O vale do terror – Primeira parte, Capítulo 1

Arthur Conan DoyleO vale do terror

Primeira parte: A tragédia de Birlstone

Título original: The Valley of Fear
Publicado em The Strand Magazine, Londres, 1914-15.

Sobre o texto em português:
Este texto digital reproduz a
tradução de The Valley of Fear publicado em
As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume VI,
editado pelo Círculo do Livro
e com tradução de Lígia Junqueiro.

Capítulo primeiro: O aviso

— Estou propenso a crer… — principiei.

— Já era tempo! — interrompeu Sherlock Holmes com ar impaciente.

Acredito ser o mais tolerante dos mortais; confesso, porém, que fiquei irritado com aquela interrupção sarcástica.

— Positivamente, Holmes — disse eu asperamente —, você às vezes é enervante.

Ele, no entanto, estava por demais absorto nos seus próprios pensamentos para dar resposta imediata à minha observação. Com o queixo apoiado na palma da mão, diante da refeição matinal intata, mirava a tira de papel que acabara de extrair do envelope. Depois, pegando o próprio envelope, aproximou-o da luz e pôs-se a examiná-lo cuidadosamente de ambos os lados.

— A letra é de Porlock — disse com ar pensativo. — Posso quase afirmar que é a letra dele, apesar de a ter visto apenas duas vezes. O estilo grego do e, com o ornato peculiar em cima, é característico. Mas, se é de Porlock, deve tratar-se, então, de assunto deveras importante.

Falava mais consigo mesmo do que comigo; contudo, minha irritação desaparecera diante do interesse que as suas palavras haviam despertado em mim.

— Mas quem é Porlock? — perguntei.

— Porlock, Watson, é um nom de plume, um mero sinal de identificação, atrás do qual, no entanto, se esconde uma personalidade movediça e fugidia. Em carta anterior, ele declarou-me francamente que, de fato, seu nome não é Porlock, e desafiou-me a identificá-lo entre os milhões de habitantes desta imensa cidade. Porlock é importante, não por si mesmo, mas pelo homem notável com quem está em contato. Imagine o peixe-piloto com o tubarão, o chacal com o leão… algo de insignificante em companhia do que é formidável. Não somente formidável, Watson, mas sinistro… sinistro no mais alto grau. Aí está como ele entra na esfera das minhas atividades. Você já me ouviu falar do professor Moriarty?

— O célebre criminoso científico, tão famoso entre os delinqüentes como…

— Respeite a minha modéstia, Watson — implorou Holmes.

— Ia dizer “como desconhecido do público”.

— Muito obrigado pela indireta! Você começa a cultivar certo tipo surpreendente de humorismo insulso, Watson, contra o qual preciso aprender a precaver-me. Mas você, ao chamar Moriarty de criminoso, profere um libelo aos olhos da lei, e é aí que reside a maravilha e o absurdo da história. O maior trapaceiro de todos os tempos, o organizador de tudo o que é diabólico, o cérebro controlador do mundo do crime… cérebro que podia ter realizado ou destruído o destino de nações inteiras. Eis o homem. Tão fora está ele, porém, da suspeita de todos… tão isento de crítica, tão admirável na sua habilidade e no apagar a recordação dos seus próprios feitos, que, apenas por essas palavras que você proferiu, ele seria capaz de levá-lo à barra do tribunal e de lá emergir com uma sentença, obrigando-o a pagar-lhe uma pensão por um ano, como compensação da sua dignidade ofendida. Não é ele o autor festejado de A dinâmica de um asteróide, obra que ascende a tais alturas da matemática pura que já se afirmou não haver na imprensa científica homem capaz de criticá-la? Será ele então uma pessoa que se possa desacreditar publicamente?

“Médico difamador e professor caluniado seriam os epítetos que caberiam respectivamente a vocês dois. Isso é gênio, Watson. Entretanto, se a arraia-miúda me poupar até então, tenho a certeza de que chegaremos a um ajuste final.”

— Espero em Deus poder assistir a isso! — exclamei com devoção. — Mas você estava falando de Porlock.

— Ah!, sim…o suposto Porlock é um elo da corrente, colocado a alguma distância do ponto de engate. Cá entre nós, Porlock não é um elo perfeito e, até onde tenho podido verificar, é a única falha dessa cadeia.

— Mas nenhuma corrente é mais forte que o seu elo mais frágil.

— Exatamente, meu caro Watson. Daí o enorme valor de Porlock. Movido por certas aspirações elementares para o bem e animado pelo judicioso incentivo de uma nota de dez libras, que lhe é enviada ocasionalmente, através de meios esconsos, por uma ou duas vezes ele tem-me antecipado informações tão valiosas que, em vez de se consumar, o crime é previsto e impedido. Tenho certeza de que, se possuíssemos a chave deste criptograma, veríamos que ele contém uma comunicação desse tipo.

Holmes estendeu novamente o papel sobre o prato vazio. Levantei-me e, debruçando-me por cima do seu ombro, olhei, curioso, para a estranha inscrição, que era a seguinte:

534 C2 13 127 36 31 4 17 21 41

DOUGLAS 109 293 5 3 7 BIRLSTONE

26 BIRLSTONE 9 127 171

— O que é que deduz disso, Holmes?

— Evidentemente, trata-se de uma tentativa de transmitir uma informação secreta.

— Mas que valor tem uma mensagem cifrada sem a respectiva chave?

— Neste caso, absolutamente nenhum.

— Por que diz você “neste caso”?

— Porque existem muitos criptogramas que sou capaz de ler tão facilmente como leio as missivas de pessoas que se correspondem pela Seção de Classificados de certos jornais. Semelhantes passatempos entretém o espírito sem fatigá-lo. Este, porém, é diferente. Trata-se, é evidente, de referência a palavras contidas em algum livro. Até que eu saiba qual a página e qual o livro, nada posso fazer.

— Mas por que “Douglas” e “Birlstone”?

— Naturalmente porque essas palavras não estão contidas na página em apreço.

— Então por que não indicou ele o livro?

— A sua perspicácia instintiva, caro Watson, aquela inata agudeza de espírito que faz a delícia dos seus amigos, impedi-lo-ia, com toda a certeza, de colocar a mensagem cifrada e a respectiva chave no mesmo envelope. Se elas rilíssem nas mãos de outra pessoa, você estaria perdido. Da maneira como está, ambas têm de se extraviar antes que disso advenha qualquer dano. Já passa da hora da segunda visita do carteiro, e ficarei muito surpreso se ele não nos trouxer outra carta com uma explicação ou, o que é mais provável, o próprio volume ao qual estas cifras se referem.

A previsão de Holmes realizou-se em poucos minutos com o aparecimento de Billy, o criado, exatamente com a carta que esperávamos.

— A mesma caligrafia — observou Holmes, abrindo o envelope —, e desta vez assinada — acrescentou, exultante, ao desdobrar a carta. — Estamos fazendo progressos, Watson.

No entanto, ao passar os olhos pelo papel, seu semblante se anuviou.

— Ora! Isto é francamente desanimador! Receio, Watson, que todas as nossas esperanças se reduzam a nada. Parece-me que o nosso homem não nos será útil de modo algum.

“Caro sr. Holmes, diz ele, não quero continuar com este assunto. É muito perigoso. Ele desconfia de mim. Leio claramente a suspeita nos seus olhos. Aproximou-se de mim, inesperadamente, depois de eu ter endereçado este envelope com a intenção de lhe remeter a chave da mensagem cifrada. Apenas tive tempo de escondê-lo. Se ele o tivesse visto, eu teria ficado em maus lençóis, pois percebo-lhe a desconfiança no olhar. Por favor, queime o bilhete cifrado, que já não lhe será útil, agora. Fred Porlock.”

Holmes deixou-se ficar sentado por alguns instantes, enrolando a carta entre os dedos e fitando o fogo com ar carrancudo.

— Afinal de contas — disse por fim —, talvez não passe de fantasia. É possível que ele esteja apenas sentindo a consciência culpada. Sabendo-se um traidor, pensou ver a acusação nos olhos do outro.

— O outro, creio eu, é o professor Moriarty?

— Em pessoa. Quando alguém daquele bando se refere a ele, já se sabe de quem se trata. Para toda aquela gente só existe um ele.

— Mas que pode ele fazer?

— Hum! Essa pergunta é muito difícil. Quando você tem contra si um dos maiores cérebros da Europa, apoiado por todas as forças do mal, as possibilidades são infinitas. De qualquer forma, é evidente que nosso amigo Porlock está assustadíssimo. Compare a letra do bilhete com a do envelope, endereçado, como ele próprio diz, antes da visita fatídica. Uma é clara e firme: a outra, quase ilegível.

— E por que escreveu? Por que não se limitou a ficar calado?

— Pela simples razão de temer que eu procurasse pedir-lhe informações sobre o caso e, provavelmente, o colocasse em má situação.

— Não há dúvida — disse eu, apanhando a mensagem cifrada e começando a examiná-la. — Verdadeiramente, é de perder o juízo pensar que um segredo importante pode ser ocultado nesta tira de papel e que transcende o poder humano desvendá-lo.

Sherlock Holmes tinha afastado de si a refeição matinal intata e acendera o malcheiroso cachimbo, companheiro das suas mais profundas meditações.

— Quem sabe? — exclamou, recostando-se na cadeira e olhando fixamente o teto. — É possível que existam pontos que tenham escapado à sua inteligência maquiavélica. Examinemos o problema à luz da razão pura. Este homem refere-se a um livro. É esse o nosso ponto de partida.

— Aliás, bastante vago.

— Vejamos, então, se podemos restringi-lo. À medida que concentro o pensamento nele, parece-me menos impenetrável. Que indicações temos a respeito do tal livro?

— Nenhuma.

— Ora, ora, positivamente a coisa não é assim tão feia. O criptograma começa com o número 534 escrito em algarismos grandes, não é? Podemos formular a hipótese de que 534 seja a página a que se refere a mensagem cifrada. Desse modo, o nosso livro torna-se um livro volumoso, o que certamente já é alguma coisa. Que outras indicações temos nós quanto à natureza desse livro volumoso? A cifra seguinte é C2. Como interpreta isso, Watson?

— Capítulo segundo, sem dúvida.

— Não creio, Watson. Estou certo de que concordará comigo em que, se a página está indicada, o número do capítulo torna-se inútil. E, por outro lado, se a página 534 ainda pertence ao segundo capítulo, o comprimento do primeiro deve ser realmente intolerável.

— Coluna! — exclamei.

— Magnífico, Watson! Você hoje está brilhante. Ou muito me engano, ou é coluna mesmo. Desse modo, então, principiamos a imaginar um livro volumoso, composto por colunas duplas de notável extensão, pois uma das palavras tem no documento o número 293. Teremos atingido os extremos que a razão permite?

— Receio que sim.

— Francamente, você é injusto consigo mesmo. Mais um lampejo de inteligência, Watson! Mais um esforço cerebral! Se a obra fosse pouco divulgada, ele a teria enviado. Em vez disso, antes de os seus planos malograrem, tencionara enviar-me a chave do enigma neste envelope, como diz o bilhete. Isso parece indicar que o livro é dos que ele supunha que eu não tivesse dificuldade em encontrar. Ele o tinha e imaginou que eu também o possuísse. Resumindo, Watson, trata-se de um livro muito comum.

— O que você diz parece, de fato, plausível.

— E assim, vemos reduzido o campo das nossas pesquisas a um livro muito volumoso, impresso em duas colunas e de uso comum.

— A Bíblia! — gritei, triunfante.

— É um bom palpite, Watson, mas, se me permite dizer, não muito bom ainda, pois eu dificilmente imaginaria livro com menor probabilidades de se encontrar à mão de qualquer dos sócios de Moriarty. Ademais, as edições das Escrituras Sagradas são tão numerosas que ele não poderia supor que dois exemplares tivessem a mesma paginação. Este é evidentemente um livro cujos exemplares são todos iguais. Ele devia estar certo de que a sua página 534 correspondia exatamente à minha página 534.

— Entretanto, muito poucos livros possuem essa característica.

— De acordo. E nisso está a nossa sorte. Nossa busca reduz-se a livros desse tipo, que qualquer pessoa pode ter.

— O Bradshaw!

— Não é provável, Watson. O vocabulário do Bradshaw, apesar de vivo e genuíno, é limitado. A seleção de vocábulos pouco se prestaria à redação de comunicados em geral. Eliminemos o Bradshaw. Acredito que o dicionário seja inadmissível pela mesma razão. Que nos resta, então?

— Um almanaque.

— Ótimo, Watson! Creio que desta vez acertou em cheio. Um almanaque! Examinemos as características do Whitaker’s Almanack. É de uso comum, tem o número necessário de páginas e é impresso em duas colunas. Ainda que modesto, em princípio, no seu vocabulário, torna-se no fim, se não me falha a memória, bastante rico em termos expressivos — disse Holmes, pegando o volume de cima da sua escrivaninha. — Aqui está a página 534, segunda coluna, que apresenta um artigo substancial sobre o comércio e os recursos da Índia britânica. Tome nota das palavras, Watson. A décima terceira é marata. Receio que não seja um início muito auspicioso. A centésima vigésima sétima é governo, que, pelo menos, tem sentido, apesar de algo inconcludente, tanto para nós como para o professor Moriarty. Tentemos de novo. Que há de comum entre marata e governo? Ora essa! O que vem a seguir é cerdas de porco. Estamos perdidos, amigo Watson. Nada feito.

Apesar de falar em tom de gracejo, a agitação das suas vastas sobrancelhas traía-lhe o desapontamento e a irritação que o dominavam. Pus-me a olhar para o fogo, perplexo e consternado. O nosso longo silêncio foi quebrado por uma súbita exclamação de Holmes, que, correndo para um armário, dele retornou brandindo um segundo volume, de capa amarela.

— É esta a conseqüência de estarmos demasiadamente em dia — gritou. — Recebemos o castigo da nossa precipitação. Como já estamos no dia 7 de janeiro, pusemos em uso o novo almanaque. É mais do que provável que Porlock tenha extraído a sua mensagem da edição anterior. Sem dúvida, ele nos teria avisado disso, se nos tivesse dado a explicação. Agora, vejamos o que nos reserva a página 534. O número 13 é Ha, o que é muito mais promissor. O número 127 é perigo. Há perigo… — Os olhos de Holmes brilhavam de excitação, e os dedos finos e nervosos tremiam-lhe à medida que ele contava as palavras, — Ah! Ah! Ótimo! Vá escrevendo, Watson: Há perigo — que — ameaça — em — breve— um — certo… Em seguida temos a palavra Douglas — rico — fazendeiro — atualmente — em — Birlstone — Mansão — Birlstone — convicção — é — urgente. Aqui está, Watson! Que pensa você da razão pura e dos seus resultados? Se o fazendeiro tivesse uma coroa de louros, mandaria Billy buscá-la.

Eu olhava para a estranha mensagem, que havia rabiscado numa folha de bloco, sobre o joelho, enquanto a decifrava.

— Que maneira extravagante e confusa de se expressar! — comentei.

— Pelo contrário, ele se saiu admiravelmente bem — retrucou Holmes. — Quando se procuram, numa única coluna, palavras para exprimir o que se deseja, dificilmente •ir pode encontrar aí tudo o que se quer. Quem escreve é obrigado a deixar algo à perspicácia do seu correspondente. O sentido é perfeitamente claro. Está sendo tramado um plano diabólico contra certo Douglas, seja quem for, residente cm Birlstone. Ele está convencido… “convicção” foi a palavra mais próxima de “convencido que ele pôde encontrar… de que é urgente. Eis o nosso resultado… um hábil esforçozinho de análise.

Holmes deixava transparecer a alegria impessoal do verdadeiro artista diante de sua melhor obra, mesmo quando se lamentava amargamente pelo fato de ela não ter atingido o alto nível a que havia aspirado. Ainda ria baixinho, satisfeito com o seu êxito, quando Billy, abrindo a porta, introduziu na sala o inspetor MacDonald, da Scotland Yard.

Estávamos nos primeiros dias do ano de 1889, época em que Alec MacDonald estava longe de ter obtido o renome nacional que hoje possui. Apesar de jovem, era funcionário de confiança da força policial, e já se havia distinguido em diversos casos que lhe tinham sido entregues. Sua compleição atlética e ossuda denunciava excepcional força física, ao passo que o crânio amplo e os olhos profundos e brilhantes falavam, não menos eloqüentemente, da aguda inteligência que cintilava por trás das grossas sobrancelhas. Era um homem silencioso e preciso, inflexível por natureza e com forte sotaque escocês. Já por duas vezes, durante a sua carreira, Holmes o ajudara a obter êxito, tendo como única recompensa o prazer intelectual de ter resolvido um problema. Por essa razão, o escocês tributava ao seu colega amador uma afeição e um respeito profundos, que demonstrava na franqueza com que consultava Holmes em todas as suas dificuldades. A mediocridade nada enxerga além dos seus confins, mas o talento reconhece imediatamente o gênio, e MacDonald era bastante sagaz na sua profissão para perceber que não havia desdouro algum em procurar o auxílio de quem já se sobressaía como único na Europa, tanto pêlos dotes mentais como pela experiência. Holmes não era propenso à amizade, contudo mostrava certa simpatia para com o corpulento escocês, e sorriu ao vê-lo.

— A que devemos esta visita tão matinal, Mac? Receio que ela não prenuncie nada de bom.

— Se o senhor dissesse “espero” em vez de “receio” estaria mais próximo da verdade, sr. Holmes — retrucou o inspetor, com um sorriso significativo. — Um gole talvez não fosse mau para espantar o frio terrível que faz hoje. Obrigado, não fumo. Não posso demorar, pois, como o senhor melhor do que ninguém sabe, as primeiras horas são preciosas quando se tem um caso pela frente. Mas…

O inspetor calara-se repentinamente e olhava com expressão de profundo espanto, para um papel em cima da mesa. Era a folha em que eu escrevera a enigmática mensagem.

— Douglas! — balbuciou. — Birlstone! Que é isso, sr. Holmes? Homem, parece feitiçaria! Em nome de tudo quanto é sagrado, onde o senhor obteve esses nomes?

— É uma mensagem cifrada que o dr. Watson e eu tivemos ensejo de resolver. Mas por quê… o que há com esses nomes?

O inspetor olhou alternadamente para nós dois com ar atônito.

— Apenas isto — disse ele: — o sr. Douglas, da Mansão de Birlstone, foi assassinado hoje de manhã, em circunstâncias espantosas.

Primeira Parte
A Tregédia de Birlstone

Capítulo 1 – O aviso § Capítulo 2 – Sherlock Holmes discorre
Capítulo 3 – A Tragédia de Birlstone § Capítulo 4 – Trevas
Capítulo 5 – As personagens do drama § Capítulo 6 – Um réstia de luz
Capítulo 7 – A solução

Segunda Parte
Os Vingadores

Capítulo 1 – O homem § Capítulo 2 – O grão-mestre
Capítulo 3 – Loja 341, Vermissa § Capítulo 4 – O vale do terror
Capítulo 5 – A hora mais negra § Capítulo 6 – Perigo
Capítulo 7 – Birdy Edwards na ratoeira

Epílogo

Ilustrações: Frank Wiles, cortesia The Camden House
Transcrição: Mundo Sherlock