Um estudo em vermelho – Primeira parte, Capítulo 6

Arthur Conan DoyleUm estudo em vermelho

Primeira parte: Reimpressão das memórias do dr. John H. Watson, ex-oficial médico do exército britânico

Título original: A Study in Scarlet
Publicado em Beeton’s Christmas Annual, Londres, 1887.

Sobre o texto em português:
Este texto digital reproduz a
tradução de A Study in Scarlet publicado em
As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume I,
editado pelo Círculo do Livro
e com tradução de Hamílcar de Garcia.

Capítulo sexto: Tobias Gregson mostra o que pode fazer

Os jornais do dia seguinte estavam cheios do que chamavam “O mistério de Brixton”. Todos faziam um longo relato do caso, e alguns teciam comentários. Havia neles certos pormenores que me eram desconhecidos. Ainda guardo no meu álbum numerosos recortes e extratos referentes ao fato. Eis o resumo de alguns deles:

O Daily Telegraph observava que, na história do crime, raramente se encontrava uma tragédia com tão estranhas características. O nome alemão da vítima, a ausência de qualquer motivo aparente e a sinistra inscrição na parede, tudo indicava que o crime fora perpetrado por refugiados políticos ou revolucionários. Os socialistas possuíam muitas ramificações na América, e o defunto, que sem dúvida havia infringido as suas leis não escritas, fora seguido por eles. Depois de aludir ligeiramente ao Vehmgericht, à água-tofana, aos carbonários, à marquesa de Brinvilliers, à teoria darwiniana, ao princípio de Malthus e aos assassinatos de Ratcliff Highway, o artigo concluía admoestando o governo e pedindo uma vigilância mais severa para os estrangeiros na Inglaterra.

O Standard comentava o fato de que tais violências geralmente ocorriam quando o Partido Liberal estava no poder. Eram a conseqüência da inquietação das massas e do enfraquecimento da autoridade. A vítima era um cidadão americano que residia na metrópole havia algumas semanas. Estivera hospedado na pensão de Mme Charpentier, em Torquay Terrace, Camberwell. Viajava em companhia de um secretário particular chamado Joseph Stangerson. Ambos tinham-se despedido da proprietária na terça-feira, 4, encaminhando-se para a Euston Station, onde deviam tomar o expresso para Liverpool. Tinham sido vistos mais tarde na plataforma da estação. Nada mais se soubera a respeito deles, até que o corpo do sr. Drebber fora encontrado numa casa vazia da Brixton Road, a vários quilômetros de Euston. As circunstâncias que o teriam levado ali, culminando no seu trágico destino, ainda estavam envoltas em mistério. “Temos a satisfação de registrar”, prosseguia o artigo, “que os senhores Lestrade e Gregson estão incumbidos das investigações, e que isso nos autoriza a prever um rápido esclarecimento do mistério, dadas as suas notórias qualidades profissionais”.

O Daily News afirmava não haver dúvidas de que se tratava de um crime político. O despotismo dos governos europeus e o seu ódio ao liberalismo tinham levado um grande número de homens a refugiar-se na Inglaterra, homens que seriam excelentes cidadãos se não os amargurasse a recordação do que haviam sofrido. Entre eles existia um rígido código de honra, e qualquer infração a esse código era punida com a morte. Nenhum esforço devia ser poupado para localizar o secretário, Stangerson, e verificar certos pormenores sobre os hábitos da vítima. Um grande passo já fora dado ao descobrir-se o endereço da casa onde ele estivera hospedado, o que se devia inteiramente à perspicácia e à energia do sr. Gregson, da Scotland Yard.

Sherlock Holmes e eu líamos essas notícias juntos, durante o café, e elas pareciam diverti-lo imensamente.

— Já lhe disse que, fosse como fosse, Lestrade e Gregson colheriam os louros.

— Isso depende da forma como o assunto acabar.

— Ah! Meu caro, isso não tem a menor importância. Se o homem for apanhado, será graças às suas atividades; se escapar, será nao obstante os seus esforços. É cara, ganho eu, é coroa, perde você. Façam eles o que fizerem, terão sempre os seus partidários. “Un sot trouve toujours un plus sot qui l’admire” [1].

— Que diabo é isso? — exclamei eu, pois naquele instante soou grande alvoroço no corredor e na escada, acompanhado por claras expressões de desagrado por parte da dona da casa.

— E a patrulha da Baker Street — disse gravemente o meu companheiro, e, mal acabou de falar, a sala foi invadida por meia dúzia dos mais sujos e andrajosos garotos que já vi.

Richard Gutschmidt, 1902

Richard Gutschmidt, 1902

— A-ten-ção! — gritou Holmes num tom imperioso, e os seis garotos maltrapilhos perfilaram-se como outras tantas estatuetas gaiatas. — Daqui por diante mandem somente

Wiggins, e o resto que espere na rua. Então, Wiggins, encontraram?

— Não, senhor, não encontramos — disse um dos rapazes.

— Eu já esperava isso. Continuem procurando. Aqui está o pagamento — acrescentou Holmes, dando um xelim a cada um deles. — E da próxima vez tragam melhores informações.

A um sinal seu, a garotada debandou escada abaixo como ratos, e logo após ouvíamos na rua as suas vozes estrídulas.

— Qualquer desses velhacos vale mais do que uma dúzia de agentes regulares — observou Holmes. — A simples presença de um funcionário fecha os lábios de todos, mas aqueles garotos vão a toda parte e ouvem tudo. São vivos como ninguém, e só lhes falta organização.

— E é para o caso da Brixton Road que você está se servindo deles? — perguntei.

— É, sim. Há um ponto que eu desejo apurar, mas é preciso muita paciência. Oba! Vêm aí notícias, sem dúvida alguma! Gregson vem descendo a rua com a felicidade estampada em todas as linhas do rosto. Parece-me que vem para cá. Vem, sim. Desce agora a calçada.

Ouviu-se um enérgico toque de campainha, e poucos segundos depois o detetive ruivo subia as escadas, de três em três degraus, irrompendo em seguida na nossa sala de estar.

— Meu caro amigo — exclamou ele, apertando calorosamente a mão passiva de Holmes —, felicite-me! Consegui tornar todo o assunto claro como o dia.

Pareceu-me que uma sombra de ansiedade atravessava o expressivo rosto do meu companheiro.

— Quer dizer, então, que está na pista certa?

— Na pista certa?! Ora essa, se já metemos o homem no xadrez!

— Como se chama?

— Arthur Charpentier, subtenente da Marinha Real — anunciou Gregson pomposamente, esfregando as mãos gordas e inchando o peito.

Sherlock Holmes soltou um suspiro de alívio e recostou-se, sorrindo.

— Sente-se — disse ele — e prove um destes charutos. Estamos ansiosos por saber como conseguiu isso. Aceita um uísque?

— Não cairia mal — respondeu o detetive. — Os tremendos esforços que fiz nestes últimos dois dias quase deram cabo de mim. Não é tanto o cansaço físico, compreende?, mas a fadiga mental. Sr. Sherlock Holmes, sabe bem do que se trata, pois ambos trabalhamos com o cérebro.

— Faz-me uma grande honra — disse Holmes gravemente. — Conte-nos, pois, como chegou a esse esplêndido resultado.

O detetive enterrou-se numa poltrona e complacente- mente começou a tirar baforadas do seu charuto. De súbito, deu uma palmada na coxa e rompeu num acesso de hilaridade.

— O mais engraçado de tudo — exclamou ele — é que esse idiota do Lestrade, que se julga tão esperto, está embrenhado numa pista falsa. Ele anda procurando o secretário Stangerson, que é tão culpado do crime como eu. Não duvido que a esta hora já o tenha apanhado.

A idéia divertia-o de tal modo que desatou novamente a rir, a ponto de sufocar.

— E como conseguiu a sua pista?

— Vou contar-lhes todos os pormenores… Naturalmente, dr. Watson, isto fica estritamente entre nós. A primeira dificuldade que se nos deparava era obter os antecedentes desse americano. Muitos teriam esperado uma resposta a anúncios publicados nos jornais, ou que alguém se apresentasse espontaneamente para fornecer informações. Mas esse não é o método de Tobias Gregson. Lembram-se da cartola que estava ao lado do cadáver?

— Sim — respondeu Holmes. — Fabricada por John Underwood & Sons, Camberwell Road, 129.

Gregson pareceu desiludido.

— Não pensei que o tivesse notado — murmurou ele.

— Esteve lá?

— Não.

— Ah! — exclamou o funcionário com evidente alívio.

— Nunca se deve desprezar uma oportunidade, por pequena que seja.

— Para um grande espírito nada é pequeno — observou Holmes sentenciosamente.

— Pois bem, fui ao Underwood e perguntei-lhe se tinha vendido alguma cartola daquele tipo e tamanho. Ele consultou os seus livros e identificou-a imediatamente. Tinha-a vendido a um certo sr. Drebber, residente na Pensão Charpentier, em Torquay Terrace. Consegui, assim, o seu endereço.

— Astuto… muito astuto! — murmurou Sherlock Holmes.

— Logo a seguir visitei a sra. Charpentier — continuou o investigador. — Encontrei-a muito pálida e aflita. A filha também estava na sala, aliás uma bela moça. Tinha os olhos vermelhos, e seus lábios tremiam, quando lhe falei. Isso não escapou à minha observação. Comecei a desconfiar de que havia ali dente de coelho. O sr. Sherlock Holmes conhece a sensação que experimentamos diante de uma pista certa…uma espécie de frêmito que corre pelos nervos. “Já sabe da morte misteriosa do seu último pensionista, o sr. Enoch J. Drebber, de Cleveland?”, perguntei-lhe. A mãe fez um gesto afirmativo. Parecia incapaz de pronunciar uma palavra. A filha rompeu em pranto. Senti mais do que nunca que aquela gente sabia algo a respeito do assunto.

“‘A que horas o sr. Drebber deixou a sua casa?’, perguntei-lhe.

“‘Às oito’, disse ela, engolindo em seco como que para reprimir a sua agitação. ‘O secretário dele, o sr. Stangerson, disse que havia dois trens… um às nove e quinze e outro às onze. Ele ia tomar o primeiro.’

“‘E foi essa a última vez que o viu?’

“Uma terrível mudança se operou no rosto da mulher quando fiz essa pergunta. As suas feições ficaram inteiramente lívidas. Só alguns segundos depois é que ela pôde pronunciar um ‘sim’, em voz rouca e alterada.

“Fez-se um momento de silêncio, e depois a filha falou, com uma voz clara e tranqüila:

“‘As mentiras não nos servirão para nada, mamã’, disse ela. ‘Sejamos francas com este cavalheiro. Sim, nós vimos o sr. Drebber outra vez.’

“‘Deus a perdoe!’, exclamou a sra. Charpentier, erguendo as mãos para o céu e deixando-se cair numa cadeira. ‘Você acaba de assassinar seu irmão.’

“‘Arthur com certeza prefere que digamos a verdade’, replicou a moça firmemente.

“‘Então é conveniente dizerem-me tudo o que sabem’, interrompi eu. ‘As meias verdades são piores que as reticências. Além disso, as senhoras ignoram o que sabemos a respeito desse assunto.’

“‘A culpa será exclusivamente sua, Alice!’, exclamou a mãe; e acrescentou, voltando-se para mim: ‘Não vá pensar que a minha agitação, por tratar-se de meu filho, venha de eu temer que ele tenha participado dessa horrível tragédia. Ele está inteiramente inocente. O que receio é que, aos seus olhos e aos dos outros, ele possa parecer comprometido. Mas isso é absolutamente impossível. O seu elevado caráter, a sua profissão e os seus antecedentes não o admitem.’

‘Inicialmente, o que lhe convém é expor-me todos os fatos’, insisti. ‘Se o seu filho é inocente, isso não piorará a situação.’

“‘Será melhor que nos deixe a sós, Alice’, disse ela, e a filha retirou-se. ‘Eu não tinha a menor intenção de lhe contar tudo isto’, continuou ela, ‘mas, desde que a minha pobre filha já o revelou em parte, não me resta outra alternativa. Estou decidida a falar, e não omitirei qualquer pormenor.’

“‘A senhora é muito judiciosa’, disse eu.

“‘O sr. Drebber esteve conosco quase três semanas. Ele e o secretário, sr. Stangerson, andaram em viagem pela Europa. Notei uma etiqueta de Copenhague numa das malas, e sem dúvida foi esse o último lugar que eles visitaram. Stangerson era um senhor quieto e reservado, mas o seu patrão, lamento dizê-lo, era inteiramente o contrário. Tinha hábitos grosseiros e gestos importunos. Na noite da chegada embriagou-se, e, para dizer a verdade, depois do meio-dia nunca estava sóbrio. As suas maneiras para com as criadas eram desagradavelmente íntimas e livres, O pior de tudo é que bem depressa começou a tomar a mesma atitude para com a minha filha, Alice, e falou-lhe mais de uma vez de um modo que, felizmente, ela é demasiado inocente para entender. Numa ocasião chegou a tomá-la nos braços e a abraçá-la, uma afronta que levou o seu próprio secretário a reprová-lo pela sua conduta indigna.’

“‘Mas por que motivo tolerou tudo isso?’, perguntei. ‘Suponho que a senhora possa se desembaraçar de um pensionista quando queira.’

“A sra. Charpentier corou a essa minha pergunta incisiva.

“‘Oxalá eu o tivesse despedido no dia em que chegou’, disse ela. ‘Mas a tentação era forte. Eles pagavam uma libra por dia cada um. . . catorze libras por semana, e estamos na estação morta. Sou viúva, e o meu filho na marinha tem- me custado muito. Era difícil renunciar àquele dinheiro. Mas a última proeza do sr. Drebber ultrapassou os limites, e eu lhe pedi que saísse da minha casa. Por isso é que ele foi embora.’

‘E depois?’

“‘Senti um grande alívio quando o vi pelas costas. Meu filho estava em casa, de licença, mas eu não lhe disse nada porque temia o seu temperamento violento, e sei que ele tem um grande carinho pela irmã. Quando fechei a porta atrás deles foi como se me tirassem um peso de cima. Ah! Em menos de uma hora ouvi a campainha tocar e soube que o sr. Drebber tinha voltado. Estava muito excitado, e era evidente que bebera demais. Entrou sem cerimônia, na sala onde eu estava com minha filha, e disse qualquer coisa a respeito ele ter perdido o trem. Voltou-se depois para Alice e, na minha frente, propôs-lhe que fugisse com ele. ‘Você é maior’, disse ele, ‘e legalmente ninguém pode detê-la. Tenho dinheiro de sobra. Não se preocupe com essa velhota e venha comigo agora mesmo. Viverá como uma princesa.’ A pobre Alice ficou tão assustada que deu um passo atrás, mas ele a tomou pelo pulso e tentou arrastá-la para a porta. Dei um grito, e, nesse momento, Arthur entrou na sala. Nem sei o que aconteceu. Eu estava tão aterrorizada que não ousei levantar a cabeça. Quando ergui os olhos, vi Arthur junto à porta, rindo, com uma bengala na mão. ‘Não creio que esse distinto cavalheiro torne a nos incomodar outra vez’, disse ele. E com essas palavras pegou o chapéu e foi embora. Na manhã seguinte, soubemos da morte misteriosa do sr. Drebber.’

“Isso foi o que me disse a sra. Charpentier, com muitas pausas e hesitações. As vezes ela falava tão baixo que eu mal podia ouvir-lhe as palavras. Mesmo assim, estenografei as suas declarações, a fim de que não houvesse a menor possibilidade de engano.”

— Ë emocionante — disse Sherlock Holmes com um bocejo. — E que aconteceu depois?

— Quando a sra. Charpentier terminou o seu depoimento — continuou o detetive da Scotland Yard — vi que todo o caso estava pendente de um único ponto. Encarei-a nos olhos, de um modo que dá sempre resultado com as mulheres, e perguntei-lhe a que horas o filho tinha voltado.

“‘Não sei’, respondeu ela, empalidecendo ainda mais.

‘Não sabe?’

“‘Não. Ele tem a chave da porta e não o ouvi entrar.’

“‘E a que horas a senhora foi dormir?’

‘As onze, talvez.’

“‘Então o seu filho esteve ausente pelo menos duas horas?’

“‘Sim.’

“‘Quem sabe se quatro ou cinco, não?’

“‘Pode ser.’

‘Que fez ele durante esse tempo?’

“‘Não sei’, respondeu ela, empalidecendo ainda mais. “Está claro que depois disso não restava mais nada a fazer. Verifiquei onde estava o tenente Charpentier, levei dois agentes comigo e prendi-o. Quando lhe toquei no ombro, dizendo que nos acompanhasse sem reagir, ele respondeu-me com o maior descaramento: ‘Suponho que me prendem como implicado na morte daquele canalha do Drebber’. Ora, nós não lhe havíamos dito nada a esse respeito, de sorte que essa alusão tinha um caráter muito suspeito.”

— Muito — disse Holmes.

— Ele ainda usava a pesada bengala que, segundo a mãe, levava ao sair atrás de Drebber. E um grosso bastão de carvalho.
— Qual é a sua teoria então?

— A minha teoria é que ele seguiu Drebber até a Brixton Road. Houve lá uma nova altercação entre ambos, durante a qual Drebber recebeu uma bengalada, na boca do estômago talvez, que o matou sem deixar qualquer marca. Chovia tanto que a rua estava deserta, e Charpentier pôde arrastar o corpo da sua vítima para a casa vazia. Quanto à vela, ao sangue, à escrita na parede e ao anel, tudo isso pode ter sido outros tantos recursos para desorientar a polícia.

— Magnífico! — disse Holmes, num tom encorajante. Realmente, Gregson, você está fazendo progressos. Ainda faremos de você alguém.

— Modéstia à parte, conduzi o caso com certa precisão — redargüiu com orgulho o investigador. — O rapaz declarou espontaneamente que seguiu Drebber por algum tempo, até que este, notando-o, pegou uma carruagem para se livrar dele. Ao voltar para casa, encontrou um velho camarada de bordo e deu um longo passeio com ele. Interrogado sobre o endereço desse camarada, não soube dar uma resposta satisfatória. Parece-me que todas as circunstâncias se combinam de maneira perfeita. Mas o que me diverte é pensar que Lestrade está seguindo uma pista falsa. Receio que não vá muito longe. Com os diabos, aí está ele em pessoa!

Era realmente Lestrade, que tinha subido as escadas enquanto falávamos e entrava agora na sala. A decisão e a elegância que caracterizavam seu porte e seu vestuário tinham, no entanto, desaparecido. Seu rosto denotava preocupação, e sua roupa estava suja e amarrotada. Viera sem dúvida com a intenção de consultar Sherlock Holmes, pois ao ver o seu colega pareceu embaraçado. Ficou em pé no meio da sala, brincando nervosamente com o chapéu, sem saber o que fazer.

Richard Gutschmidt, 1902

Richard Gutschmidt, 1902

— Este caso é dos mais extraordinários — disse por fim —, dos mais incompreensíveis.

— Ah! Acha mesmo, sr. Lestrade? — perguntou Gregson, triunfante. — Eu esperava que o colega chegasse a essa conclusão. Conseguiu encontrar o secretário, o sr. Joseph Stangerson!

— O secretário, sr. Joseph Stangerson — disse Lestrade gravemente —, foi assassinado no Hotel Halliday cerca das seis horas desta manhã.

[1] “Um tolo sempre acha outro mais tolo que o admira.” (N. do T.)

Primeira Parte
Reimpressão das memórias do dr. John H. Watson, ex-oficial médico do exército britânico

Capítulo 1 – O sr. Sherlock Holmes § Capítulo 2 – A ciência da dedução
Capítulo 3 – O mistério de Lauriston Gardens § Capítulo 4 – O que John Rance tinha a contar
Capítulo 5 – Nosso anúncio traz um visitante § Capítulo 6 – Tobias Gregson mostra o que pode fazer
Capítulo 7 – Uma luz nas trevas

Segunda Parte
A terra dos santos

Capítulo 1 – No deserto do Colorado § Capítulo 2 – A flor do Utah
Capítulo 3 – John Ferrier fala com o profeta § Capítulo 4 – Fuga desesperada
Capítulo 5 – Os anjos vingadores § Capítulo 6 – Continuação das memórias do dr. John Watson
Capítulo 7 – Conclusão

Ilustrações: Richard Gutschmidt, cortesia Camden House
Transcrição: Mundo Sherlock