O signo dos quatro – Capítulo 10

Arthur Conan Doyle

O signo dos quatro
Capítulo primeiro

Título original: The Sign of Four
Publicado em Lippincott’s Magazine, Fev., 1890.

Sobre o texto em português:
Este texto digital reproduz a
tradução de The Sign of Four publicado em
As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume I,
editado pelo Círculo do Livro
e com tradução de Hamílcar de Garcia.

Capítulo décimo: O fim do ilhéu

Jantamos alegremente. Holmes era um excelente conversador quando bem disposto, e nesse dia realmente estava assim. Parecia encontrar-se em estado de exaltação. Nunca o vi tão brilhante. Falou sobre uma série de assuntos — dramas sacros, cerâmica medieval, violinos Stradivarius, o budismo do Ceilão, os navios de guerra do futuro —, tratando de tudo como se tivesse feito um estudo especial de cada tema. O seu bom humor indicava uma reação contra a profunda depressão dos dias anteriores.

Athelney Jones revelou-se um ser sociável nas suas horas de folga, e atirou-se ao jantar com ar de bon vivant. Quanto a mim, sentia-me enlevado com a idéia de que nossa tarefa chegava ao fim. A alegria de Holmes me contagiou um pouco. Nenhum de nós aludiu, durante o jantar, à causa que nos havia reunido.

Quando tiraram a toalha, Holmes olhou para o relógio e encheu três cálices de vinho do Porto.

— Um gole — disse ele — pelo êxito da nossa pequena expedição. E agora é hora de começar. Tem um revólver, Watson?

— Tenho na escrivaninha a minha velha pistola de serviço.

— Convém levá-la. Ë melhor estar prevenido. Vejo que o coche está à porta. Mandei que o trouxessem às seis e meia.

Eram pouco mais de sete horas quando chegamos ao embarcadouro de Westminster e encontramos a lancha à nossa espera. Holmes examinou-a com um olhar crítico.

— Há alguma coisa que a identifique como uma lancha da polícia?

— Há. Este farol verde.

— Então tire-o.

Feita essa pequena alteração, embarcamos e largaram-se as amarras. Jones, Holmes e eu íamos sentados na popa. Havia um homem no leme, outro na máquina, e dois vigorosos inspetores da polícia na proa.

— Qual é o rumo? — perguntou Jones.

— Para os lados da torre. Diga-lhes que parem diante do estaleiro Jacobson.

A nossa embarcação era evidentemente rápida. Passamos pelas filas de chatas carregadas como se elas estivessem ancoradas. Holmes sorriu de satisfação quando alcançamos um vapor fluvial e o deixamos para trás.

— Acho que estamos aptos a alcançar qualquer coisa que flutue — disse ele.

— Nem tanto. Mas não há muitas lanchas que possam nos alcançar — replicou Jones.

— Teremos de alcançar a Aurora, e ela tem fama de veloz. Vou dizer-lhe em que pé estão as coisas, Watson. Lembra-se de como eu estava aborrecido ao me ver batido por uma coisa tão insignificante?

— Sim.

— Pois acalmei o espírito mergulhando numa análise química. Já disse um dos nossos grandes estadistas que o melhor repouso é mudar de trabalho. É uma verdade. Quando consegui dissolver o hidrocarbonato com que estava trabalhando, voltei ao problema dos Sholtos e refleti novamente sobre todo o assunto. Meus garotos tinham andado rio acima e rio abaixo sem o menor resultado. A lancha não se encontrava em nenhum embarcadouro nem armazém, e tampouco havia regressado. Também não podia ter sido afundada para lhes esconder o rastro, não obstante haver sempre essa hipótese, se falhassem todas as demais. Eu sabia que esse tal Small tinha certo grau de astúcia, mas não o achava capaz de qualquer coisa requintada e complexa. Isso geralmente é produto de uma instrução superior. Ocorreu-me então que ele, estando em Londres já há algum tempo (conforme estava provado pela sua contínua vigilância em Pondicherry Lodge), dificilmente poderia partir de um momento para o outro; precisaria de alguns dias para pôr em ordem os seus negócios. De qualquer maneira, era esse o saldo das probabilidades.

— Parece-me um argumento um tanto fraco observei. — É mais provável que ele tenha feito esses preparativos antes de ir a Pondicherry Lodge.

— Não, não penso assim. Seu esconderijo lhe era demasiado valioso para que ele o deixasse antes de estar certo de que não precisava mais dele. Jonathan Small deve ter pensado que o estranho aspecto de seu companheiro, por mais que o cobrisse de roupas, daria sem dúvida o que falar, e era até provável que o ligassem à tragédia de Norwood. Era bastante esperto para ver isso. Eles tinham deixado seu esconderijo sob a proteção da noite, e Small desejaria voltar antes que fosse dia claro. Ora, passava das três, segundo a sra. Smith, quando tomaram a lancha. Já devia estar bastante claro, e em uma hora ou pouco mais haveria gente por toda parte. Conseqüentemente, calculei que não teriam ido muito longe. Devem ter pago ao sr. Smith para que ele fechasse a boca, escondesse a lancha para a fuga definitiva e corresse ao esconderijo com a caixa do tesouro. Em duas noites, depois de terem tido tempo de ver o que os jornais diziam e de saber se havia alguma suspeita, sairiam protegidos pelas trevas e iriam até algum navio em Gravesend, ou em Downs, no qual sem dúvida já teriam obtido passagem para a América ou para as colônias.

— Mas… e a lancha? Não poderiam tê-la levado para o esconderijo?

— Exatamente. Eu insistia em que a lancha não devia andar muito longe, malgrado a sua invisibilidade. Coloquei- me então no lugar de Small e raciocinei como faria um homem com a sua capacidade. Ele provavelmente acharia que mandar a lancha de volta ou guardá-la num embarcadouro facilitaria as buscas da polícia, se esta por acaso estivesse no seu encalço. Como então poderia esconder a lancha e ao mesmo tempo tê-la à mão quando precisasse dela? Imaginei o que eu próprio faria se estivesse no seu lugar. Só poderia pensar uma coisa: entregar a lancha a algum estaleiro ou carpinteiro para um reparo qualquer. Nesse caso, a embarcação seria içada para uma carreira ou um dique, de forma que ficaria perfeitamente escondida e à minha disposição dentro de poucas horas.

— Isso parece bastante simples.

— Pois são justamente essas coisas simples que freqüentemente nos escapam. Seja como for, resolvi proceder de acordo com essa idéia. Iniciei imediatamente a pesquisa, metido naquela roupa de marinheiro, e andei indagando cru todos os estaleiros. Em quinze deles não encontrei nada, mas no décimo sexto, o Jacobson, soube que a Aurora tinha sido ali deixada, havia dois dias, por um homem de perna de pau, para que fizessem um conserto no leme. “Mas o leme estava em perfeitas condições”, disse-me o capataz. “Lá está ela: é aquela de listras vermelhas.” Nesse momento, quem havia de surgir senão Mordecai Smith, o patrão desaparecido? Era evidente que tinha bebido demais. É claro que eu não podia reconhecê-lo, mas ele berrou o seu nome e o da lancha. “Quero-a na água hoje à noite, às oito em ponto. Às oito em ponto”, repetiu, “porque tenho dois cavalheiros que não podem esperar.” Era óbvio que lhe tinham pago muito bem, pois estava cheio de dinheiro e tilintava os xelins para os trabalhadores. Segui-o a certa distância, mas ele entrou numa cervejaria. Voltei ao estaleiro, e, tendo encontrado um dos meus garotos, postei-o como sentinela nas proximidades da lancha. Ele deverá ficar à beira da água e agitar um lenço quando eles partirem. Estaremos ancorados ao largo, e será muito estranho se não apanharmos os homens, o tesouro e tudo.

— Você planejou tudo muito bem, sejam ou não sejam eles os homens que procuramos — disse Jones. — Mas, se o caso estivesse nas minhas mãos, eu teria colocado meia dúzia de polícias no estaleiro Jacobson e os prenderia no momento em que eles aparecessem.

— E o momento não chegaria nunca. Esse Small é um sujeito muito esperto. Não deixaria de mandar um explorador na frente; e, se desconfiasse de alguma coisa, na certa se esconderia por outra semana.

— Mas você podia ter continuado a seguir Mordecai, e dessa maneira descobrir o esconderijo deles — disse eu.

— Nesse caso teria perdido o meu dia. Creio que há uma possibilidade em cem de que Smith saiba onde eles estão. Enquanto tivesse bebida e bom pagamento, para que andaria fazendo perguntas? Eles lhe mandavam dizer o que devia fazer. Não. Refleti em todas as medidas possíveis, e esta é a melhor.

Enquanto assim falávamos, íamos passando a todo o vapor sob a longa série de pontes que atravessam o Tâmisa. Ao defrontarmos a City, os últimos raios de sol douravam a cúpula da Catedral de São Paulo. Caía o crepúsculo quando alcançamos a torre.

— Aquele é o estaleiro Jacobson — disse Holmes, apontando para uma floresta de mastros do lado de Surrey.

— Diminuam a marcha e ancorem aqui, sob a proteção desta fila de batelões.

Tirando do bolso um binóculo noturno, assestou-o para a costa e ficou olhando durante algum tempo.

— Estou vendo minha sentinela no seu posto — disse ele —, mas nenhum sinal de lenço.

— E se seguíssemos um pouco a corrente e ficássemos à espera deles mais à frente? — disse Jones ansiosamente.

Já estávamos todos preparados, até os policiais e marinheiros, que tinham uma idéia muito vaga do que sucedia.

— Não podemos contar com nenhuma certeza — respondeu Holmes. — Há dez probabilidades contra uma de que eles desçam o rio, mas não podemos garantir. Deste ponto, enxergamos a entrada do estaleiro, e eles dificilmente nos verão. A noite será clara e haverá bastante luz. Devemos ficar onde estamos. Vejam toda aquela gente à luz do lampião.

— Estão saindo do trabalho no estaleiro.

— Parecem-me uns tipos vis, mas suponho que em cada um deles se esconda uma pequena centelha imortal. Olhando-os, ninguém pensaria isso. A priori, não há nenhuma probabilidade de que a tenham. Que estranho enigma é o homem!

— Alguém já o definiu como alma escondida num animal — lembrei.

— Winwood Reade trata bem desse assunto — disse Holmes. — Ele diz que, embora o homem individualmente seja um enigma insolúvel, o agregado humano representa uma certeza matemática. Nunca se pode predizer, por exemplo, o que fará um homem, mas é possível prever as atitudes de certo número deles. Os indivíduos variam, mas as percentagens permanecem constantes. Assim falam as estatísticas. Acho que estou vendo um lenço. É uma coisa branca, sem dúvida, movendo-se.

— Sim, é o nosso garoto! — exclamei. Vejo-o nitidamente.

— E lá vai a Aurora — disse Holmes. — Correndo como o diabo! Para a frente a todo o vapor, maquinista! Rume para aquela lancha com uma luz amarela. Juro que nunca me perdoarei se ela nos deixar para trás!

A lancha tinha deslizado pela entrada do estaleiro sem ser vista, passando por trás de duas ou três pequenas embarcações, de forma que já corria antes que a tivéssemos visto. Agora descia rapidamente a corrente, não muito longe da costa, e a sua velocidade era tremenda. Jones olhou-a gravemente e abanou a cabeça.

Richard Gutschmidt, cortesia The Camden House

Richard Gutschmidt, cortesia The Camden House

— É muito veloz — disse ele. — Duvido que possamos alcançá-la.

— Temos que alcançá-la! — exclamou Holmes, falando entre dentes. — Mexa essa pá, foguista! Dêem o máximo de pressão! Precisamos alcançá-los nem que isto vá pelos ares!

Estávamos agora em plena marcha. A fornalha roncava, e a poderosa máquina zumbia e pulsava como um grande coração de metal. A proa alta e aguda cortava a água serena do rio, lançando duas grossas ondas para cada lado. A cada vibração da máquina, a embarcação arrancava e tremia como um ser vivo. Uma grande lanterna amarela na proa despedia um comprido e trêmulo facho de luz, e no mesmo rumo uma mancha escura na água indicava aonde ia a Aurora, ao passo que uma esteira branca de espuma nos permitia avaliar a sua espantosa velocidade. Passávamos como flechas por navios mercantes, barcaças, vapores, ziguezagueando por detrás deste e pela frente daquele. Vozes gritavam para nós da escuridão, mas a Aurora continuava a toda a marcha, e nós no seu encalço.

— Mais carvão, amigos, mais carvão! — gritou Holmes, olhando pela escotilha da sala de máquinas, com o rosto ansioso iluminado pelo vivo clarão que vinha de lá. — Dêem-lhe até a última libra de pressão.

— Creio que estamos um pouco mais perto — disse Jones, que não tirava os olhos da Aurora.

— Não há dúvida — disse eu. — Estaremos ao lado dela dentro de poucos minutos.

Nesse momento, porém, quis a má sorte que um rebocador com três chatas cortasse a nossa proa. Não fosse um golpe violento do leme, teríamos abalroado; e, quando contornamos esse obstáculo, a Aurora tinha ganho uns bons duzentos metros. Continuava, no entanto, bem à vista. O lusco- fusco incerto do crepúsculo ia se transformando numa noite clara e estrelada. As nossas caldeiras sofriam um esforço brutal, e o frágil casco vibrava e estalava à desmesurada energia que nos impulsionava. Tínhamos passado velozmente pelo Pool, pelas West India Docks, entrando pelo braço de Deptford e tornando a subir por trás da ilha dos Cães. A mancha escura à nossa frente pouco a pouco foi-se transformando nas linhas esbeltas da Aurora. Jones iluminou-a com o nosso holofote, de maneira que podíamos ver distintamente as figuras no convés. Um homem ia sentado à popa, com um volume preto entre os joelhos, sobre o qual se inclinava. Ao lado dele jazia uma massa escura, que parecia um cão terra-nova. Um rapaz empunhava o leme, e ao clarão da fornalha eu via o velho Smith, de dorso nu, padejando carvão como um demônio. A princípio eles podiam não ter certeza se nós os estávamos realmente perseguindo, mas agora que os acompanhávamos em todas as curvas e guinadas de sua rota, já não podia haver mais dúvida a esse respeito. Em Greenwich, estávamos cerca de cem braças atrás deles. Em Blackwall, não seriam mais que oitenta. Tenho acossado muitos animais em muitos países, nesta minha múltipla existência, mas nunca o esporte me produziu tão viva emoção como essa doida caçada humana Tâmisa abaixo.

Constantemente, metro a metro, íamos nos aproximando deles. No silêncio da noite, ouvíamos o resfolgar e a trepidação de sua maquinaria. O homem da popa continuava acocorado no convés, movendo os braços como se estivesse ocupado em alguma coisa, e de quando em quando media com os olhos a distância que ainda nos separava. Estávamos mais perto, cada vez mais perto. Jones gritou-lhes que parassem. Eles não iam mais que quatro barcos à nossa frente, e ambas as lanchas corriam a toda a velocidade. Era um trecho desimpedido do rio, entre a margem de Barking Level e a dos melancólicos pântanos de Plumstead. Ao nos ouvir, o homem da popa ergueu-se bruscamente e nos mostrou os punhos fechados, praguejando a plenos pulmões numa voz aguda e rachada. Era um homem vigoroso, de estatura avantajada, e, como estava virado para nós, de pernas abertas, pude ver-lhe, abaixo da coxa direita, o coto de pau. Ao som dos seus gritos raivosos e estridentes, houve um movimento no vulto enrodilhado no convés. Levantou-se, e era um homúnculo preto — o menor que já vi — com uma cabeçorra deformada e o cabelo em pé. Holmes já tinha pegado o revólver, e eu saquei o meu à vista daquela criatura horrenda e selvagem. Ele estava enrolado numa espécie de gabão ou cobertor que lhe deixava à mostra somente o rosto, mas esse rosto era o suficiente para tirar o sono de um homem. Eu nunca tinha visto feições tão acentuadamente bestiais e cruéis. Os olhinhos lampejavam com um fulgor sinistro, e os lábios grossos se arreganhavam, mostrando os dentes, que rilhavam para nós numa fúria animalesca.

Richard Gutschmidt, cortesia The Camden House

Richard Gutschmidt, cortesia The Camden House

— Atire, se ele levantar a mão — disse Holmes calmamente.

Dessa vez, estávamos a um barco de distância, quase tocando a nossa presa. Ainda agora os vejo de pé sobre o convés: o homem branco com as pernas muito abertas, gritando pragas, e o anão diabólico com a sua cara medonha, rangendo os dentes amarelos à luz crua do nosso holofote.

E foi bom que o víssemos com tamanha nitidez, porque nesse instante ele tirou de baixo dos seus cobertores um pedaço de madeira curto e redondo, do tamanho de uma régua escolar, e levou-o à boca. Nossas pistolas reboaram ao mesmo tempo. Ele rodopiou, atirou os braços para o ar e, com uma espécie de tosse sufocante, tombou de lado na corrente. Vi de relance seus olhos venenosos e ameaçadores entre o redemoinho branco das águas. No mesmo instante o homem da perna de pau atirou-se ao leme e guinou-o todo, de sorte que a lancha aproou bruscamente para a margem sul, e nós lhe passamos rente à popa, quase tocando-a. Em poucos momentos completávamos a curva e íamos novamente em seu encalço, mas a Aurora já estava perto da costa. Era um lugar solitário e inóspito, onde a lua brilhava sobre uma vasta charneca, com poças de água estagnada e brejos lodosos. A lancha, com um baque surdo, encalhou no barranco mole, ficando de proa alta no ar e com a popa inundada. O fugitivo saltou logo, mas a sua perna de pau se enterrou toda no solo pegajoso. Em vão se esforçava e se contorcia. Não podia avançar nem recuar. Gritava de raiva impotente e dava pontapés frenéticos na lama com a perna livre; mas os seus esforços só faziam enterrar mais no barranco pegajoso a sua perna de pau. Quando atracamos nossa lancha de costado, ele estava tão firmemente encravado que só lhe passando uma corda sob os braços conseguimos arrancá-lo e, como um peixe feroz, içá-lo para bordo. Os dois Smith, pai e filho, ficaram sentados na lancha, taciturnos, mas pronta e humildemente vieram para o nosso barco quando ouviram a ordem. A Aurora foi arrastada e amarrada à nossa popa. Uma sólida arca de ferro lavrado à indiana achava-se sobre o convés. Era, sem dúvida alguma, a mesma que guardara o funesto tesouro dos Sholtos. Não tinha chave, mas pesava bastante, de forma que a transferimos cuidadosamente para o nosso pequeno camarote. Ao voltarmos rio acima, lentamente, assestamos o holofote em todas as direções, mas não havia o menor sinal do ilhéu. Em algum lugar, no leito negro do Tâmisa, jazem os ossos daquele estranho visitante das nossas plagas.

— Veja isto — disse Holmes, apontando para a escotilha de madeira. — Não fomos muito rápidos com as nossas pistolas.

Com efeito, exatamente atrás do lugar onde estávamos quando as desfechamos, achava-se cravado um daqueles espinhos assassinos que tão bem conhecíamos. Devia ter zumbido entre nós no momento em que atiramos. Holmes sorriu àquilo e encolheu os ombros à sua maneira despreocupada, mas confesso que ainda sinto náuseas ao pensar na morte horrível que naquela noite passou tão perto de nós.

Capítulo primeiro: A ciência da dedução § Capítulo segundo: Exposição do caso
Capítulo terceiro: À procura de uma solução § Capítulo quarto: A história do homem calvo
Capítulo quinto: A tragédia de Pondicherry Lodge § Capítulo sexto: Sherlock Holmes faz uma demonstração
Capítulo sétimo: O episódio do barril § Capítulo oitavo: Os irregulares da Baker Street
Capítulo nono: Uma falha na seqüência § Capítulo décimo: O fim do ilhéu
Capítulo décimo primeiro: O grande segredo de Agra § Capítulo décimo segundo: A estranha história de Jonathan Small

Ilustrações: Richard Gutschmidt, cortesia The Camden House
Transcrição: Mundo Sherlock

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