Em Londres, investigando Sherlock Holmes

Condensado de O Estado de SP, 11/04/2017
Por Luiz Fernando Toledo

Você pode nem estar procurando, mas Sherlock Holmes estará em algum lugar no centro da capital inglesa

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Sherlock Holmes e seus objetos tão marcantes quanto seu nome Foto: Visit Britain

Você pode nem estar procurando, mas Sherlock Holmes estará em algum lugar no centro de Londres. São tantas as referências aos livros, séries e filmes da saga que fica difícil ignorar as pistas. Um bom começo é aderir ao tour à pé ( bit.ly/sherlockape; £12 ou R$ 46), que começa em um dos pontos mais movimentados e agitados de Londres, Picadilly Circus. Não será difícil encontrar o guia, que terá o símbolo máximo do detetive na cabeça: o chapéu.

É onde hoje está o Lyceum Theatre, no centro nobre da cidade, que a primeira peça baseada nos romances de Arthur Conan Doyle foi apresentada. A adaptação do livro, de William Gillette, traz uma surpresa: seu elenco tinha a participação de um ator de 13 anos cujo nome viria a ser conhecido mundialmente: Charlie Chaplin. A bela arquitetura barroca monumental não é a única coisa para se ver, mas também seus espetáculos – no momento, está em cartaz o musical O Rei Leão.

Ter assistido à série do detetive feita pela BBC (e disponível no Netflix) deixará o roteiro mais interessante. Na Trafalgar Square, onde está a National Gallery, você verá exatamente o mesmo cenário em que os heróis Sherlock e Dr. Watson caminham em busca de um pichador que possa ajudá-los a resolver um mistério. Assista ao episódio ( The Blind Banker) depois de passar por lá: a cena não teve figurantes contratados, e as pessoas olham curiosas para as câmeras.

A Somerset House, palácio com vista para o Rio Tâmisa, é um dos pontos mais utilizados por cineastas. Já foi cenário para filmes de James Bond (como O Amanhã Nunca Morre) e Jackie Chan ( Bater ou Correr em Londres) e, claro, para uma das versões cinematográficas de Sherlock Holmes, sob direção de Guy Ritchie.

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O Sherlock Holmes Pub tem bar e restaurante Foto: Luiz Fernando Toledo/Estadão

Pub. Uma das torturas do tour é passar pelo Sherlock Holmes Pub (10 Northumberland St.) e não entrar. Mas não se preocupe: do ponto final do passeio, a Somerset House, é um pulo. O local é dividido em dois andares: no térreo está o bar e, acima, um restaurante. O espaço é decorado com páginas de revistas e cartazes com tudo sobre o detetive. Só não faça como este repórter, que fez uma fila se formar ao observar os adereços nas escadas.

Na parte de cima há uma sala que simula o que seria o escritório de Holmes, mas não é possível se aproximar. Fique tranquilo: você terá a oportunidade no museu. Aproveite para pedir o clássico fish and chips (peixe com fritas), £ 14,45 (R$ 56) em uma porção bem servida. Nenhum fã que se preze pode partir sem visitar a casa onde Sherlock viveu entre 1881 e 1904, segundo os contos de Arthur Conan Doyle. Ok, a Baker Street não é a mesma e tem até McDonald’s, mas o charme está lá.

Esqueça as lojas caça-turistas e parta direto para o número que você já sabe: 221B.

Ali funciona um museu ( sherlock-holmes.co.uk ) dedicado à saga do detetive – a fila é grande e a espera pode levar meia hora. Compre os ingressos (£ 15; R$ 58) na lojinha, mas cuidado. O local pode ser um pesadelo de gastos, com praticamente tudo ligado ao detetive: livros, bonecos, chapéus, miniaturas, pelúcia, DVDs e pôsteres.

Não fique decepcionado, mas Holmes nunca morou no local – nem existiu, embora há quem diga o contrário. O que se sabe é que, antes de abrigar o museu, nos anos 1930, o endereço era a sede do banco Abbey National. E, embora resolver mistérios não fosse exatamente a habilidade dos proprietários, eles receberam, por muitos anos, cartas endereçadas ao detetive.

Na entrada, o próprio Dr. Watson recepciona os visitantes e aceita, de bom grado, posar para fotos. A visita não dura mais que meia hora: o grande barato é ver objetos e cenas feitas com bonecos que remetem aos livros. Uma equipe também está de prontidão para tirar dúvidas, embora não haja muita explicação para os “não iniciados” na saga. Não saia sem pegar o kit cachimbo-chapéu e posar em frente à lareira para uma foto – dizer o clichê “elementar, meu caro Watson” é opcional.

DICAS

Internet: dependendo do tempo que você ficar na Inglaterra, invista em um chip de celular (peça por um SIM card). Paguei £40 (R$ 155) para ter acesso à internet rápida e sem limites– inclusive para assistir vídeos.

Transporte: Ter um Oyster Card, o Bilhete Único londrino, é fundamental para se locomover na cidade (passe na catraca na entrada e na saída). Compre nos centros de visitantes; mais em bit.ly/oysterlondres.

 

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Sua memória funciona mais como a de Sherlock Holmes do que você imagina

Condensado de UOL, 19/12/2016

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Os atores Benedict Cumberbatch e Martin Freeman em cena da série inglesa “Sherlock”

Você já assistiu o seriado do famoso detetive Sherlock Holmes? Na série Sherlock, o personagem tem um “palácio da mente”, um catálogo mental altamente organizado de quase todas suas memórias.

Nós, meros mortais da vida real, não conseguimos nos lembrar da vida toda como Holmes, mas cientistas das Universidades de Princeton e Stanford, nos EUA, afirmam que nossas habilidades de armazenar lembranças e recordar podem ser eficientes e mais parecidas com as dele do que se imaginava.

A descoberta pode ajudar a encontrar sinais de alerta precoce da perda de memória e auxiliar no tratamento de doenças como Alzheimer. O estudo foi publicado na Nature Neuroscience.

Pesquisas anteriores provaram que as mesmas regiões do cérebro são ativadas em duas situações: quando vivenciamos um evento pela primeira vez e quando somos questionados para lembrarmos algo. O que os cientistas não sabiam era se todos os seres humanos armazenavam e as mesmas memórias da mesma maneira, ou se cada cérebro se lembrava de modo diferente.

Para desvendar esse mistério, eles recorreram ao detetive Holmes.
Um grupo de psicólogos colocou 22 voluntários em uma máquina de ressonância magnética para acompanhar as atividades cerebrais.

Os cientistas fizeram os voluntários assistirem 48 minutos do seriado Sherlock (mais precisamente o primeiro episódio, “A Study in Pink”). Assim que o tempo acabou, os participantes tinham que contar o que podiam sobre a série. Imagens dos cérebros foram gravadas em ambos momentos.

Os pesquisadores então analisaram a atividade cerebral dos telespectadores enquanto assistiam à série e quando se lembravam dela. Os padrões cerebrais eram tão semelhantes que os cientistas conseguiam identificar com precisão quais cenas os participantes estavam descrevendo sem precisar ouví-los, só comparando as atividades cerebrais.

“Mostramos que há um padrão cerebral distinto, como uma impressão digital, para cada cena assistida e sua memória”, disse Janice Chen, líder do grupo de pesquisa.

Depois da primeira fase, a equipe juntou os resultados de todos os participantes e criou uma média do que os cérebros mostraram enquanto assistiam às cenas. Em seguida, eles relacionaram a média com as respostas das ressonâncias individuais de quando os voluntários se lembraram da série.

A atividade cerebral de todos os participantes ao recordar foi parecida com a média do grupo ao ver a série pela primeira vez.

Resumindo? O resultado sugere que quando os seres humanos experimentam os mesmos eventos, seus cérebros organizam as memórias de maneira similar, em nosso “palácio da mente”.

Além disso, a maioria dos cientistas pensava que as memórias ficavam guardadas nas regiões cerebrais de “ordem inferior”, o que teríamos em comum com a maioria dos vertebrados. Mas os padrões cerebrais do estudo mostram que as lembranças foram exclusivamente encontradas na “ordem superior do cérebro”.

As descobertas farão com que pesquisadores cognitivos repensem a maneira como estudam as memórias.

“Achamos que nossas lembranças são únicas, mas há muito em comum entre nós, em como vemos e nos lembramos do mundo”

Janice Chen

Com a técnica de “rastreamento de memórias” usada na pesquisa, cientistas que trabalham com doenças neurodegenerativas relacionadas à memória, como o Alzheimer, podem identificar sinais de alerta precoces de esquecimento ou desenvolver marcadores mais precisos para perda de memória.

Agora sabemos que nossas memórias têm alguma estrutura organizacional em comum. A descoberta pode trazer certa frustração. Nós gostamos de pensar em nossos cérebros e lembranças como únicos, só nosso, mas não é bem assim.

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Review Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter

Condensado de TechTudo, 15/07/2016
Por André Luiz de Mello Pereira

O detetive mais famoso do mundo retorna ao mundo dos games para resolver casos e um mistério envolvendo sua filha

Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter é o novo game estrelado pelo detetive criado por Arthur Conan Doyle e coloca diferentes casos para o jogador resolver na era Vitoriana. Será que após o ótimo Sherlock Holmes: Crimes & Punishments, a Frogwares conseguiu acertar a mão mais uma vez ou acabou se perdendo? Saiba a resposta no review completo do game.

Um novo começo

The Devil’s Daughter é o oitavo jogo de Sherlock Holmes produzido pela Frogware e, de certa forma, age como uma espécie de reboot da série. Com um novo visual para Sherlock Holmes e Dr. Watson, o game mantém o mesmo estilo de investigação do último jogo, Sherlock Holmes: Crimes & Punishment. O que muda aqui é um foco, muitas vezes desnecessário, em momentos de ação.

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Sherlock e Dr. Watson em busca da verdade em Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter (Foto: Divulgação/ Frogware)

Sherlock está mais novo que no título anterior e ainda não chegou no ápice de sua fama como maior detetive do mundo. A trama que envolve a filha do personagem costura toda a história do jogo, junto com a necessidade de resolver diferentes casos, que vão de assassinatos até roubos de relíquias.

A trama principal, que aparece durante os casos, ajuda a encaminhar o game e o torna mais coeso. Assim, não há apenas missões (divertidas) que você resolve e que, de repente, levam ao final da aventura.

Elementar, meu caro Watson

Os casos de The Devil’s Daughter são bem divertidos de resolver e seguem a mesma fórmula abordada em Crimes & Punishments. O game basicamente pede para que você encontre todas as pistas disponíveis, junte tudo e aponte para um possível culpado.

Como acontecia no game anterior, o jogador tem acesso à mente quase super-humana de Sherlock, que surge ao investigar testemunhas e suspeitos, e a “visão de detetive”, que destaca elementos do cenário.

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Watson e Sherlock e seus visuais de atores de Hollywood (Foto: Divulgação/Frogware)

Apesar de parecer um tanto sem graça, a maneira como o jogo foi escrito captura a atenção do jogador, que se envolve a ponto de não largar enquanto não resolver aquele mistério. As mecânicas usadas para a solução dos casos também são divertidas e fazem com que você se sinta um verdadeiro detetive ao descobrir cada novo detalhe sobre o acontecido.

Tentando ser diferente, mas igual a todo mundo

Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter traz melhorias gráficas. Os personagens estão mais jovens – e até com aparência que lembra os atores de Hollywood –, mas é fácil perceber algumas falhas, como quedas na taxa de frames. Isso não seria um problema se o título tivesse se mantido como um simples jogo de detetive.

The Devil’s Daughter se mostra, em vários momentos, com uma vontade de inovar, de apresentar novidades ao jogador. Isso é louvável, já que a Frogwares poderia ter feito um jogo idêntico ao anterior, apenas com novos casos.

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A investigação dos casos é o ponto alto do game (Foto: Divulgação/Frogware)

O problema está em como esta inovação foi abordada. Mais de uma vez, você encontrará novas mecânicas que são abandonadas na mesma rapidez que surgiram. Nada tem tempo de se desenvolver o suficiente para se destacar.

Outro elemento – que pode ser considerado como o ponto mais baixo do game – é a tentativa de transformá-lo em um jogo de ação. Seja na quantidade absurda de quick time events ou em momentos em que você controla um personagem, apenas para passar raiva pelos controles serem travados, The Devil’s Daughter parece se perder um pouco.

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Os momentos de ação parecem deslocados dentro do jogo (Foto: Divulgação/Frogware)

A ideia de incluir ação em um jogo de investigação é interessante, mas a maneira como a Frogware fez isso deixou muito a desejar.

Conclusão

Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter é um jogo que ainda vai agradar aos fãs do detetive e aqueles que realmente gostaram de Crimes & Punishments. O game não é perfeito, traz alguns erros bobos, mas ainda consegue divertir e capturar a atenção do jogador até o final.

Trailer

 

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Morre ator britânico Douglas Wilmer, o Sherlock Holmes dos anos 60

Condensado de UOL, 02/04/2016
Via EFE

O ator britânico Douglas Wilmer, famoso por dar vida ao detetive Sherlock Holmes na televisão nos anos 60, morreu em um hospital inglês aos 96 anos, informou a Sociedade de Sherlock Holmes de Londres.

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Wilmer morreu na quinta-feira (31) por conta de uma pneumonia em um hospital da cidade de Ipswich, indicou o porta-voz dessa sociedade literária londrina, Roger Johnson.

“Era um grande ator e um cavalheiro, teve uma longa e distinta carreira”, declarou este porta-voz ao anunciar a morte.

Com seu típico chapéu e o cachimbo, Wilmer tornou-se muito popular com seu papel criado por Arthur Conan Doyle em uma bem-sucedida série da emissora britânica “BBC”, na qual estreou em 1964 com Nigel Stock como seu companheiro Watson.

Nos anos 70, continuou sua carreira televisiva com papéis secundários, como o de Professor Van Dusen em “Os Rivais de Sherlock Holmes” e em “As aventuras do irmão mais esperto de Sherlock Holmes“.

Também participou como ator coadjuvante em vários filmes, entre eles “007 contra Octopussy”, com Roger Moore como James Bond.

Moore destacou no Twitter que era Wilmer “um grande ator” e “foi um prazer trabalhar com ele em Octopussy” e na série televisiva “The Saint”.

Em 2012, no final de sua carreira, Wilmer fez uma aparição na última série dedicada ao detetive, “Sherlock”, protagonizada por Benedict Cumberbatch.

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Sherlock Holmes é a origem do fãs aficionados

Condensado Revista Galileu, 25/02/2016

Histórias do detetive inglês foram as primeiras a criar uma vasta e poderosa base de fãs, capaz de convencer o criador do personagem a ressuscitá-lo

Em 1893, no conto “O Problema Final“, publicado nas páginas da revista britânica Strand, o detetive Sherlock Holmes se envolvia em uma luta mortal com seu arqui-inimigo, o professor Moriarty, na beirada de um precipício nas Cataratas de Reichenbach, na Suíça. Os dois rivais caíram e desapareceram na queda d’água. Sobre a morte do melhor amigo, o doutor John Watson, que também era cronista do detetive, escreveu: “É com o coração pesado que pego a pena para escrever estas últimas e poucas palavras, com que registrarei os dotes singulares que sempre distinguiram meu amigo Sherlock Holmes”.

Já Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, não pareceu tão triste assim em matar o personagem que catapultou sua carreira como escritor. “Matei Holmes”, ele se limitou a escrever em seu diário. Mas o inocente Conan Doyle não conhecia o poder que podem ter os fãs.

Aqueles que estudam literatura consideram a morte do detetive um importante marco na história das artes. Até aquele momento, os leitores costumavam se conformar com os falecimentos, amores malsucedidos e finais trágicos impressos nas páginas de revistas ou livros. Conan Doyle é apontado como um dos principais responsáveis pela mudança dessa atitude passiva do público.

#devolvameudetetive

Quando perceberam que Sherlock Holmes havia mesmo morrido e não voltaria nas próximas edições da Strand, cerca de 20 mil pessoas cancelaram a assinatura da revista. Reza a lenda que jovens ingleses ficaram de luto no mês em que a edição com a morte de Holmes foi publicada. Os homens teriam usado broches pretos nos paletós ou faixas negras amarradas ao braço e as mulheres, vestido véus negros. Quem contava esta história era Adrian Conan Doyle, filho do próprio escritor.

A direção da Strand insistiu diversas vezes para que o autor voltasse a escrever sobre Holmes, mas ele se recusava. Em seu diário, explicou: “Tive uma overdose muito grande de Holmes, como quando eu estava com bastante vontade de comer um foie gras, comi muito e até hoje me sinto enjoado”.

Como o autor se recusou a reviver Holmes por bem, o público resolveu a questão por mal. Conan Doyle passou a ser hostilizado pelos leitores (e ex-leitores) da Strand nas ruas e dois jovens chegaram a invadir a casa do escritor, obrigando uma equipe policial a ir à residência conter os fãs acalorados. O autor disse à esposa que até um dos oficiais pediu, este com mais gentileza, que Holmes fosse ressuscitado.

A volta do que não foi

Por fim, nove anos depois, sem recursos para continuar trabalhando em seus livros, aqueles que realmente apreciava escrever, Conan Doyle precisou se render à sua criação máxima e voltou a criar histórias sobre o detetive. Em 1901, a Strand publicou em capítulos o romance “O Cão dos Baskervilles”, uma aventura anterior à morte do autor. Depois de mais dois anos de insistência, devido ao sucesso das edições com a nova história de Holmes, o escritor concebeu “A Aventura da Casa Vazia”, em que revelava que o detetive não havia morrido nas cataratas, agarrando-se às bordas do precipício, e voltara para desmantelar o que restava da quadrilha do professor Moriarty. Nesta época, a quantidade de assinantes da Strand superou os números de quando Holmes estrelava suas aventuras antes de morrer.

As novas publicações continuaram até 1905. Desta vez, o criador do detetive foi mais cauteloso. Em vez de matar seu personagem, foi escrevendo aventuras em que o investigador e seu fiel companheiro Watson ficavam cada vez mais velhos, até que, por fim, os dois se aposentaram da vida agitada e se recolheram, o doutor à sua clínica e à sua esposa, Holmes à sua criação de abelhas no interior da Inglaterra. Os fãs se conformaram e aceitaram o final dos personagens.

Ao todo, Conan Doyle escreveu quatro romances e 56 contos sobre Sherlock Holmes. O autor publicou outros 18 livros e dezenas de contos, mas nenhum deles obteve o sucesso que o detetive alcançou. Soa como 2016, mas tudo isso aconteceu entre o fim do século XIX e o início do século XX.

O sucesso do personagem é tão grande que, ainda hoje, faz sucesso no mundo todo. Prova disso são os seriados “Sherlock”, que ganhará sua quarta temporada e é uma das séries mais bem avaliadas da história da televisão britânica, e “Elementary”, também em sua quarta temporada, ambos baseados nos personagens criados pelo autor britânico.

Além das séries, dois filmes baseados na obra de Conan Doyle e protagonizados por Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Jude Law (Dr. Watson) foram lançados em 2009 e 2011, com uma terceira adaptação já em produção.

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O enigma da casa de Sherlock Holmes

Condensado de O Globo, 30/08/2014
Por Vivian Oswald / Correspondente

Endereço na Baker Street é um dos milhares em Londres com proprietários misteriosos e suspeitas de lavagem de dinheiro

Mistério. Turistas fazem fila para ir a museu de Sherlock Holmes, em Londres: enteado do presidente do Cazaquistão seria proprietário - Vivian Oswald

Mistério. Turistas fazem fila para ir a museu de Sherlock Holmes, em Londres: enteado do presidente do Cazaquistão seria proprietário – Vivian Oswald

LONDRES — Sherlock Holmes nunca existiu. Mas, coincidência ou não, é exatamente no endereço onde estaria a casa deste personagem britânico por excelência que está um dos maiores mistérios recentes de Londres. Se o detetive que desde 1897 ocupa lugar de destaque no imaginário coletivo é pura ficção, e, portanto, não tem como ter deixado herdeiros, a quem pertenceria o quarteirão onde supostamente estaria Baker Street, 221B, o célebre QG de Holmes nas histórias do escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle?

O certo é que ninguém sabe dizer exatamente quem é o proprietário do bloco que vale 174 milhões de libras (ou algo em torno de R$ 795 milhões) e inclui vários imóveis, entre eles a loja dos Beatles e Elvis. De acordo com denúncia realizada pela Global Witness em um longo relatório entregue ao gabinete do primeiro-ministro David Cameron, os imóveis pertenceriam, por caminhos tortuosos, a Rakhat Aliyev, ex-chefe da polícia secreta do Cazaquistão e enteado do presidente daquele país.

O vínculo foi levantado pela ONG durante as investigações para saber quem são os verdadeiros donos de três mil imóveis em áreas de luxo da capital britânica.

— As leis acabam protegendo as identidades dessas pessoas, que adquirem imóveis por meio de participações em fundos de investimentos ou empresas baseadas em paraísos fiscais, e encobrem dinheiro de origem duvidosa. Hoje, Londres é uma das capitais da lavagem de dinheiro no mundo — disse ao GLOBO uma das coordenadoras do estudo da Global Witness, Chido Dunn.

Segundo a ativista, 80% dos imóveis que estão sendo investigados pela ONG têm seus proprietários baseados em paraísos fiscais. A estimativa, disse Dunn, é que propriedades na Inglaterra e no País de Gales, no valor de 122 bilhões de libras, ou R$ 660 bilhões, pertençam a companhias registradas em paraísos fiscais.

Em discurso recente em Cingapura, Cameron garantiu que apertaria as leis para evitar que dinheiro sujo entrasse no país por meio de investimentos em imóveis. Para a Global Witness, esses recursos bilionários não apenas se escondem no país, como têm inflado o mercado imobiliário de tal maneira que vem expulsando os londrinos para algumas áreas mais afastadas.

Dunn afirmou que o governo já está debruçado sobre os dados do relatório da ONG, citada nominalmente pelo premier, e promete apurar as irregularidades. Foi criada uma força-tarefa com a organização para encontrar formas de se instituir mais transparência neste mercado tão caro ao Reino Unido. Até o final do ano, deve entrar em vigor uma lei que prevê quem são os proprietários britânicos por trás dos imóveis no país. A ideia é estender a abrangência aos grupos estrangeiros.

— Há muitos nomes da Rússia, Nigéria e África em geral, além da Ásia Central. É claro que nem todos os imóveis estão envolvidos com problemas de lavagem de dinheiro, ou foram comprados com dinheiro de corrupção. Mas fica difícil saber quem está e quem não está. O governo deu o primeiro passo. Mas ainda há muito a ser feito — explica.

FÃS POUCO INTERESSADOS

A ONG não encontrou nomes de brasileiros nesta lista inicial. Segundo Dunn, estes últimos podem procurar os mercados de Miami e Nova York, por exemplo, até pela proximidade com o país.

Estrangeiros endinheirados têm ocupado espaços (cada vez mais) preciosos da capital. Há ruas inteiras em bairros nobres da cidade, como Chelsea e Mayfair, onde a escuridão vinda das janelas dos apartamentos no final do dia evidencia que os imóveis estão desocupados e têm sido alvo de especulação. Mantêm-se vazios até que os proprietários ou investidores decidam aproveitá-los por alguns dias de férias ou colocá-los para alugar, se julgarem necessário. Muitos simplesmente deixam os imóveis fechados se valorizando em meio a um mercado que explodiu na última década.

A Global Witness está certa de que Rakhat Aliyev era o verdadeiro dono dos imóveis de Baker Street. Os advogados das empresas proprietárias negam qualquer ligação com o cazaque, segundo a mídia britânica. Ele foi encontrado morto em fevereiro deste ano em uma prisão na Áustria, onde aguardava julgamento. Era acusado pelo assassinato de dois banqueiros em seu país. Aliyev também era investigado por tortura, assassinato e lavagem de dinheiro, acusações que os advogados também negam, segundo os jornais britânicos.

Na verdade, o número da casa de Holmes tampouco existe na vida real. Mas convencionou-se instalá-lo em uma das portas do bloco tipicamente londrino, onde funciona hoje o museu do detetive. Este por acaso tem dono conhecido. A dúvida é se 221 B ficara ali de fato. Ao que tudo indica, entretanto, a legião de fãs de Sherlock não está muito interessada nestes detalhes. Elementar.

— Essa é a casa dele. Não há outra — diverte-se o turista enquanto fotografa o filho com o recepcionista do museu, vestido de oficial da Scotland Yard.

Em frente ao bloco da Baker Street, faça chuva ou sol, não há dia em que o endereço desta área nobre da cidade, reconhecido a distância, não esteja ocupado por filas de visitantes que dobram o quarteirão atrás de qualquer vestígio que seja da existência de Sherlock Holmes. Já na entrada, onde o acesso é permitido por pequenas levas, há um chapéu, como o detetive, e um cachimbo para que os turistas possam posar para fotos e se distrair enquanto aguardam que a demorada fila ande.

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Editora lança edição de luxo de Sherlock Holmes

Condensado de Correio do Povo, 18/04/2015

Publicação contempla todas as fases da carreira do detetive

Sherlock Holmes entrou para a história como um detetive excepcionalmente brilhante e excêntrico. Com métodos próprios, baseados em sua imensa capacidade de absorver e armazenar informações, resolveu casos aparentemente insolúveis. A Editora Tordesilhas acaba de lançar uma edição de luxo reunindo 17 contos de Sherlock Holmes “O Dia em que Sherlock Holmes Morreu”. Prato cheio para os amantes de Holmes e também um convite aos novatos, a edição contendo os escritos de Conan Doyle contempla todas as fases da carreira de Holmes desde a descoberta de seus dons, nos tempos de faculdade, até a aposentadoria.

Com capa dura, sobrecapa e as interpretações de cenas notórias retratadas por desenhos primorosos de João Pirolla, a obra visa a aguçar a curiosidade dos que ainda não entraram no universo do personagem mais famoso do mundo, que tem encantado leitores há 13 décadas. Como disse Orson Welles, “Sherlock Holmes foi o homem mais famoso mundialmente que nunca existiu”. Nos contos, o método dedutivo de Sherlock é posto à prova em casos dificílimos. Em toda a obra, o leitor se deparará com a ironia, o tédio, a desilusão, a cocaína, o senso de humor, os disfarces, Watson, Mycroft, Irene Adler e, é claro, o professor Moriarty, o maior entre todos os inimigos, com quem Holmes trava a luta definitiva que inspirou o título do volume.

Arthur Conan Doyle nasceu em 1859, em Edimburgo, Escócia. Apesar do gosto da família pela arte, formou-se em Medicina foi colega de Robert Louis Stevenson, autor de “O Médico e o Monstro”. Enquanto estudava, escrevia contos. Em 1887 lançou a primeira aventura de Holmes, o que o alçaria à fama.

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