Um estudo em vermelho – Primeira parte, Capítulo 7

Arthur Conan DoyleUm estudo em vermelho

Primeira parte: Reimpressão das memórias do dr. John H. Watson, ex-oficial médico do exército britânico

Título original: A Study in Scarlet
Publicado em Beeton’s Christmas Annual, Londres, 1887.

Sobre o texto em português:
Este texto digital reproduz a
tradução de A Study in Scarlet publicado em
As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume I,
editado pelo Círculo do Livro
e com tradução de Hamílcar de Garcia.

Capítulo sétimo: Uma luz nas trevas

A notícia com que Lestrade nos brindou era tão grave e inesperada que nós três ficamos estarrecidos. Olhei em silêncio para Sherlock Holmes, que tinha os lábios apertados e a testa franzida.

— Stangerson também! — murmurou ele. — A história se complica.

— Como se já não fosse bastante complicada — resmungou Lestrade, puxando uma cadeira. Parece-me que vim interromper uma espécie de conselho de guerra.
Está certo do que acaba de dizer? — balbuciou Gregson.

— Venho agora mesmo do quarto dele — respondeu Lestrade. Fui o primeiro a saber o que aconteceu.

— Estávamos ouvindo o ponto de vista de Gregson sobre o assunto — observou Holmes. — Poderia nos dizer o que viu e o que fez?

— Não vejo inconveniente — disse Lestrade, sentandose. — Confesso que a minha opinião era que Stangerson estivesse implicado na morte de Drebber. Esse novo fato veio demonstrar que eu andava completamente enganado. Convicto daquela minha idéia, tratei de descobrir o que fora feito do secretário. Eles tinham sido vistos juntos na Estação de Euston cerca das oito e meia da noite do dia 3. Às duas da madrugada Drebber fora encontrado na Brixton Road. O meu problema consistia em averiguar de que modo Stangerson tinha ocupado o seu tempo entre as oito e meia e a hora do crime, e para onde fora depois. Telegrafei para Liverpool, dando uma descrição do homem e advertindo os colegas de que vigiassem os vapores americanos. Comecei então a visitar todos os hotéis e pensões das vizinhanças de Euston. O meu raciocínio era que, se Drebber e o seu companheiro haviam se separado, este logicamente pernoitaria nas imediações e voltaria à estação no dia seguinte.

— Era presumível que tivessem combinado encontrar- se em determinado lugar — observou Holmes.

— E assim foi, realmente. Passei toda a noite de ontem Íazendo indagações, sem resultado. Esta manhã comecei bastante cedo, e às oito horas já estava no Hotel Halliday, na Little George Street. Quando perguntei se um certo sr. S tangerson morava ali, responderam-me afirmativamente, sem hesitação.

“‘O senhor deve ser a pessoa que ele espera’, disseram- me. ‘Há dois dias que espera um cavalheiro.’

“‘Onde está ele agora?’, perguntei.

“‘No quarto, dormindo. Pediu que o acordassem às nove.’

“‘Então vou subir’, disse eu.

“Supunha que a minha súbita presença no seu quarto talvez lhe sobressaltasse os nervos e o fizesse dizer qualquer coisa involuntariamente. Um rapaz da portaria ofereceu-se para me acompanhar: o quarto ficava no segundo andar, ao lundo de um pequeno corredor. O rapaz indicou-me a porta e dirigia-se de volta para a escada quando vi uma coisa que me estarreceu, apesar dos meus vinte anos de experiência. Corria sob a porta um filete vermelho de sangue, que havia atravessado sinuosamente o corredor e formava uma pequena poça no rodapé da parede em frente. Dei um grito que fez o rapaz voltar imediatamente. Quando ele viu aquilo, por pouco não desmaiou. A porta estava fechada por dentro, mas nós a arrombamos com o ombro. A janela do quarto estava aberta, e, junto à janela, no maior desalinho, de bruços, jazia o corpo de um homem em roupa de dormir. Estava morto, havia algumas horas, pois os seus membros já se tinham enrijecido e esfriado. Quando o viramos, o rapaz reconheceu-o mediatamente como sendo o mesmo cavalheiro que alugara o quarto sob o nome de Joseph Stangerson. Sua morte fora (ausada por uma profunda punhalada no flanco esquerdo, que devia ter penetrado no coração. E agora vem a parte mais estranha do fato. Serão capazes de imaginar o que havia cima do cadáver?”

Senti um arrepio na pele e um pressentimento de pavor iminente, antes mesmo que Sherlock Holmes respondesse.

— A palavra “Rache” escrita com sangue — disse ele.

— Isso mesmo — disse Lestrade em tom amedrontado, e todos ficamos em silêncio por um instante.

Havia qualquer coisa de tão metódico e incompreensível em torno da façanha daquele assassino desconhecido, que parecia acentuar o caráter macabro dos seus crimes. Os meus nervos, que jamais tinham fraquejado no campo de batalha, tremiam ante aquele quadro.

— O assassino foi visto — continuou Lestrade. — Um leiteiro, descendo a viela que leva dos fundos do hotel a uma leiteria, quando ia buscar suas garrafas, notou que uma escada, já vista por ele nas imediações, estava encostada a uma das janelas do segundo andar, e que a janela se achava escancarada. Logo depois, viu um homem descendo por ela. Descia com tanta desenvoltura e naturalidade que o rapaz pensou tratar-se de algum carpinteiro ou encanador ocupado em qualquer trabalho no hotel. Não lhe prestou grande atenção, e apenas achou que era um pouco cedo para ele já estar trabalhando. Tem a impressão de que o homem era alto, de rosto um tanto vermelho, e que vestia um comprido sobretudo marrom. Ele deve ter ficado algum tempo no quarto, depois do crime, porque encontramos água suja de sangue numa bacia, onde lavou as mãos, e manchas no lençol em que limpou cuidadosamente a sua faca.

Relanceei os olhos para Holmes ao ouvir a descrição do assassino, cujo tipo correspondia exatamente ao que ele pintara. Não havia, contudo, no seu rosto qualquer sinal de alegria ou satisfação.

— Não encontrou nada no quarto que possa fornecer um indício contra o assassino? — perguntou ele.

— Nada. Stangerson estava com a carteira de Drebber, mas parece que isso era costume, pois se ocupava de todos os pagamentos. A carteira continha oitenta e poucas libras, e estava intacta. Quaisquer que tenham sido os motivos desses crimes extraordinários, o roubo certamente não está entre eles. Não havia papéis nem anotações nos bolsos do morto, exceto um único telegrama de Cleveland, com data de um mês antes, que dizia: “J. H. está na Europa”. Não tinha sequer assinatura.

— E nada mais? — perguntou Holmes.

— Nada de importância. Um romance que o ajudara a dormir estava em cima da cama; e numa cadeira, ao alcance da mão, o seu cachimbo. Havia um copo de água sobre a mesinha e, no rebordo da janela, uma caixinha de ungüento contendo duas pílulas.

Sherlock Holmes pulou da cadeira com uma exclamação de júbilo.

— O último elo! — exclamou ele, exultante. O meu caso está completo.

Os dois investigadores fitaram-no atônitos.

— Tenho agora nas mãos — disse confiantemente o meu companheiro — todos os fios desse novelo. Há pormenores, naturalmente, que precisam ser completados, mas estou tão certo de todos os fatos principais, desde o momento em que Drebber se separou de Stangerson na estação até a descoberta do corpo deste último, como se os tivesse visto com os meus próprios olhos. Eu lhes darei uma prova do que sei. Recolheu essas pílulas, Lestrade?

— Tenho-as comigo — respondeu o policial, tirando do bolso uma caixinha branca. — Trouxe-as, juntamente com a carteira e o telegrama, com a intenção de guardá-las cm lugar seguro, no posto policial. Foi por mero acaso que recolhi as pílulas, pois confesso que não lhes atribuo nenhuma importância.

— Passe-as para mim — disse Holmes. — Então, doutor — acrescentou ele, voltando-se para mim —, estas pílulas são comuns?

Não o eram, certamente. Tinham uma cor cinzenta, de pérola, eram pequenas, redondas e quase transparentes.

— A julgar pela sua leveza e transparência, creio que sejam solúveis em água — observei.

— Precisamente — secundou Holmes. — E, agora, quer ter a bondade de ir buscar aquele pobre cachorrinho que está doente há tanto tempo e a cujos sofrimentos a dona da casa ainda ontem me pedia para pôr fim?

Desci as escadas e voltei com o pequeno terrier nos braços. A sua respiração opressa e os olhos vítreos demonstravam que não estava muito longe do fim. Na verdade, o focinho esbranquiçado proclamava que já tinha ultrapassado o termo normal da existência canina. Coloquei-o no tapete, sobre uma almofada.

— Cortarei, agora, em duas partes, uma dessas pílulas disse Holmes, abrindo o seu canivete e passando da palavra à ação. — Uma metade voltará à caixa para futuros propósitos. Colocarei a outra metade neste copo de vinho, que contém algumas gotas de água. Os senhores estão vendo que o doutor tem razão, que ela se dissolve prontamente.

— Isso pode ser muito interessante — disse Lestrade, no tom ofendido de quem suspeita estar sendo vítima de uma pilhéria. — Mas não vejo que relação possa ter com a norte do sr. Joseph Stangerson.

Richard Gutschmidt, 1902

Richard Gutschmidt, 1902

— Paciência, meu caro, paciência! Oportunamente verificará que tem íntima relação com esse fato. Acrescento agora um pouco de leite, para dar bom paladar à mistura, e, dando-a ao cão, veremos que ele a lamberá gostosamente.

Assim falando, Sherlock Holmes despejou o conteúdo do copo num pires e colocou-o diante do terrier, que rapidamente o enxugou com a língua. A atitude séria do meu amigo já nos convencera de tal modo, que nós três ficamos em silêncio, olhando atentamente para o animal, à espera de algum efeito surpreendente. Contudo, nada sucedeu, O cão continuou deitado na almofada, com a respiração ofegante, nem melhor nem pior do que antes de ter bebido o líquido.

Holmes tinha tirado o seu relógio, e, como os minutos se passavam sem resultado, uma expressão de profundo pesar começou a transparecer-lhe na fisionomia. Mordia os lábios, tamborilava com os dedos na mesa e dava todos os sinais de uma viva impaciência. A sua emoção era tamanha que sinceramente senti pena dele, ao passo que os dois detetives da Scotland Yard sorriam ironicamente, nada descontentes com aquele fracasso.

— Não pode ser coincidência! — exclamou ele, saltando por fim da cadeira e pondo-se a passear nervosamente pela sala. — E impossível que tenha sido mera coincidência. As próprias pílulas de que suspeitei no caso de Drebber são realmente encontradas após a morte de Stangerson… e parecem inofensivas. Que significará isso? Com toda a certeza a minha longa série de raciocínios não pode estar errada. E impossível! E no entanto este diabo de cachorro continua na mesma. Ah! Já sei! Já sei!

E com um grito de alegria Sherlock Holmes precipitou- se para a caixinha, cortou a pílula restante em duas partes, dissolveu-a, juntou leite e deu-a ao terrier. A língua do pobre animal apenas pareceu tocar o líquido, e uma convulsão lhe sacudiu os membros. Caiu rígido e morto como se tivesse sido fulminado por um raio.

Holmes soltou um longo suspiro e enxugou o suor da testa.

— Eu devia ter tido mais confiança — disse ele. — Nesta altura, já devia saber que, quando um fato parece se opor a uma longa cadeia de deduções, ele invariavelmente se presta a qualquer outra interpretação. Das duas pílulas dessa caixa, uma continha um veneno terrível, a outra era absolutamente inócua. Eu devia sabê-lo antes mesmo de ter visto a caixa.

Essa última afirmação pareceu-me tão surpreendente que eu mal podia crer que ele estivesse na posse de todas as suas faculdades mentais. Contudo, lá estava o cadáver do cão para provar que a sua conjectura fora correta. Aos poucos, eu ia tendo a impresão de que uma névoa se desfazia no meu espírito, e comecei a entrever vagamente a verdade.

— Tudo isso lhes parece estranho — continuou Holmes — porque, no princípio das investigações, não apreenderam a importância do único indício verdadeiro que tinham diante dos olhos. Tive a sorte de compreendê-lo inteiramente, e tudo o que aconteceu desde então tem servido para confirmar a minha suposição inicial, não sendo mais que a seqüência lógica dos fatos. E por isso que as coisas que os têm deixado perplexos e tornado o caso mais obscuro só serviram para aclarar e robustecer as minhas conclusões. E um erro confundir estranheza com mistério. O crime mais banal é muitas vezes o mais misterioso, porque não apresenta nenhuma característica nova ou especial da qual se possam tirar deduções. Esse assassinato teria sido infinitamente mais difícil de desvendar se o cadáver da vítima fosse encontrado simplesmente na rua, sem nenhuma dessas circunstâncias insólitas e sensacionais que o tornaram invulgar. Esses pormenores estranhos, longe de tornarem o caso mais difícil, contribuíram realmente para a sua clareza.

O sr. Gregson, que tinha ouvido essa arenga com crescente impaciência, não pôde mais conter-se.

— Escute, sr. Sherlock Holmes — disse ele —, estamos prontos a reconhecer que o senhor é um homem arguto, e que tem os seus métodos pessoais de trabalho, mas agora queremos algo mais positivo do que simples teorias e sermões. Trata-se de apanhar o culpado. Já expus a minha hipótese, e parece que errei. Evidentemente, Charpentier não pode ser acusado do segundo delito. Lestrade saiu à caça do seu homem, Stangerson, e parece que também ele estava errado. O senhor tem feito alusões aqui e ali e dá a impressão de saber mais do que nós, mas chegou o momento em que nos sentimos com o direito de lhe perguntar, de modo explícito, o que sabe a respeito desse assunto. Pode dar-nos o nome do criminoso?

— Devo convir que Gregson tem razão, sr. Holmes — observou Lestrade. — Ambos tentamos e falhamos. Desde que estou nesta sala, o senhor já asseverou mais de uma vez ter todas as provas que desejava. Espero que não as retenha por mais tempo.

— Qualquer demora em prender o assassino — observei — pode dar-lhe tempo para perpetrar alguma nova atrocidade.

Assim premido por todos nós, Holmes pareceu titubear. Continuou a passear pela sala, com o queixo contra o peito e o cenho carregado, como era seu hábito quando estava perdido em reflexões.

— Não haverá mais assassinatos — disse ele por fim, detendo-se subitamente e olhando para nós. — Podem deixar essa hipótese fora de qualquer consideração. Acabam de perguntar-me se eu sei o nome do assassino. Sei, sim. Mas o mero fato de saber o seu nome é pouca coisa comparado à possibilidade de agarrarmos o homem. E é isso que espero fazer muito em breve. Tenho esperanças de consegui-lo com os meus próprios recursos, mas é um assunto que exige tato e delicadeza, porque temos pela frente um homem astuto e desesperado, que conta com o apoio, segundo já tive ocasião de provar, de um outro, que é tão inteligente como ele. Enquanto esse homem não souber que alguém possui um indício contra ele, há certa esperança de apanhá-lo, mas se tiver qualquer motivo para suspeitas, mudará de nome e desaparecerá num instante entre os quatro milhões de habitantes desta grande cidade. Sem a menor intenção de melindrá-los, devo dizer que considero esses homens capazes de levar a melhor sobre a polícia regular, e é por essa razão que até agora não lhes pedi assistência. Se eu falhar, arcarei, está claro, com toda a responsabilidade resultante dessa omissão; mas estou perfeitamente preparado para isso. Por agora, prometo-lhes que, tão logo possa me comunicar com os senhores sem prejudicar os meus planos, assim o farei.

Gregson e Lestrade não pareceram muito satisfeitos com essa promessa, nem com a referência pouco lisonjeira à Scotland Yard. O primeiro corou até a raiz dos cabelos ruivos, ao passo que os olhos do outro, pequenos como contas, cintilaram de curiosidade e ressentimento. Nenhum deles, todavia, teve tempo para falar, pois ouviu-se uma pancada na porta, e Wiggins, o porta-voz dos garotos vadios, introduziu na sala a sua figura insignificante e desagradável.

— Desculpe-me disse ele, esboçando uma saudação militar. — Estou com a carruagem lá embaixo.

— Bravo, meu rapaz disse Holmes afavelmente.

— Por que não adotam este modelo na Scotland Yard? — continuou ele, tirando de uma gaveta um par de algemas de aço. — Vejam como a mola funciona rapidamente. Fecham- se num instante.

— O modelo antigo ainda é muito bom — replicou Lestrade —, desde que encontremos o homem para algemar.

— Perfeitamente, perfeitamente… — disse Holmes, sorrindo.

— O cocheiro poderá me ajudar a levar as minhas coisas. Peça-lhe que suba, Wiggins.

Fiquei surpreso ao ver o meu companheiro falar como se estivesse pronto para viajar, visto que nada me dissera a tal respeito. Havia na sala uma maleta. Puxou-a para o meio da sala e começou a afivelar-lhe as correias. Estava ocupado nisso quando o cocheiro entrou na sala.

— Pegue aqui esta fivela, cocheiro — disse ele, ajoelhando-se, sem ao menos voltar a cabeça.

O homem aproximou-se, com um ar um tanto aborrecido e de desafio, e estendeu as mãos para ajudar o seu passageiro. Nesse instante houve um estalido seco, o tinir do metal, e Sherlock Holmes levantou-se num pulo.

— Senhores — exclamou ele, com os olhos lampejantes —, permitam-me que lhes apresente o sr. Jefferson Hope, o assassino de Enoch Drebber e de Joseph Stangerson.

Richard Gutschmidt, 1902

Richard Gutschmidt, 1902

Toda a cena ocorreu num segundo… com tal rapidez que não tive tempo de percebê-lo. Lembro-me nitidamente desse instante, da expressão triunfante de Holmes, do timbre da sua voz, do rosto furibundo e espantado do cocheiro, olhando para as algemas reluzentes, que pareciam ter surgido nos seus pulsos como por um passe de mágica.

Por um instante, ficamos qual um grupo de estátuas. Depois, com um rugido inarticulado de fúria, o prisioneiro libertou-se do braço de Holmes e atirou-se contra a janela. Vidraça e caixilhos cederam ao seu embate, mas, antes que ele se jogasse, Gregson, Lestrade e Holmes saltaram-lhe em cima como cães de fila. O homem foi arrastado para a sala, e então começou uma luta terrível. Tão robusto e decidido ele era, que mais de uma vez nos arremessou, os quatro, para longe. Parecia ter a força convulsiva de quem sofre um ataque epiléptico. Tinha o rosto e as mãos horrivelmente lacerados pelos vidros da janela, mas a perda de sangue não lhe diminuía a resistência. Somente quando Lestrade lhe pôde apanhar a gravata, quase o estrangulando, é que conseguimos convencê-lo de que o seu esforço era inútil; ainda assim, não nos sentimos seguros enquanto não lhe amarramos os pés e as mãos.

— Temos a carruagem dele à espera — disse Sherlock Holmes. — Servirá para conduzi-lo à Scotland Yard. E agora, senhores — continuou ele, com um sorriso afável —, chegamos ao fim do nosso pequeno mistério. Terei a maior satisfação em ouvir quaisquer perguntas que me queiram fazer, e não há perigo de que eu as deixe sem resposta.

Primeira Parte
Reimpressão das memórias do dr. John H. Watson, ex-oficial médico do exército britânico

Capítulo 1 – O sr. Sherlock Holmes § Capítulo 2 – A ciência da dedução
Capítulo 3 – O mistério de Lauriston Gardens § Capítulo 4 – O que John Rance tinha a contar
Capítulo 5 – Nosso anúncio traz um visitante § Capítulo 6 – Tobias Gregson mostra o que pode fazer
Capítulo 7 – Uma luz nas trevas

Segunda Parte
A terra dos santos

Capítulo 1 – No deserto do Colorado § Capítulo 2 – A flor do Utah
Capítulo 3 – John Ferrier fala com o profeta § Capítulo 4 – Fuga desesperada
Capítulo 5 – Os anjos vingadores § Capítulo 6 – Continuação das memórias do dr. John Watson
Capítulo 7 – Conclusão

Ilustrações: Richard Gutschmidt, cortesia Camden House
Transcrição: Mundo Sherlock