo 11: O homem na rocha
Capítulo 12: Morte na charneca § Capítulo 13: Armando a rede
Capítulo 14: O cão dos Baskervilles § Capítulo 15: Retrospecto

Ilustrações: Sidney Paget, cortesia Camden House
Transcrição: Mundo Sherlock

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